Transtornos

Transtorno Borderline

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

As psicoses “implicam um processo deteriorativo das funções do ego, a tal ponto que haja, em graus variáveis, algum sério prejuízo do contato com a realidade” (David E. Zimerman, 1999, p.227).

Nos casos de transtorno borderline, são pessoas que se adaptam ao mundo exterior, porém mantém as áreas do ego preservadas. Estas pessoas, apesar de adaptados com o mundo externo, podem apresentar, em alguns momentos, episódios de regressão ao nível de psicose clínica.

As pessoas com transtorno borderline vivem no limite de suas emoções e nas fronteiras de outros transtornos mentais. Possuem sintomas de pessoas com Transtornos de Ansiedade, Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Personalidade Antissocial ou Psicopático, TDAH, Bipolaridade, Ciclotimia e Depressão. Por isso torna-se mais difícil traçar um diagnóstico para elas, levando às vezes anos ou talvez nunca sejam diagnosticados com transtorno borderline.

As “pessoas borderlines”, como os TDAH, possuem tendência a dispersão, dificuldade de concentração e de executar tarefas cotidianas, são ansiosos, angustiados, hiperativos e desatenção ou instabilidade atentiva. Uma diferença é que nas pessoas com TDAH estes sentimentos estão relacionados à hiperatividade mental, enquanto no transtorno borderline, eles estão ligados à hiperatividade emocional e afetiva.

Eles também são capazes de atitudes agressivas, desrespeitam e destroem, sendo confundidos com personalidades psicopáticas ou psicopatas. Os atos deles se tornam tão desesperados que causam sofrimentos e perdas materiais para suas vitimas. Vivem em limite de desespero afetivo acreditando que poderão ser abandonados e, ou rejeitados a qualquer momento por estas pessoas.

Em se tratando de psicopatas, pode-se dizer que “os psicopatas planejam e executam maldades e perversidades com intuitos claros de poder, status ou diversão (prazer)”. Enquanto “os borderlines” só comete “atrocidades” por desespero afetivo e medo de rejeição (sentimentos que não existem nos psicopatas). (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010)

Enquanto as pessoas com transtorno de ansiedade têm sentimentos independentes dos acontecimentos em seu dia-a-dia, os borderlines são o tempo todo ansiosos e angustiados.

As pessoas que possuem um estresse pós-traumático passaram por um acontecimento de traumas. “Os borderlines” não se dão bem com situações adversas e quando passam por situações traumáticas eles reagem com uma sensação de estresse muito mais intensa e abrangente que o esperado em pessoas traumáticas.

“Os borderlines” possuem várias disfunções, como emocionais, cognitivas, comportamentais e pessoais. As disfunções emocionais possuem características de hiperatividade emocional, emoções dúbias e conflitantes, instabilidade afetiva, humor e equilíbrio emocional em constante oscilação, ira intensa e inapropriada, agitação física, sentimento de vazio ou tédio.

Nas disfunções cognitivas “os borderlines” possuem pensamentos paranoides e desorganizados. Seus pensamentos se mostram desconexos da realidade com aparência de pessoas em situação de “choque” ou “fora do ar”. Podendo incluir a incapacidade de manter pensamentos estáveis; dificuldades de aprender com as experiências passadas; autoimagem instável e com características extremas; sentimentos crônicos de vazio; pensamentos antecipados de abandono; temor excessivo de sofrer rejeição; seus objetivos e valores acompanham suas instabilidades emocionais e afetivas; não suportam ficar sozinhos; dificuldade de concentração; seus pensamentos tendem a seguir um padrão rígido; inflexível e impulsivo; pensamentos envoltos em autorreprovações e autocríticas; baixa tolerância a frustração; ideias paranoides transitórias, despersonalização, perda do senso de realidade ou sintomas dissociativos; aborrecimentos frequentes.

Nas disfunções comportamentais relacionadas a ações de “pessoas borderlindes”, possuem necessidade de controle externo; padrões de aparência oscilante; níveis de energia física incomuns, que se manifestam em explosões inesperadas de impulsividade; brigas e conflitos frequentes; comportamento recorrente de automutilação ou tentativa de suicídio; relações interpessoais intensas e caóticas; dependência excessiva dos outros; boa adaptação social; tendência a fazer passeios solitários para tentar refletir sem influencia ao redor; comportamentos frequentes para proteger-se de possíveis separações afetivas; chantagens emocionais constantes e atos de irresponsabilidade e comportamento paradoxal em suas relações interpessoais.

Por fim, as disfunções pessoais está relacionado a percepção que “os borderlines” possuem de si mesmos. Por sentirem que possuem várias personalidades eles têm crises de identidade e dificuldades para entender seus sentimentos e vontades, com isso são facilmente influenciados por comportamentos e opiniões de outras pessoas. Nesta disfunção “o borderline” possui características como sensação de vazio e de solidão; frequente comparação a outros, com uma visão autodepreciativa; dificuldade em expressar suas necessidades e sentimentos; facilidade em serem influenciados e manipulados, assim com tendência a manipular as pessoas ao seu redor para ter controle externo das situações e estilo de se vestir variável e instável e instável, tal como seus afetos.

Para um diagnóstico preciso de borderline, o profissional precisa reter bastante experiência, pois, além das citações acima, estes pacientes escondem coisas de si mesmo.

 

“…O que será que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia…”

O que será (À flor da pele) –

Chico Buarque de Hollanda (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010).

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