Boas Vindas

Bem Vindos!!!!!!

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É com grande alegria que iniciamos este blog dando BOAS VINDAS a todos que aqui passarem.

Queremos aqui propor reflexões, troca de experiências, informações e ajudas nos temas relacionados á psicanálise e psicopedagogia, que geram interesse e curiosidade. Promover também um espaço para reflexão e discussão de acontecimentos que nos rodeiam e como eles influenciam em nossas vidas.

Tratamente é um blog aberto para discussões, comentários e sugestões em assuntos emocionais e psicológicos para adquirirmos conhecimento e compartilharmos experiências. Por isso convidamos vocês a interagirem conosco pelo blog ou pelo e-mail contato.tratamente@gmail.com

“As mentes criativas são capazes de sobreviver a qualquer tipo de mau treinamento” – Anna Freud

 

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Boas Vindas

FELIZ DIA DAS MÃES

É com muito carinho que desejo um Feliz Dia Das Mães a todas as mães!!! Que tenham um dia mágico, alegre e inesquecível!!!

DIA DAS MÃES2018

 

Boas Vindas, Sem categoria

FELIZ PÁSCOA

FELIZ PÁSCOA!!

É com muita alegria que desejo a todos meus seguidores uma Feliz Páscoa!!! Jesus ressuscitou!!! Ele vive!!!

 

Boas Vindas

FELIZ NATAL E ANO NOVO

Que nestas festas, Deus abençoe e ilumine a vida de todos e, que o Espirito Santo se faça presente em todos os lares o ano todo!

São nossos sinceros desejos!!!

 

Boas Vindas

PROMOÇÃO DE FIM DE ANO

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Débora Maciel

(16) 3021-0880 / 98220-8272 (whatsapp) – contato.tratamente@gmail.com

Conceito

Transferência

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

Será exposto aqui três conceitos de transferência. A visão de transferência por Sigmund Freud, Donald Woods Winnicott e Melaine Klein.

A transferência pode estar presente em diversas situações, principalmente a encontramos em atendimentos terapêuticos, mas podemos encontrá-la em uma sala de aula, em uma aula particular, em grupos de estudos ou atendimentos terapêuticos, etc.

É possível perceber a presença de transferência quando, o paciente/analisando e/ou aluno transfere para o seu terapeuta e/ou professor a figura de uma pessoa próxima, podendo ser o pai, a mãe, o responsável, o qual tenha um papel importante na criação desta pessoa.

A transferência ajuda o paciente/analisando e/ou aluno no processo de cura, em caso de terapia e no processo de aprendizagem no caso do aluno.

 A Transferência engloba uma pluralidade de significados. Ela advém tanto da pessoa do analisando como do próprio analista. Diversos autores de distintas épocas e referenciais psicanalíticos conceituam formas especificas de situações transferenciais.

Conceitua-se este termo transferencial como um conjunto de todas as formas pelas quais os pacientes vivenciam com o psicanalista na experiência emocional da relação analítica, todas as representações que ele tem do seu próprio self, as relações objetais que habitam o seu psiquismo e os conteúdos psíquicos que estão organizados como fantasias inconscientes, como as respectivas distorções perceptivas, de modo a permitir interpretações do analista, as quais possibilitem a integração do presente com o passado, o imaginário como o real, o inconsciente com o consciente.

A transferência é um processo através do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos ou pessoas, num certo tipo de relação estabelecida, eminentemente, no quadro da relação analítica.

O sujeito satisfaz as pulsões exercendo o amor, o desejo e a satisfação, as quais estão dispostas no decorrer de sua vida. Essas pulsões são constituídas como ideias libidinais infantis que, por não serem inteiramente capazes de mudar diante de experiências recentes, é transferida para uma nova pessoa que se aproxima, e neste caso o analista. A transferência se torna possível na analise principalmente enquanto disposição libidinal tornando possível a satisfação da necessidade do amor particular, levando o analista, a saber, a verdade escondida no inconsciente do paciente.

A transferência, de certo modo, é uma mudança nas atitudes do paciente com relação ao seu analista no curso do tratamento, essas mudanças envolvem intensos componentes emocionais e podem contribuir para melhoras significativas no estado do paciente.

 TRANSFERÊNCIA PARA SIGMUND FREUD

“uma transferência está presente no paciente desde o início do tratamento e, durante algum tempo, é o mais poderoso motivo de seu progresso” Sigmund Freud (1916-17).

Foi em “Estudos sobre a Histeria” (1.895) que Freud empregou pela primeira vez a transferência no sentido de uma forma de resistência, ou seja, como obstáculo à analise, a fim de evitar o acesso ao resíduo da sexualidade infantil que ainda persistia ligada às zonas erógenas. Então afirmou que a “transferência é o pior obstáculo que podemos encontrar” e, concluiu-a como, uma forma de um falso enlace do paciente com o terapeuta.

Mais tarde Freud postulou a transferência como impulsos e fantasias, passando a considerá-la uma inevitável necessidade. Então ele veio a reconhecer que a analise com uma paciente, chamada Dora, falhou porque ele não havia reconhecido e trabalhado suficientemente o que pode-se chamar de “transferência de vingança”.

os sintomas são precipitados de anteriores eventos amorosos que só podem dissolver-se à elevada temperatura da transferência e, portanto, transformar-se em outros produtos químicos”“Cinco Leituras sobre Psicanálise” Freud (1.910).

Em 1.912, Freud reforça que a transferência opera tal como num campo de batalha em que a vitória (a cura das neuroses), tem que ser conquistada, concluindo com clássica frase de que “não é possível vencer a alguém (o inimigo) in absentia ou in effigie” (se não há transferência não há analise). Em outras palavras quer-se dizer que, ela é um veículo através do qual o inconsciente se manifesta, veículo que coloca em ato, no agora (atual), o inconsciente, tornando presente o que estaria ausente. E logo mais tarde, em 1.915, ele classifica as transferências em positivas (amorosas) e negativas (sexuais), as sexuais ligadas às resistências.

Freud, em “Esquema de Psicanálise” (1.938), referiu-se à transferência como ambivalente e podendo ser uma fonte de sérios perigos e o mais poderoso instrumento da psicanálise.

Freud dividiu as transferências como sendo positivas e negativas, conforme seguem abaixo:

Transferência Positiva

As transferências positivas referem-se a todas as pulsões e derivados relativos à libido, além de os desejos eróticos sob forma de amor não sexual.

É importante acreditar que algumas formas de transferências positivas podem estar sendo negativas. Inclusive uma forma de positividade pode ser significado de um inconsciente engano transferencial-contrasnferencial sob uma estéril recíproca fascinação narcisística.

Uma transferência positiva é pela qual o paciente cumpre fielmente todas as combinações de assiduidade, pontualidade, verbalização, uso do divã, manifesta concordância com as interpretações, etc, onde encobre uma pseudocolaboração.

Transferência Negativa

Nesta transferência predominam as pulsões agressivas com seus inúmeros derivados como a inveja, ciúme, rivalidade, voracidade, ambição desmedida, algumas formas de destrutividade, as eróticas inclusivas, etc.

A transferência pode ser “negativa”, por exemplo, uma perspectiva adulta em ralação à educação de uma criança que quer romper com certas regras. Porém ela pode ser altamente “positiva” a partir de um vértice que permite propiciar ao paciente a criação de um espaço, no qual ele pode reexperimentar antigas experiências que foram mal entendidas e mal solucionadas pelos pais.

TRANSFERÊNCIA PARA DONALD WOODS WINNICOTT

Winnicott acredita que o paciente precisa conquistar um novo espaço para se relacionar com o analista, onde o analista primeiramente é para o analisando um objeto transicional, cuja a imagem estará distorcida pelas projeções e sentimentos de posse, e posteriormente ira se tornar um objeto real. Durante a análise, tanto a analista como o analisando estão se descobrindo e criando, por fim as descobertas levaram a criação de ambas as partes.

Durante a análise o analista tenta “atacar” seu analista e ele tenta sobreviver estes ataques, priorizando a construção neste paciente de um self real.

O paciente procura satisfazer suas necessidades e quando o analista não consegue, gera neste paciente uma decepção pelo fracasso do ambiente, porém Winnicott afirma que esse fracasso pode gerar muito mais do ódio no paciente, pode levar a uma aniquilação do seu self.

Para Winnicott a transferência é muito mais do que uma repetição de impulsos e defesas, o paciente não sente apensa desejos pelo analista, ele sente uma necessidade de satisfação que venha da parte do analista.

TRANSFERÊNCIA PARA MELANIE KLEIN

Melanie Klein via a transferência como uma reprodução de todos os primitivos objetos e relações objetais internalizadas no psiquismo do paciente, acompanhada das respectivas pulsões, fantasias inconscientes e ansiedades presentes nos pacientes.

Alguns seguidores de Melanie Klein destacam alguns aspectos relativos à transferência que descreverei abaixo.

  • Transferência Primitiva: é reproduzida com o analista as primitivas relações objetais, com as respectivas fantasias inconscientes arcaicas, ansiedade de aniquilamento e primitivos mecanismos de defesa.
  • Associação de ideias: afirma que as relações objetais primitivas se formaram antes da capacidade de o ego da criança poder fazer representações-palavras destas relações, no entanto, elas podem ser captadas pelo analista e virem a ser reconstruídas.
  • Objetos parciais: é quando nas transferências primitivas as relações objetais são configuradas com estes objetos parciais (seios, pênis, etc), isto acontece desde as primeiras sensações corporais, e decorrentes das angustias persecutórias e depressivas inerentes ao início do desenvolvimento infantil.
  • A transferência sempre está presente, não só nos momentos em que o paciente manifesta direta ou indiretamente em relação com o analista, mas sim de forma permanente e oculta.
  • Todo esse entendimento do fenômeno transferencial acarretou profundas modificações na forma e no conteúdo das interpretações do psicanalista.
Transtornos

Esquizofrenia

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

“…pacientes psicóticos tem uma severa falta de desenvolvimento do ego, com imagens do eu e objetais muito indiferenciadas e a concomitante falta de fronteiras do ego… ” – Kernberg.

A esquizofrenia é uma doença biológica que envolve alterações cerebrais de nível celular e químico, comprometendo diferentes funções do psiquismo. Considerada um distúrbio psicótico, a pessoa esquizofrênica perde contato com a realidade, criando idéias irracionais ou percepções distorcidas. Pode se dizer que a esquizofrenia é uma divisão da realidade com distúrbios do pensamento, perceptivos e emocionais e com ações impróprias.

Sua causa é multifatorial, a qual, apresenta fatores genéticos e ambientais. A hereditariedade é um aspecto importante, os genes, uma vez presente no código genético de uma pessoa com predisposição a doença, e os fatores ambientais – tais como, traumatismo no parto, infecções maternas durante a gestação, experiências psicológicas negativa na infância, etc. – influenciam diferentes etapas do desenvolvimento e amadurecimento do Sistema Nervoso Central, provocando alterações cerebrais que serão o ponto crucial para os sintomas da doença.

O pensamento do esquizofrênico é fragmentado, distorcido por falsas convicções, conhecidos como delírios. Sua atenção é deteriorada, ou seja, qualquer estimulo ou parte do pensamento o distrai. Além de perceberem coisas que não existem, eles possuem alucinações, sendo a maioria auditiva, comparados a sonhos em uma mente desperta, ou seja, transformando o irreal em real.

Estudiosos afirmam que a esquizofrenia, geralmente, inicia-se na adolescência e no inicio da vida adulta, variando entre os 15 aos 45 anos, podendo raramente ocorrer na infância, atingindo tanto homens quanto mulheres. Normalmente eles possuem dificuldades para evoluir nos estudos, trabalhos e formar família.

Bleuler colocou quatro sintomas principais da esquizofrenia: afrouxamento dos nexos associativos do pensamento – são idéias associadas de forma errada e com prejuízo da lógica – o autismo – comportamentos introspectivos, isolamento social e dificuldade de relacionamento e comunicação com outras pessoas – a afetividade ambivalente – contradição de emoções e sentimentos em diferentes contextos e situações sociais, levando a inadequações de expressões afetivas, com reações de raiva, tristeza e alegria onde esta resposta não é esperada – a avolição – ausência de vontade, comportamento desmotiva e apático, sem interesse ou persistência em atividades diárias ou com aumento da ociosidade.

Os esquizofrênicos vivem a maior parte do tempo, em um mundo interior, preocupados com idéias ilógicas e imagens irreais. Muitos oscilam em caráter esquizofrênico e outros permanecem retraídos e isolados socialmente. A esquizofrenia não é uma doença curável os portadores desta doença têm surtos que vão e voltam.

Alguns indivíduos com esquizofrenia, desde a infância ou inicio da adolescência, possuem dificuldades escolares, problemas com atenção (memória ou aprendizado), dificuldade de iniciativa e persistência nas tarefas, limitações intelectual (pouca leitura e estímulos por deficiências cognitivas), alterações na capacidade de socialização e comunicação, comportamento impulsivo e dificuldade de perceber e lidar com suas limitações.

Enquanto outros têm bom desempenho pessoal, estudam, são independentes, inteligentes e tem maior autonomia. A primeira crise nestes indivíduos acontecerá de forma como um retrocesso e perdas de conquistas implicando nos campos afetivo, de relacionamento pessoal, familiar, laborativo, relacionados ao trabalho e estudos. Podendo, em alguns casos, voltar a vida anterior na estabilidade da doença; no entanto outros não conseguem voltar a trabalhar,  podendo ocupar-se com outras atividades sem sobrecarregar-se.

A esquizofrenia sofre influencias biológicas e genéticas (hereditariedade) e também ambientais (meio externo). As influencias biológicas e genéticas está relacionada aos genes (DNA), ou seja, a existência de outros membros da família com o transtorno e que a probabilidade de uma pessoa ter esquizofrenia está correlacionada com a proximidade do parentesco. O Modelo Estresse-diátese reúne a causa da esquizofrenia, onde é representado os fatores biológicos da doença como os genes de predisposição à esquizofrenia. As causas vindas do ambiente estão relacionadas a traumas físicos ou psíquicos, experiências psicológicas negativas, infecções durante a gestação ou na primeira infância, complicações da gravidez e do parto.

Possuir os genes não significa necessariamente que a pessoa adoecerá, os pais podem possuí-lo e não os manifestá-lo e o filho manifestar a doença posteriormente. Para que ela se desenvolva, é necessário que se instale o fator ambiental. Existe uma interação entre fatores ambientais e genéticos, desde a concepção a vida intrautero até o final do desenvolvimento cerebral na adolescência. De certa forma, os genes ficam “adormecidos” e só serão ativados se algum fator externo determinar. Após a ativação os genes provocam alterações no cérebro durante seu desenvolvimento, deixando o individuo com risco maior de adoecer na adolescência e na fase adulta.

O termo mais conhecido aplicado a estados mentais, onde uma pessoa perde conexões com a realidade do mundo exterior, é a psicose, ela está presente não só na esquizofrenia como também em outras doenças psiquiátricas. A psicose é uma síndrome com ocorrências de delírios e alucinações, os pacientes perdem a capacidade de reconhecimento da realidade acreditando muito mais em suas experiências internas do que na realidade externas. Sua característica fundamental PE o prejuízo da capacidade de julgamento ou ajuizamento da realidade, o que normalmente acontece em casos de desorganização psíquica grave, como a desorganização de pensamentos, de emoções e comportamentos.

Quando as alucinações e delírios vêm a tona leva-se o nome de surtos. No caso da esquizofrenia, os sintomas psicóticos vão surgindo gradativamente e surgem no momento da primeira crise, quando é tão abundante que o indivíduo não consegue mais esconder. Esta evolução é tão lenta que pode levar ano para ser revelado.

Pela variedade de sintomas e pela multiplicidade de fatores envolvidos na origem da esquizofrenia, ela pode ser considerada um grupo de várias doenças diferentes. Cogita-se em espectro esquizofrênico onde estariam inseridos a esquizofrenia e as demais psicoses e o transtorno de personalidade esquizotípico, uma espécie de personalidade pré-esquizofrenica que encontramos em alguns pacientes antes do primeiro surto. Apesar toda esta variabilidade, a maioria dos pesquisadores permanece firme quanto a ela ser uma doença única com diversas apresentações.

Kraepelin e Bleuler classificaram a esquizofrenia em principais subtipos da esquizofrenia: a paranóide, desorganizado (antes conhecida como hebefrenica), catatônico, indiferenciado e residual.

Esquizofrenia Paranóide: Sua característica principal são os delírios e as alucinações auditivas e visuais (um ou mais), principalmente os delírios de perseguição ou grandeza. O primeiro episodio da doença costuma aparecer entre os 20 e 30 anos, onde alguns indivíduos já estabeleceram uma vida social que o ajudará durante a doença. Eles são menos atingidos em suas faculdades mentais, respostas emocionais e comportamentais. Apresentam tensão, desconfiança, agressividade, são hostis e reservados. Normalmente comportam-se bem socialmente.

Esquizofrênico Desorganizado (hebefrenico): Possui desorganização psíquica, apresentam pouco delírios ou um delírio simples, caracteriza por uma regressão acentuada a um comportamento primitivo (infantil). O inicio costuma ser antes dos 25 anos. Tem grande dificuldade em expressar sentimentos e reações afetivas dificultando sua compreensão. Tem dificuldade em atividades que exijam habilidade e/ou agilidades por ter movimentos desengonçados, lentos ou bruscos.

Esquizofrenia Catatônico: Neste tipo de esquizofrenia destaca-se essencialmente uma perturbação psicomotora, a qual envolve estupor (estado mórbido), negativismo, rigidez, excitação ou posturas. Incluem estereotipias, maneirismo e flexibilidade, como características associadas. O individuo pode se tornar inteiramente introspectivo e a fala fica ausente.

Esquizofrenia Indiferenciado: São indivíduos esquizofrênicos que não se encaixam em um tipo ou outro.

Esquizofrenia residual: Tem como características a presença continua de perturbações esquizofrênicas com ausência de sintomas ativos ou suficientes para classificação. Possui dificuldade de expressar emoções, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico, leve diminuição de associações.

Apesar desta classificação de subtipos ser muito usada, alguns pesquisadores propôs uma divisão em tipos de sintomas, sendo eles positivos e negativos, proposta esta que ganhou maior aceitação.

Os Sintomas Positivos representam sintomas que o individuo possui mais do que o comum, ou seja, têm qualidade de adição, como os delírios e as alucinações, diminuição de associações, comportamento bizarros e fala aumentada.

Já os Sintomas Negativos são sintomas que o individuo possui a menos que o comum, como diminuição afetiva, pobreza de discurso e de conteúdo, bloqueio, desalinho pessoal, falta de motivação, anedonia, retraimento social, defeitos cognitivos e déficits de atenção. Indivíduos que possuem sintomas positivos têm estruturas cerebrais normais e respostas relativamente boas a tratamentos. Os que possuem sintomas negativos têm anormalidades nas estruturas cerebrais e fraca resposta ao tratamento. Estes sintomas se misturam em graus variados independente dos subtipos de esquizofrenia contribuindo para a diversidade clinica dessa doença. Enquanto os esquizofrênicos paranóides possuem mais sintomas positivos os desorganizados e catatônicos possuem mais sintomas negativos.

Além destes sintomas, a esquizofrenia possui outros que não podem deixar de serem mencionados, são eles, delírios e alucinações.

Os Delírios são crenças fantasiosas capazes de interferirem no comportamento, atitudes, relações e na forma de a pessoa avaliar e julgar a realidade. Os delírios como são produtos do pensamento, tem uma possibilidade infinita de temas, como por exemplo, Delírios de Perseguição: particular da esquizofrenia paranóide, é conhecido como paranóia ou mania de perseguição, causando atitude de medo e defesa – Delírios de Autorreferência: o individuo acredita estar em evidencia, sendo o centro das atenções, este geralmente acompanha os delírios de perseguição – Delírios Misticos ou Religiosos: esse refere-se a temas ligados a Bíblia e à religiões cristãs – Delírios de Grandeza: o paciente sente-se poderoso, melhor que outras pessoas, com dons especiais, como o de prever o futura, influenciar pessoas ou fatos externos, como clima, guerras, catástrofe, acredita ser alguém famoso ou com poder; portam-se com arrogância e prepotência, dificilmente acreditam que estão com problemas recusando a fazer tratamento – dentre outros.

As Alucinações são a falta de percepções de objetos inexistentes e que possuem as mesmas características das percepções reais, ou seja, tem-se a clara percepção de um objeto sem que de fato ele exista. Diferente das ilusões que podem ser corrigidas, as alucinações não podem ser alteradas pela vontade própria. As ilusões são comuns no dia-a-dia, no entanto as alucinações são sempre patológicas é resultado de um funcionamento anormal do cérebro, que cria percepções falsas ou julga erradamente percepções internas como externas. Em outros distúrbios psíquicos (depressão, transtorno bipolar, alcoolismo) e neurológicos (isquemia ou derrame cerebral, demência, tumores, esclerose múltiplas) também pode existir a presença das alucinações, porem em todas o individuo sofre perturbação mental intensa com alteração de seu comportamento. As alucinações podem ocorrer nos cinco sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) e também na percepção do funcionamento interno do corpo (batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, metabolismo, respiração, etc.).

O comportamento de pessoas com esquizofrênica é uma conseqüência dos sintomas, como os delírios e alucinações, a desorganização psíquica e do pensamento e os sintomas negativos e cognitivos; seria difícil qualificá-los como sendo como específicos da doença, já que, são sintomas universais e comuns a todos pacientes. Portanto, segue alguns comportamentos que são freqüentes na esquizofrenia: Agressividade e Impulsividade, os quais se limitam a crises psicóticas apesar de alguns indivíduos, mesmo em momentos críticos, não exibirem comportamento agressivo; os comportamentos impulsivos podem ser tanto heteroagressivos (dirigidos a outros) como autoagressivos (dirigidos a si mesmo). Asseio corporal e Cuidado com a aparência, relacionado ao descuido com a higiene e aparência física e falta de cuidado com a saúde. Inquietação e Agitação psicomotora, a inquietação começa por uma ansiedade desprovida de um estado de angustia que extrapola o limite psíquico se expandindo para esfera corporal causando inquietação motora, a qual pode vir acompanhada de impaciência e irritabilidade. Rígido e Repetitivo, alguns desenvolvem rituais, manias podendo também desenvolver sintomas obsessivo-compulsivo semelhantes ao TOC. Tentativa de suicídio, geralmente é provocada por uma somatória de fatores, relacionados à doença, à historia da pessoa e à família. Comportamento Hipersexualizado, possui dificuldade de conter impulsos sexuais e sexualidade imatura, sendo mais comum em esquizofrênicos desorganizados (hebefrênicos). Comportamento regredido e Infantil, possuem atitudes pueril e infantilizada, parecem ingênuos, riem a toa ou fazem “birra”. Uso e abuso de Álcool e outras Drogas, uso e abuso de substancias, como álcool, tabaco, drogas ilícitas.

TRATAMENTO

A esquizofrenia atinge indivíduos que possuem perfil psicológico individual, família e social único. No enfoque terapêutico o tratamento deve ser voltado para como ele será ajudado pelo tratamento. Os agentes farmacêuticos são utilizados para presumíveis desequilíbrios químicos e as estratégias não farmacológicas devem abordar questões não biológicas também. No entanto, os enfoques terapêuticos isolados raramente é suficiente para uma abordagem satisfatória. Por isso, as modalidades psicossociais devem ser integradas ao regime de tratamento medicamentoso e apoiá-lo. Segundo pesquisas, a maioria de paciente esquizofrênicos se beneficiam do uso combinado de tratamentos medicamentoso e psicossocial.

A hospitalização é adquirida com a finalidade diagnostica, estabilização de medicamentos, segurança do paciente em casos suicida ou homicida e comportamentos amplamente desorganizados, incluindo incapacidade de necessidades básicas.

Para os tratamentos somáticos são utilizados antipsicóticos, divididos em três classes principais, os antagonistas dos receptores dopamínicos, risperidona e clozapina. Outro tratamento somático utilizado é a terapia eletroconvulsiva, sendo indicada para pacientes catatônicos e para pacientes que por algum motivo não podem domar antipsicóticos.

Nos tratamentos psicossociais pode-se utilizar a terapia: com tratamento voltado para as necessidades e deficiências do paciente utilizando a técnica de reforço e treinamento de habilidade social para aumentar a capacidade de relacionamento social, auto suficiência, habilidade pratica e comunicação interpessoal. O reforço utilizado é através de elogios e recompensas. Terapia orientada para a família: quando o paciente recebe alta e volta para esta família, a mesma precisa estar preparada para recebê-lo, o foco da terapia deve estar sobre situações imediatas e deve incluir a identificação e evitamento de situações potencialmente problemáticas. Após a alta, também é importante focar no processo de recuperação, principalmente sua extensão e freqüência. Terapia de grupo: é focada em planos para a vida real, problemas e relacionamentos. É efetiva principalmente para a redução de isolamento social, aumento do senso de coesão e melhora o teste de realidade de pacientes com esquizofrenia. Psicoterapia individual: a utilização da terapia individual se torna útil e se soma aos do tratamento farmacológicos.

Conceito

Teoria Estrutural da Mente

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

O termo Estrutural, em psicanálise, define um conjunto de elementos que constituem uma relação organizada sendo interdependentes entre si. Sendo assim, uma estrutura é um sistema, de forma que uma mudança qualquer em um dos componentes provoca alteração nos demais. Diante disto, basicamente, a Teoria Estrutural (Id, Ego, Superego) – criada por Freud entre 1.920 e 1.923 – é um sistema, onde as pulsões do Id, as funções do Ego, os mandamentos do Superego e as realidades ambientais externas, agem entre si de forma continuada e indissociada, influenciando assim um ao outro.

ID

Antes de qualquer coisa, convém ressaltar que, pulsões, segundo Freud, “representa o conceito de algo que é limite entre o somático e o psíquico”, ou seja, uma fonte de excitação que estimula o organismo a partir de necessidades vitais interiores e o impele a executar a descarga desta excitação para um determinado alvo, constituindo quatro fatores inseparáveis: a fonte, a força, a finalidade.  O objeto e a natureza, esta “força energética”, só pode ser conhecida por meio de seus representantes psíquicos.

Houve, no início, uma primeira formulação de um conceito das pulsões essenciais, as pulsões do ego (autoconservação) e as pulsões sexuais (preservação da espécie). A primeira – pulsões do ego – representa um conjunto de necessidades e exigências ligadas às funções corporais, indispensáveis à conservação, desenvolvimento, crescimento e os auto-interesses do ego. A segunda – pulsões sexuais – situa-se no limite somatopsiquico, sendo que, a parte psíquica foi determinada como libido (“desejo”). Mais tarde, Freud descobriu que as pulsões que se referiam tanto ao ego como aos objetos externos não tinham natureza diferente e não cabia mais a distinção entre “pulsões do ego” e “pulsões sexuais”. A dualidade inicial que diferenciava as pulsões do “ego” e as “sexuais”, cedeu lugar a uma nova dualidade: pulsões de vida e pulsões de morte. Concluiu ainda que, o ego tinha uma energia própria e acima de tudo o ego é corporal.

A partir da nova dualidade, as pulsões de vida abrangiam as “pulsões sexuais” e as de “autopreservação”. A libido passou a ser conceituada como energia, e não mais como pulsão sexual, mas sim como pulsão de vida. As pulsões de morte tem como finalidade uma redução de toda a carga de tensão orgânica e psíquica, podendo permanecer dentro do indivíduo sob forma de angustias e, uma tendência à autodestruição, ou fora dele como pulsões destrutivas. Contudo pode-se dizer que, em indivíduos normais, e nos neuróticos, predomina a pulsão de vida, enquanto que nas psicoses, psicopatias, perversões, etc., predominam as pulsões de morte. Em resumo, a pulsão de vida visa juntar, ligar tudo aquilo que estiver separado no individuo e na espécie humana, enquanto a pulsão de morte, ao contrário, é a força de repulsão e rompimento, tende a destruir ligações.

O Id, como instancia psíquica, coincide com o inconsciente, é constituído pelas pulsões de vida e de morte, e, ao mesmo tempo, é um reservatório e uma fonte de energia psíquica. É regido pelo principio do prazer. Interage com as funções do ego e com a realidade exterior. Quase sempre entra em conflito com o superego e, raramente, estabelece alguma forma de aliança para seu próprio alívio.

EGO

Freud afirma que o ego desenvolve-se a partir do id, pela influencia do mundo externo e da necessidade de adaptação deste. Como a maior parte do mecanismo de defesa é inconsciente e o ego era considerado fonte e a sede dessas defesas, Freud notou que o ego não era sinônimo de consciente e nem se confundia com este, mas sim, que ele tinha raízes no inconsciente. O ego sendo a principal instância psíquica funciona como mediador, integrador e harmonizador entre as pulsões do id, as exigentes ameaças do superego e as demandas da realidade exterior.

Quanto à participação do Ego Consciente, cabe destacar algumas funções: a percepção, o pensamento, o conhecimento, o juízo crítico, a inteligência, a discriminação, a memória, a atenção, a capacidade para antecipação e postergação, a linguagem, a comunicação, a abstração, a síntese, a atividade motora.

No Ego Inconsciente são formadas as ansiedades ou angústias. Freud escreveu, entre outros, dois tipos de angústia: a angústia automática e a angústia-sinal. A primeira refere-se a um excesso de estímulos que o ego não consegue processar e, por isso, os reprime, onde surge, então, a ansiedade decorrente de um represamento de desejos, fantasias, sentimento, etc. (este tipo de ansiedade explica as “neuroses traumáticas” e as “neuroses atuais”). A “angústia-sinal”, por outro lado, acontece como sendo um “sinal” que o ego emite diante de uma ameaça, e só então irá processar a repressão.

É no ego inconsciente que surgem os Mecanismos de Defesa, que tem como finalidade a redução das tensões psíquicas internas, ou seja, das ansiedades. Estes mecanismos de defesa processam-se pelo ego e praticamente são inconscientes. Para Freud a defesa é a operação pela qual o ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo o aparelho psíquico. O ego mobiliza estes mecanismos que dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior. Entre os mecanismos de defesas destacam se: o recalque, a forma reativa, a regressão, a projeção, a racionalização, entre outros.

É bom destacar que os conceitos de “ego” e “self”, são distintas, com a intenção de se ter cuidado com isto, pois, o “ego”, como uma instância psíquica, é visto como apenas uma subestrutura da personalidade; enquanto o “self” é conceituado como a “imagem de si mesmo” e composto de estruturas, entre as quais estão não só o ego mais também o id, o superego e a imagem do corpo, ou seja, a personalidade total. Deve ser considerado que as funções do ego variam de acordo com as respectivas etapas evolutivas do desenvolvimento mental e emocional da criança.

SUPEREGO

O Superego é descrito como uma instância psíquica que se separou do ego, ou seja, encarregou-se das funções de um juiz representante da moral, legislador de leis e proibidor das transgressões dessas leis, e passou a condição de poder dominar ao próprio ego que lhe deu origem. Essa instância psíquica é entendida pelo significado da frase “o superego é o herdeiro do coplexo de Édipo”, o que significa que ele está constituído pelo precipitado de introjeções e identificações que a criança faz com aspetos parciais dos pais, com suas proibições, exigências, ameaças, mandamentos, padrões de conduta e o tipo de relacionamento desses pais entre si. Quando a criança supera, com mais ou menos êxito, a sua conflitiva edípica, ele encontra um solução para as angústias acompanhantes desse conflito, pela interiorização dos seus pais dentro de si, a criança se identifica com eles e internaliza as interdições deles. No menino, o complexo de edípico defronta-se com a ameaça de castração; enquanto na menina a angustia de castração diante da mãe que a empurra para o pai, assim forjando o complexo de Édipo e o consequente superego. Além do superego constitui-se como herdeiro do complexo de Édipo, ele contribui para a dissolução desse mesmo complexo através de interdições e ameaças. Ainda foi considerado por Freud que, o superego constitui uma estrutura que engloba três funções: “auto-observação”, “consciência moral” (formação de culpa) e a de “ideal” (“sentimento de inferioridade” quando o ideal não é atingido).

Se a formação do superego é devido a renuncia de desejos edipianos amorosos e hostis, ele também é reforçado por mais dois importantes fatores: A severidade do superego é voltada contra a própria criança, obrigando o psiquismo a se proteger com uma instancia fiscalizadora. E as posteriores influências e exigências sociais, morais, educacionais e culturais.

É imprescindível acrescentar que, “o superego da criança não se forma à imagem dos pais, mas sim à imagem do próprio superego desses pais, de modo que essa criança torna-se o representante da tradição, de todos os juízos de valor que subsistem, assim, através de gerações”, ou seja, o superego dos pais do paciente está identificado com o de seus próprios pais, isto inclui, na formação do superego os valores morais, os éticos, os ideais, os preconceitos e as crenças ditadas pela cultura na qual o sujeito esta inserido.

Contudo o superego também se caracteriza por ser quase totalmente de origem inconsciente, é coposto e ditado pelos objetos internos. É o grande gerador de culpas, com as consequentes angustias e medos, e a sua pressão excessiva no psiquismo é a maior responsável pelos quadros melancólicos e obsessivos graves.

Foi usado por Freud como sinônimos do superego o ego ideal e ideal do ego. No entanto a psicanálise atual mostra uma sutil diferença entre os conceitos específicos que cada um desses termos comporta, onde todos continuam sendo apêndice do superego clássico.

O “Ego Ideal” é constituído como o “herdeiro do narcisismo primário”, ele funciona no plano imaginário, alicerçado na fantasia onipotente, ilusória, própria da indiscriminação com o “outro”, em que “ter” é igual a “ser”, e vice-versa. O sujeito portador do ego ideal predominante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo, além de nutrir ideais virtualmente nunca alcançáveis. O ego ideal costuma estar distante do ego real, mas o sujeito utiliza fortes recursos defensivos de “negação”; como por exemplo, o da renegação, o mais próprio dos estados narcísicos parciais (como nas perversões), ou o da forclusão, presentes nos estados narcísicos totais (psicoses). O sentimento predominante é o de humilhação perante as frustrações das expectativas do ego ideal.

No “Ideal do Ego”, o herdeiro deste ego é projetado nos pais, somando as aspirações e expectativas próprias deles (pais). No sujeito o ideal do ego é conjugado num tempo futuro e condicional:     “Eu deverei ser assim, senão…”. Este pode ser um importante fator estruturante do psiquismo, tanto nos primeiros movimentos identificatórios, como também quando ele está a serviço de um projeto de “um vir a ser”, e também, o sujeito constrói um “falso self” para corresponder a expectativas dos outros, ou a quadros fóbicos e narcisistas, quando a sua permanência é em grau exagerado. O sentimento predominante diante dos eventuais fracassos é o de vergonha.

 

Transtornos

Neuroses e Psicoses

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

NEUROSES

A neuroseé um sofrimento psíquico provocado pela coexistência de sentimentos contrários ao amor, ódio, medo e desejos incestuosos para com quem ama e de quem se depende”, com esta definição entende-se que o Édipo é uma neurose ou, pode se dizer que é a primeira neurose saudável na vida de um individuo e sendo a segunda, a crise da adolescência. Assim nossos conflitos com quem mais amamos não passam de reflexos naturais de nossa neurose infantil conhecida como complexo de Édipo. O retorno do Édipo na idade adulta vem em forma de duas neuroses, a neurose ordinária e a neurose mórbida.

A neurose ordinária são todos os conflitos e desentendimentos que se tem com as pessoas que se ama intimamente pelo desejo ardor que sempre existe. Esta neurose é resultado de uma dessexualização insuficiente pelos pais edipianos, os prazeres e angústias de fantasias infantis mal recalcados preservam toda sua violência e geram a neurose cotidiana presente em todos os seres humanos.

Quanto à neurose mórbida e patológica, aparecem como sintomas recorrentes que inclui o ser humano em uma solidão narcísica e doentia. Seja ele fóbico, obsessivo ou histérico, foi provocado por algo mais grave que um recalcamento insuficiente das fantasias edipianas, trata-se de traumas singulares resultante em pleno período do Édipo.

O abandono, real ou imaginário, também provoca uma imensa aflição na criança, a fantasia do abandono resulta na fobia do adulto. O trauma de maus-tratos, reais ou imaginários, que resulta em humilhação à criança levará a uma obsessão. O terceiro trauma é causado por uma experiência de um intenso e sufocante prazer durante um contato excessivo sensual por quem a criança depende (fantasia de sedução), resultando na histeria. Nos três casos estará sempre a presença de angústia de castração sob uma forma doentia tornando-se um terror de castração. A angústia de castração traumatizante, vivida durante a infância, gera uma neurose patológica na idade adulta.

A neurose masculina uma fobia, na idade adulta, é resultante da fantasia de angústia de abandono pelo pai repressor; enquanto a histeria é resultante da fantasia de angústia de ser assediado pelo pai sedutor; e por fim, a obsessão é resultante da fantasia de angústia de ser maltratado e humilhado pelo pai rival.

Na mulher a paixão infantil mais perturbadora é a inveja ciumenta do falo. Na histeria, a menina, agora mulher, ainda acha que não é digna de interesse nem de amor e se torna amarga e triste. Surge nela uma repulsa pela sexualidade, duplicada por uma grande solidão. No complexo de masculinidade, a mulher substitui a ideia de ser castrada e acredita ser munida do Falo. Julga-se onipotente, exibe o Falo em uma atitude de desafio e passa a ter traços masculinos a ponto de ser tornar mais viril que o homem. Uma das variantes desse complexo é a forma assumida de homossexualidade manifesta.

A angústia é uma das variantes edipiana propriamente feminina. Essa angústia feminina é gerada pelo medo na mulher de ser abandonada pelo homem amado, de ser privada do amor de seu companheiro. Agora mulher, ela desconfia dos homens e teme perder o amor, a alegria de amar, ser amada e sentir-se protegida. Se para o homem o Falo é a força, para a mulher é a felicidade de ser amorosa e ser amada por aquele a quem ama, ou seja, para ela o Falo é o amor.

PSICOSE

“Mas creio que estamos lidando com um tipo de doença psíquica que ocorre muito freqüentemente. Pois não há asilo de insanos que não tenha o que devemos considerar como exemplos análogos – a mãe que caiu doente devido à perda do seu filho, e agora embala incessantemente um pedaço de madeira, ou a noiva abandonada que, em seu vestido de noiva, há anos espera por seu noivo” Freud (1894)

No âmbito das Psicoses implica um processo deteriorativo das funções do ego havendo graus variáveis de contato com a realidade, incluindo algumas esquizofrenias crônicas. Além destas, existem os estados psíquicos, qual seria alguma preservação de áreas do ego levando o individuo a adaptar-se ao mundo exterior, como, por exemplo, casos de borderline, personalidades excessivamente paranóides ou narcisistas, algumas formas de perversão, psicopatias e neuroses graves. Incluindo também, quadros clínicos que possibilitam uma recuperação, sem seqüelas, após surtos fracamente psicóticos.

Nas psicoses encontramos também os casos de paciente que, são adaptados, mas possuem condições psíquicas que são caracterizados psicóticos, podendo ser de natureza obsessiva ou somatizante, não designando um diagnostico psicótico, mas apenas uma condição da mente.

Segundo Freud, pessoas normais reprimem o material inconsciente, o neurótico converte-o em sintomas, enquanto o esquizofrênico permite que ele irrompa sob a forma de material de processo primário. Com isso ele afirmava que o sonho é a psicose noturna de toda gente.

Em 1924, Freud escreveu dois artigos sobre a psicologia do ego das psicoses e neuroses. Ele dizia que a neurose era um conflito entre o ego e o id, enquanto a psicose, um conflito entre o ego e a realidade, a depressão como um conflito entre o ego e o superego. Porem no segundo artigo ele mostrou que a perda da realidade na psicose era relativa e não absoluta.

A deterioração das funções do ego inclui outros estados psíquicos, como casos de borderline, personalidades paranóides, narcisistas, formas de perversão, psicopatias e neuroses graves.

Contudo a fraqueza do ego se tornou uma posição central para compreender a esquizofrenia. Então Freud observou que o ego normal varia entre normal e psicótico, sendo possível uma investigação sistemática das diversas funções do ego, onde uma área autônoma ou livre de conflitos do ego se desenvolve independente do id.

O ego do esquizofrênico regride ao um ego infantil tornando naturalmente este ego fraco, o que é diferente de um ego infantil que é fraco porque o individuo é infantil. O esquizofrênico sofre de pânico e quando o pânico continua, ele chega ao estado de catatonia, onde ocorrem três mudanças: a recuperação, quando há uma integração de partes diferentes da personalidade; uma maciça transferência de responsabilidade, quando é levado a um estado de paranóide crônico, e/ou uma deterioração do sistema reprimido e uma regressão ao comportamento da primeira infância, o que se denomina de deterioração hebefrenica.

Freud afirmou que quanto mais profunda seja a patologia maior será a regressão. Tanto as ilusões persecutórias quanto a esquizofrenia são ligadas a fase oral, além disto, o vício, o alcoolismo, distúrbios psicossomáticos, e muitas outras condições severas que estão inclusas como distúrbios de caráter estão ligadas a regressão oral.

Depois do surgimento da teoria da pulsão de morte houve um deslocamento da sexualidade para a hostilidade, ou seja, quanto maior a patologia maior seria a hostilidade (fúria, raiva, ódio), onde os episódios esquizofrênicos passaram a serem vistos como uma projeção de impulsos destrutivos do próprio paciente e em todo aspecto de patologia a fúria seria a primordial, tornando a hostilidade e a reação a frustração menos importante.

Outro fato seria que as principais fontes de patologia no esquizofrênico seria o fracasso em neutralizar agressões aumentando excessivamente a libido, ou a hostilidade, ou ambas causando consequentes danos a personalidade.

No entanto, fica claro que todo doente psicótico tem, em sua natureza, uma parte neurótica e todo neurótico possui uma parte psicótica oculta. Quando esta parte psicótica não é tratada pode causar resultados artificiais. Portanto o analista precisa conhecer bem os núcleos psicóticos que estão presentes em todas as pessoas e os seus variáveis e então contribuir para evolução.

Tentantes|Gestantes|Maes

A Ansiedade de Engravidar

Por Débora Maciel – Psicanalista | Psicopedagoga

“Mente acelerada é mente desequilibrada” – Isaac Efraim

A ansiedade pode ser definida como aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, relação com contexto de perigo, entre outras. Em alguns casos ela pode ser estimulante, porém, se for em excesso, pode atrapalhar, e muito.

Decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central perante a interpretação de ameaça ou perigo, a ansiedade não possui fatores reais e palpáveis; são sintomas de características psíquicas que apresenta ligação entre o físico e o psíquico.

Os sintomas mais conhecidos durante a ação de ansiedade são taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, aumento da mobilidade intestinal (interferindo inclusive no aumento das secreções urinárias e fecais), cefaleia, entre outras. E, ainda, quando ela é recorrente e intensa, pode levar o nome de “Crise do Pânico”.

O nosso corpo detecta situações de ameaça e perigo através de um desequilíbrio emocional ou situações inesperadas e desconhecidas, os quais são suficientes para desencadear estados ansiosos.

Uma das principais características psíquicas do estado ansioso é uma aceleração do pensamento, uma espécie de autodefesa da mente, como se estivesse planejando livrar-se do perigo o mais rápido possível. Esta situação promove uma confusão, já que a mente é incapaz de fazer isto, gerando uma sensação na qual o estado ansioso é potencializado.

Esse movimento, em que a mente acelera para obter o controle e chegar a um estado de conforto e repouso, faz com que ela se excite mais; caso não tenha uma solução mental imediata e se torne repetitiva, teremos, então, a chamada ansiedade patológica, a qual piora com o passar dos anos.

A ansiedade pode ter uma origem genética, a pessoa possui uma pré-disposição a este sintoma; outra origem, pode ser de uma infância carente e problemática, os pais tiveram dificuldades de suprir as carências afetivas da criança ou, ainda, a dificuldade de aceitar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas.

Um dos grandes escapes da ansiedade é o ato sexual, talvez o maior deles. Durante a relação sexual, acontece uma grande liberação de energia, onde a ansiedade é descarregada.  A postura sexual pode ser alterada em caso de ansiedade elevada, podendo alguns ficarem agressivos, outros tensos, as mulheres podem ficar frígidas e os homens podem ter ejaculação precoce.

Porém, a ansiedade pode causar mais incômodos e gerar mais prejuízos do que os já mencionados. Quando há intensão de engravidar, tanto homens quanto mulheres podem sentir e passar por momentos nunca esperados; o casal tentante pode até perder a naturalidade do relacionamento, engravidar pode não ser uma tarefa tão fácil e a ansiedade pode ser uma vilã neste momento, adiando por tempo indeterminado o momento da gravidez, ocasionando, então, várias complicações na ovulação, fecundação e implantação.

Na mulher a ansiedade pode gerar um desequilíbrio hormonal, fazendo com que seus ciclos, que até então eram regulares, se tornarem irregulares, resultando também na inibição da ovulação. Ela aumenta a adrenalina e dificulta a fecundação por deixar o corpo tenso, o que atrapalha a locomoção dos espermatozoides.

Além disso, a ansiedade estimula a produção de oxitocina (hormônio responsável pela expulsão do bebê na hora do parto), a qual provoca uma contração uterina levando o óvulo fecundado a ter dificuldade em se fixar à parede do útero, fazendo com que seja expelido constantemente; também, altera o pH vaginal aumentando a acidez, o que pode eliminar (matar) os espermatozoides. Algumas mulheres chegam a apresentar sintomas da gestação, como enjoos, cansaço, dores no seio e até atraso menstrual, porém, depois de um período elas menstruam. Outro fator complicador da ansiedade é o aumento do estresse, que leva a diminuição da libido reduzindo a frequência de relações sexuais.

No homem a ansiedade também gera efeitos e sintomas que podem dificultar na hora de engravidar. Ela causa desequilíbrio hormonal, fazendo com que o homem tenha dificuldades de concentração, altera a morfologia e a habilidade de locomoção dos espermatozoides. Também gera estresses que pode causar problemas na ejaculação, a redução da quantidade de esperma e de volume do sêmen, disfunção erétil e a diminuição da libido.

Entretanto, existem algumas dicas que ajudam a evitar a ansiedade: não conte para muitas pessoas a intenção de engravidarem, pois elas ficarão perguntando e isso pode aumentar a tensão e a cobrança pessoal; evite pensar que “não dará certo”, pensamentos negativos aumenta a insatisfação e gera mais insegurança; ocupe sua mente, leia um bom livro, faça exercícios físicos, viaje, etc., essas atitudes ajudam a aliviar a tensão e o estresse.

Além disso, tire um tempo para você, cuide-se, seja prioridade diante de tudo isso; pense em seu relacionamento, na hora da relação sexual esteja presente, evite marcar dias férteis, isso atrapalha tanto as relações quanto o seu relacionamento; converse com seu parceiro, saiba como ele se sente e exponha os seus sentimentos, essa ligação fortalece o casal e ajuda ambos a entenderem como se sentem; procure falar com seu médico regularmente; alimente-se de forma saudável, evite açúcar, cafeína, fritura e ácidos, isso já a preparará para ter uma gestação mais saudável e um pós-parto agradável.

A psicoterapia também é um recurso importante, individual, em grupo ou com seu companheiro, o profissional da área irá conduzi-los à identificar, entender e superar dificuldades ou acontecimentos psicossomáticos, que podem ter surgido durante a decisão de tentar engravidar; essa atitude também irá prepara-los para a gestação e o puerpério, levando-os a um nível mais elevado de compreensão e aceitação de diversos acontecimentos. Um tratamento eficaz e o acompanhamento por um período mais longo são indispensáveis para obter ótimos resultados e reduzir os danos.

Transtornos

Transtorno Borderline

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

As psicoses “implicam um processo deteriorativo das funções do ego, a tal ponto que haja, em graus variáveis, algum sério prejuízo do contato com a realidade” (David E. Zimerman, 1999, p.227).

Nos casos de transtorno borderline, são pessoas que se adaptam ao mundo exterior, porém mantém as áreas do ego preservadas. Estas pessoas, apesar de adaptados com o mundo externo, podem apresentar, em alguns momentos, episódios de regressão ao nível de psicose clínica.

As pessoas com transtorno borderline vivem no limite de suas emoções e nas fronteiras de outros transtornos mentais. Possuem sintomas de pessoas com Transtornos de Ansiedade, Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Personalidade Antissocial ou Psicopático, TDAH, Bipolaridade, Ciclotimia e Depressão. Por isso torna-se mais difícil traçar um diagnóstico para elas, levando às vezes anos ou talvez nunca sejam diagnosticados com transtorno borderline.

As “pessoas borderlines”, como os TDAH, possuem tendência a dispersão, dificuldade de concentração e de executar tarefas cotidianas, são ansiosos, angustiados, hiperativos e desatenção ou instabilidade atentiva. Uma diferença é que nas pessoas com TDAH estes sentimentos estão relacionados à hiperatividade mental, enquanto no transtorno borderline, eles estão ligados à hiperatividade emocional e afetiva.

Eles também são capazes de atitudes agressivas, desrespeitam e destroem, sendo confundidos com personalidades psicopáticas ou psicopatas. Os atos deles se tornam tão desesperados que causam sofrimentos e perdas materiais para suas vitimas. Vivem em limite de desespero afetivo acreditando que poderão ser abandonados e, ou rejeitados a qualquer momento por estas pessoas.

Em se tratando de psicopatas, pode-se dizer que “os psicopatas planejam e executam maldades e perversidades com intuitos claros de poder, status ou diversão (prazer)”. Enquanto “os borderlines” só comete “atrocidades” por desespero afetivo e medo de rejeição (sentimentos que não existem nos psicopatas). (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010)

Enquanto as pessoas com transtorno de ansiedade têm sentimentos independentes dos acontecimentos em seu dia-a-dia, os borderlines são o tempo todo ansiosos e angustiados.

As pessoas que possuem um estresse pós-traumático passaram por um acontecimento de traumas. “Os borderlines” não se dão bem com situações adversas e quando passam por situações traumáticas eles reagem com uma sensação de estresse muito mais intensa e abrangente que o esperado em pessoas traumáticas.

“Os borderlines” possuem várias disfunções, como emocionais, cognitivas, comportamentais e pessoais. As disfunções emocionais possuem características de hiperatividade emocional, emoções dúbias e conflitantes, instabilidade afetiva, humor e equilíbrio emocional em constante oscilação, ira intensa e inapropriada, agitação física, sentimento de vazio ou tédio.

Nas disfunções cognitivas “os borderlines” possuem pensamentos paranoides e desorganizados. Seus pensamentos se mostram desconexos da realidade com aparência de pessoas em situação de “choque” ou “fora do ar”. Podendo incluir a incapacidade de manter pensamentos estáveis; dificuldades de aprender com as experiências passadas; autoimagem instável e com características extremas; sentimentos crônicos de vazio; pensamentos antecipados de abandono; temor excessivo de sofrer rejeição; seus objetivos e valores acompanham suas instabilidades emocionais e afetivas; não suportam ficar sozinhos; dificuldade de concentração; seus pensamentos tendem a seguir um padrão rígido; inflexível e impulsivo; pensamentos envoltos em autorreprovações e autocríticas; baixa tolerância a frustração; ideias paranoides transitórias, despersonalização, perda do senso de realidade ou sintomas dissociativos; aborrecimentos frequentes.

Nas disfunções comportamentais relacionadas a ações de “pessoas borderlindes”, possuem necessidade de controle externo; padrões de aparência oscilante; níveis de energia física incomuns, que se manifestam em explosões inesperadas de impulsividade; brigas e conflitos frequentes; comportamento recorrente de automutilação ou tentativa de suicídio; relações interpessoais intensas e caóticas; dependência excessiva dos outros; boa adaptação social; tendência a fazer passeios solitários para tentar refletir sem influencia ao redor; comportamentos frequentes para proteger-se de possíveis separações afetivas; chantagens emocionais constantes e atos de irresponsabilidade e comportamento paradoxal em suas relações interpessoais.

Por fim, as disfunções pessoais está relacionado a percepção que “os borderlines” possuem de si mesmos. Por sentirem que possuem várias personalidades eles têm crises de identidade e dificuldades para entender seus sentimentos e vontades, com isso são facilmente influenciados por comportamentos e opiniões de outras pessoas. Nesta disfunção “o borderline” possui características como sensação de vazio e de solidão; frequente comparação a outros, com uma visão autodepreciativa; dificuldade em expressar suas necessidades e sentimentos; facilidade em serem influenciados e manipulados, assim com tendência a manipular as pessoas ao seu redor para ter controle externo das situações e estilo de se vestir variável e instável e instável, tal como seus afetos.

Para um diagnóstico preciso de borderline, o profissional precisa reter bastante experiência, pois, além das citações acima, estes pacientes escondem coisas de si mesmo.

 

“…O que será que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia…”

O que será (À flor da pele) –

Chico Buarque de Hollanda (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010).

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