Maternidade Real


Por Débora Maciel – Psicoterapeuta

A maternidade real é muito diferente da maternidade apresentada em comerciais de publicidade ou aquela maternidade sonhada. Estas seriam uma maternidade perfeita a qual não é possível existir, pois nelas as mães são perfeitas e, na realidade, a mãe é humana e não super mãe ou super mulher.

Uma maternidade real é onde a mãe cuida de seus filhos, passa tempo estudando sobre maternidade, faz comida, lava, passa, limpa, dá banho, troca, acalma, acalenta, amamenta, brinca, fica com a cria no colo por horas, só porque ela não quer ficar brincando ou assistindo tv e só chora. Na maternidade real a mãe acorda a noite quando o bebê chora, ou apenas para ter certeza que está tudo bem, quando ele dorme bem a noite toda. 

Ela faz dormir, ela aprende a fazer lanchinhos diferentes para que ele tenha uma refeição entre as principais refeições.

Na maternidade real essa mãe também é mulher e chora, tem seus desafios, seus limites, precisa de apoio e carinho, precisa dormir, comer e de um banho. Precisa se sentir gente, ser acolhida, precisa de cuidado. Ela sofre quando não consegue ser mãe, ela sofre quando se sente sozinha, ela sofre por seu bebê.

Na maternidade real essa mãe vai precisar do pai para estar com ela, para apoiá-la, para dar força, para ser seus braços quando ela não puder cuidar de todo o resto. O pai será necessário, nesse primeiro momento, como companheiro da mãe, é nesse momento que ele inicia a paternidade, cuidando da mãe, para que ela possa desenvolver a maternidade de mãe Suficientemente Boa. 

Quem foi que disse que o pai não faz falta!?!?!? Sem o pai a mãe precisa ser muito mais do que ser presente para o bebê, sem o pai a função materna fica debilitada e sem o pai, mãe e bebê terão perdas que repercurtirão no presente e no futuro de ambos.

Para uma criação mínima saudável possível não dá para falar de maternidade sem falar de paternidade. A criança que tiver a falta de um pai ou uma mãe terá um vazio, não dá para negar que esse vazio estará lá e essa criança terá que lidar com isso para que esse vazio cause menos perdas e menos temores e solidão, da forma que for possível para ela.

Ninguém quer estar nessa posição, a perda ou a inexistência de uma das funções ou de ambas causam dores enormes e um vazio impossível de nomear. 

Pior que ser mãe sem pai ou pai sem mãe, filho sem mãe ou sem pai ou sem ambos é tê-los e eles não desempenharem suas funções, se tornando ausentes por algum motivo, isso é cruel para uma criança que anseia e espera a presença, que tem espectativas de tê-los mas não os tem.

A maternidade e a paternidade são coisa séria, não é brincar de boneca não. E desempenhar uma função materna ou uma função paterna não é nada fácil, porém não é impossível quando se quer e se está na relação para se criar e manter vínculos.

Ser mãe ou ser pai não é ser super herói, é sim desempenhar um papel Suficientemente Bom, com mais presença e menos ausência, com mais escuta e vínculos e menos pretensão, com mais realidade de erros e acertos, pedidos de desculpa e tentativas de fazer melhor que da última vez. É ser humano, respeitar e ensinar que somos passíveis de erros e temos limites, que se pode permitir sentir dor e ser imperfeito na tentativa de ser melhor a cada dia.

Crédito da foto: direcionalescolas.com.br

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