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A mente da mulher “tentante”

a mente da mulher tentante

É no momento em que se escolhe tentar engravidar que as coisas começam a mudar. Antes mesmo de se chegar ao ciclo gravídico-puerperal (da gravidez até seis meses pós-parto), acontecem mudanças psíquicas e sociais na mulher, e essas alterações são ainda mais acentuadas quando se está tentando a primeira vez.

Surgem então alguns conflitos, um deles é quanto à decisão tomada, outro é no status de filha que se tornou esposa (mulher) e agora que será de mãe, outro ainda é o momento em que realmente estará grávida (ocorrerá a fecundação).

Tomada a decisão, a mulher começa a se atentar para dias de ovulação, de menstruação e assim por diante. Ela resolve consultar um médico para saber se está tudo bem, e talvez até realize um checape; tira algumas duvidas com o doutor, e então começa o processo de conhecer como tudo será a partir de agora.

A maioria dos médicos orienta que se tente engravidar, no mínimo, dois anos antes de qualquer exame mais detalhado; no entanto, depois de certo tempo estes dois anos parecem uma eternidade e, em muitos casos, se tornam anos torturantes em busca de um ideal que parece nunca chegar.

A cada mês ela espera que a menstruação não ocorra e que o teste de gravidez de positivo, o tão sonhado e esperado positivo. As tentantes sabem exatamente seus dias de ovulação, e neste momento já pensa que “terá” que manter relação sexual com seu parceiro; algumas vezes a relação sexual já não é mais um ato de prazer e sim uma “obrigação”.

Em seguida já vem em sua mente o dia em que novamente deverá esperar sua menstruação, e não para por aí, ela já começa a cogitar que a menstruação pode não vir “e daí estarei gravida”, continua pensando, e se menstruar “não estarei gravida de novo”.

Quando chega o dia em que exatamente deve menstruar e nada acontece, desencadeia mais conflitos, “e agora, faço o teste de gravidez ou espero mais um pouco?” “E se der negativo… e se der positivo???” e sua mente continua a mil. Cada vez que vai ao banheiro tem um friozinho na barriga, cada vez que levanta de manhã surge o mesmo sentimento, e se tiver cólica já imagina que sua chance de engravida esse mês se foi, e assim ela passa alguns dias.

Mesmo se ainda não quiser fazer o teste de gravidez, e resolver contar pra alguém que confia, pra dividir a “carga”, logo é motivada de que pode estar mesmo grávida. Mais um pouco podem surgir alguns sintomas de gravidez, como sensibilidade nas mamas, enjoo, e tudo parece dizer que desta vez deu certo. Mais uma vez ela se encontra em conflito e pensa “será que deu certo, estamos grávidos desta vez?”

Então ela resolve fazer o teste, se der positivo ela entra em uma nova fase onde sentirá uma mistura de sentimentos. Porém, e se der negativo? Quando um teste de gravidez dá negativo para uma mulher que deseja muito engravidar, um dos sentimentos, que esta mulher forte e resolvida encontra, é de impotência perante o próprio corpo, perante a vida; ela se sente sem controle sobre si mesma. É uma situação que ela almeja um “simples” objetivo/ideal que não consegue alcançar, um “presente” que não sabe quando vai chegar. Essa situação pode deixá-la destruída, sem motivação ou até pior, mas por mais que estes sentimentos sejam reais e fortes, isso tudo, não é bom para seu corpo e muito menos pra sua própria mente.

Ela pensa mais uma vez “o que fazer com tudo isto então?”– e eu te respondo: PREVINIR É IMPORTANTE.

Sim, prevenir esses sentimentos ou pelo menos amenizá-los para que se diminuam os estragos que sentimentos assim podem causar em você, em sua família e posteriormente em seu futuro bebê.

Muitos médicos e algumas mulheres não se preocupam como estão psíquica e mentalmente. Infelizmente a saúde mental não é avaliada, o que é um risco para a sua saúde e de seu tão esperado bebê.

Em nosso país é raro mulheres que fazem acompanhamento psíquico/mental na fase de tentante e pré-natal, então, só procuram um profissional da área psíquica quando se encontram em profundo momento de crise. Assim as condições mentais e psíquicas são deixadas de lado, levando em conta apenas as condições biológicas.

A maternidade é um período potencial para se desenvolver diversas crises. Na fase da gravidez e no pós-parto, que há mais ocorrências de internações e desencadeamento de problemas psíquico/mental em mulheres.

Por isso, a importância de prevenir desde o momento que se resolve tentar engravidar é vital. Fazendo acompanhamento com profissional especializado a mulher conhecerá mais sobre seu corpo e mente, e consequentemente conhecerá mais sobre o desenvolvimento do seu bebê. Além disso, saberá lidar com diversas situações e, enfim, evitará uma possível depressão futura.

No pós-parto evitará aquele tão conhecido “sentimento de vazio” após dar a luz, e saberá como acolher melhor seu filho e como o receber na maternidade “sem choques”, entre outras situações que, com um acompanhamento profissional, terá mais tranquilidade na hora de tomar decisões.

Com um acompanhamento psíquico/mental feito com antecedência também é possível obter ou chegar próximo ao ideal da “maternidade ser uma fase linda, maravilhosa e de realização” na vida da mulher. Trazendo para este novo integrante momentos aconchegantes e tranquilos e gerando nele sentimentos de acolhimento e amor. Uma mãe segura e certa das decisões tomadas traz a toda família paz e certeza de que tudo sairá bem.

por Débora Maciel – Psicanalista|Psicopedagoga

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