Transtornos

TOC e Transtorno de Ansiedade

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Quando se fala em Transtorno Obsessivo Compulsivo trata-se de uma personalidade obsessiva, a qual se refere ao modo e ao grau como se organiza os mecanismos defensivos do Ego perante fortes ansiedades. A posição obsessiva está relacionada com o pensamento enquanto a compulsiva é relacionada com as funções motoras.

Pode se discriminar o TOC em três estágios:

Os traços obsessivos se referem a pessoas normais ou a pessoas com traços que acompanham uma neurose mista, uma psicose, perversão, etc.

O caráter marcadamente obsessivo implica em traços permanentes de meticulosidade, controle, duvida, intolerância, etc. Estes sintomas não alteram a harmonia do individuo e não o faz sofrer exageradamente.

A neurose obsessivo-compulsiva trata-se de indivíduos que possuem um alto grau de sofrimento para consigo e para com seus próximos, obtém também prejuízo na vida familiar e na social. Os sintomas obsessivos e compulsivos são dúvidas ruminantes, pensamentos compulsivos, controle onipotente, frugalidade, obstinação, rituais e cerimoniais sem fim, atos que compulsiva e repetidamente são feitos e desfeitos. Pode atingir um alto grau de incapacitação total, transformando-se em uma gravíssima neurose, beirando uma possível psicose.

O paciente com o transtorno de personalidade voltado para os traços obsessivos e caráter marcantemente obsessivo precisam de acompanhamento continuo de psicoterapias de apoio, podendo haver melhoras com o passar do tempo em seu relacionamento consigo mesmo e com as outras pessoas, sem obter muitos prejuízos e chegando próximo da “normalidade”, já que com estes quadros é possível conviver em sociedade sem prejudicar sua vida familiar e/ou social.

As pessoas com o transtorno obsessivo-compulsivo precisam de tratamento farmacológico, acompanhamento frequente a psiquiatras e acompanhamento de psicoterapia de apoio durante a vida toda, com isso, pode melhorar o relacionamento com a sociedade, familiar e abrandar os sintomas, porém o transtorno obsessivo-compulsivo não tem cura, o individuo precisa manter o tratamento sempre para obter melhora.

Transtorno de Ansiedade

Para Freud a ansiedade era gerada por uma força existente dentro da pessoa que ameaça sua relação com o mundo externo. Realçou que as forças interiores provem de um vigor dos instintos e da severidade do Superego, afirmou ainda que o vigor dos instintos ameaça subverter o Ego e força-lo a cometer atos inaceitáveis para o mundo externo, dessa forma o Ego se sente ameaçado de diversas maneira em diferentes fases do desenvolvimento.

Ele percebeu que qualquer ameaça a uma relação satisfatória entre uma pessoa e as outras podem produzir ansiedade e que qualquer ameaça a suas potencialidades também provoca ansiedade. Além disso, qualquer ameaça às ilusões da pessoa é causadora de ansiedade. Com isso, concluiu que a ansiedade é sempre caracterizada por um sentimento de abandono, impotência, uma força que separa. Tudo isso por causa do perigo que está dentro, a sua natureza é desconhecida, já que a ameaça inicial foi enfrentada através de recalque ou projeção, uma nova ansiedade nasce, possivelmente de um conflito defensivo o qual não pode ser resolvido por um meio simples.

A neurose de ansiedade ou transtorno de ansiedade é gerada por um transtorno clínico, o qual se manifesta por uma ansiedade livre gerada de uma forma permanente ou por momentos de crise. Ou seja, a ansiedade é expressa por uma força somática – opressão pré-cordial, taquicardia, dispneia, sensação de “bola no peito”, etc. – ou como uma indefinida ansiedade de medo de morrer, enlouquecer, ou medo de uma tragédia. As pessoa que possui transtorno de ansiedade pode ainda sentir palpitações, dor no peito, tontura, falta de ar, vertigens, sudorese excessiva, sensação de desmaio, náuseas, entre outros.

O termo ansiedade é uma descompensação da harmonia psíquica interna, porém, nem sempre ela é visível, alguns meios defensivos constitui a negação da referida ansiedade. A pessoa pode ter uma ansiedade latente sem que ela seja manifesta. Muitas vezes os sintomas mostram uma falha dos mecanismos de repressão com excessivos estímulos externos e/ou internos. E quando há grande recorrência de episódios de crises de ansiedade é possível que se trate de um transtorno de pânico.

O ataque de pânico pode ser basicamente uma sucessão do transtorno de ansiedade. O individuo tem ataques recorrentes de ansiedade em qualquer circunstancia, com sensação de morte, medo de enlouquecer e de que aconteça alguma tragédia. Os sintomas são bem parecidos com os de ansiedade, porém a diferença é que eles são recorrentes e bem mais intensos. Os ataques são imprevisíveis e o paciente começa a ter medo de quando eles irão ocorrer novamente levando até a se afastar de pessoas e a evitar lugares, com a possibilidade de novas ocorrências de crises e o levando a desenvolver outras fobias.

Tratamento

O transtorno de ansiedade pode ser tratado com medicamentos e o apoio de uma psicoterapia breve. Por um determinado tempo o paciente fica em tratamento podendo haver uma reversão do caso e obter cura tendo uma vida “normal” como antes, em alguns casos o transtorno pode voltar a ocorrer por outro motivo, sendo possível reaver o tratamento novamente.

A indicação de tratamento para ataque de pânico é a utilização de abordagem farmacológica com acompanhamento de uma psicoterapia breve, com isso os sintomas podem diminuir e as crises até desaparecerem levando o paciente à cura. Porém com o tempo o paciente pode desenvolver novamente os ataques, mas desta vez pode estar relacionado com situações diferentes da anterior.

Algumas neuroses são possíveis tratar apenas com análise, outras com a psicoterapia breve e outras ainda com a psicoterapia de apoio. Mas em alguns casos se torna necessária a utilização de farmacológicos.

Quando se trata de utilizar a psicanálise ou a psicoterapia breve, nem sempre existe a necessidade da utilização de medicamentos, porém todas as vezes que for tratamento com psicoterapia de apoio existe a necessidade também do tratamento com farmacológicos.

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Indicação de vídeo em nossa página “Vídeos”: O que é TOC? Como se dá seu diagnóstico | Christian Dunker

Indicação de filme em nossa página “Filmes”: Melhor é impossível

 

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