Transtornos

Neuroses e Psicoses

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

NEUROSES

A neuroseé um sofrimento psíquico provocado pela coexistência de sentimentos contrários ao amor, ódio, medo e desejos incestuosos para com quem ama e de quem se depende”, com esta definição entende-se que o Édipo é uma neurose ou, pode se dizer que é a primeira neurose saudável na vida de um individuo e sendo a segunda, a crise da adolescência. Assim nossos conflitos com quem mais amamos não passam de reflexos naturais de nossa neurose infantil conhecida como complexo de Édipo. O retorno do Édipo na idade adulta vem em forma de duas neuroses, a neurose ordinária e a neurose mórbida.

A neurose ordinária são todos os conflitos e desentendimentos que se tem com as pessoas que se ama intimamente pelo desejo ardor que sempre existe. Esta neurose é resultado de uma dessexualização insuficiente pelos pais edipianos, os prazeres e angústias de fantasias infantis mal recalcados preservam toda sua violência e geram a neurose cotidiana presente em todos os seres humanos.

Quanto à neurose mórbida e patológica, aparecem como sintomas recorrentes que inclui o ser humano em uma solidão narcísica e doentia. Seja ele fóbico, obsessivo ou histérico, foi provocado por algo mais grave que um recalcamento insuficiente das fantasias edipianas, trata-se de traumas singulares resultante em pleno período do Édipo.

O abandono, real ou imaginário, também provoca uma imensa aflição na criança, a fantasia do abandono resulta na fobia do adulto. O trauma de maus-tratos, reais ou imaginários, que resulta em humilhação à criança levará a uma obsessão. O terceiro trauma é causado por uma experiência de um intenso e sufocante prazer durante um contato excessivo sensual por quem a criança depende (fantasia de sedução), resultando na histeria. Nos três casos estará sempre a presença de angústia de castração sob uma forma doentia tornando-se um terror de castração. A angústia de castração traumatizante, vivida durante a infância, gera uma neurose patológica na idade adulta.

A neurose masculina uma fobia, na idade adulta, é resultante da fantasia de angústia de abandono pelo pai repressor; enquanto a histeria é resultante da fantasia de angústia de ser assediado pelo pai sedutor; e por fim, a obsessão é resultante da fantasia de angústia de ser maltratado e humilhado pelo pai rival.

Na mulher a paixão infantil mais perturbadora é a inveja ciumenta do falo. Na histeria, a menina, agora mulher, ainda acha que não é digna de interesse nem de amor e se torna amarga e triste. Surge nela uma repulsa pela sexualidade, duplicada por uma grande solidão. No complexo de masculinidade, a mulher substitui a ideia de ser castrada e acredita ser munida do Falo. Julga-se onipotente, exibe o Falo em uma atitude de desafio e passa a ter traços masculinos a ponto de ser tornar mais viril que o homem. Uma das variantes desse complexo é a forma assumida de homossexualidade manifesta.

A angústia é uma das variantes edipiana propriamente feminina. Essa angústia feminina é gerada pelo medo na mulher de ser abandonada pelo homem amado, de ser privada do amor de seu companheiro. Agora mulher, ela desconfia dos homens e teme perder o amor, a alegria de amar, ser amada e sentir-se protegida. Se para o homem o Falo é a força, para a mulher é a felicidade de ser amorosa e ser amada por aquele a quem ama, ou seja, para ela o Falo é o amor.

PSICOSE

“Mas creio que estamos lidando com um tipo de doença psíquica que ocorre muito freqüentemente. Pois não há asilo de insanos que não tenha o que devemos considerar como exemplos análogos – a mãe que caiu doente devido à perda do seu filho, e agora embala incessantemente um pedaço de madeira, ou a noiva abandonada que, em seu vestido de noiva, há anos espera por seu noivo” Freud (1894)

No âmbito das Psicoses implica um processo deteriorativo das funções do ego havendo graus variáveis de contato com a realidade, incluindo algumas esquizofrenias crônicas. Além destas, existem os estados psíquicos, qual seria alguma preservação de áreas do ego levando o individuo a adaptar-se ao mundo exterior, como, por exemplo, casos de borderline, personalidades excessivamente paranóides ou narcisistas, algumas formas de perversão, psicopatias e neuroses graves. Incluindo também, quadros clínicos que possibilitam uma recuperação, sem seqüelas, após surtos fracamente psicóticos.

Nas psicoses encontramos também os casos de paciente que, são adaptados, mas possuem condições psíquicas que são caracterizados psicóticos, podendo ser de natureza obsessiva ou somatizante, não designando um diagnostico psicótico, mas apenas uma condição da mente.

Segundo Freud, pessoas normais reprimem o material inconsciente, o neurótico converte-o em sintomas, enquanto o esquizofrênico permite que ele irrompa sob a forma de material de processo primário. Com isso ele afirmava que o sonho é a psicose noturna de toda gente.

Em 1924, Freud escreveu dois artigos sobre a psicologia do ego das psicoses e neuroses. Ele dizia que a neurose era um conflito entre o ego e o id, enquanto a psicose, um conflito entre o ego e a realidade, a depressão como um conflito entre o ego e o superego. Porem no segundo artigo ele mostrou que a perda da realidade na psicose era relativa e não absoluta.

A deterioração das funções do ego inclui outros estados psíquicos, como casos de borderline, personalidades paranóides, narcisistas, formas de perversão, psicopatias e neuroses graves.

Contudo a fraqueza do ego se tornou uma posição central para compreender a esquizofrenia. Então Freud observou que o ego normal varia entre normal e psicótico, sendo possível uma investigação sistemática das diversas funções do ego, onde uma área autônoma ou livre de conflitos do ego se desenvolve independente do id.

O ego do esquizofrênico regride ao um ego infantil tornando naturalmente este ego fraco, o que é diferente de um ego infantil que é fraco porque o individuo é infantil. O esquizofrênico sofre de pânico e quando o pânico continua, ele chega ao estado de catatonia, onde ocorrem três mudanças: a recuperação, quando há uma integração de partes diferentes da personalidade; uma maciça transferência de responsabilidade, quando é levado a um estado de paranóide crônico, e/ou uma deterioração do sistema reprimido e uma regressão ao comportamento da primeira infância, o que se denomina de deterioração hebefrenica.

Freud afirmou que quanto mais profunda seja a patologia maior será a regressão. Tanto as ilusões persecutórias quanto a esquizofrenia são ligadas a fase oral, além disto, o vício, o alcoolismo, distúrbios psicossomáticos, e muitas outras condições severas que estão inclusas como distúrbios de caráter estão ligadas a regressão oral.

Depois do surgimento da teoria da pulsão de morte houve um deslocamento da sexualidade para a hostilidade, ou seja, quanto maior a patologia maior seria a hostilidade (fúria, raiva, ódio), onde os episódios esquizofrênicos passaram a serem vistos como uma projeção de impulsos destrutivos do próprio paciente e em todo aspecto de patologia a fúria seria a primordial, tornando a hostilidade e a reação a frustração menos importante.

Outro fato seria que as principais fontes de patologia no esquizofrênico seria o fracasso em neutralizar agressões aumentando excessivamente a libido, ou a hostilidade, ou ambas causando consequentes danos a personalidade.

No entanto, fica claro que todo doente psicótico tem, em sua natureza, uma parte neurótica e todo neurótico possui uma parte psicótica oculta. Quando esta parte psicótica não é tratada pode causar resultados artificiais. Portanto o analista precisa conhecer bem os núcleos psicóticos que estão presentes em todas as pessoas e os seus variáveis e então contribuir para evolução.

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