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Dia da Gestante

Grávida do Miguel e Gabriel

❤️Dia da Gestante❤️
Não podia deixar de postar essas duas melhores versões de mim.
Gabriel e Miguel, meus amados filhos!!!
Sou grata a Deus por ter me dado a dádiva de gerar dois seres maravilhoso e de ser mãe desses meninos, uma missão diária e eterna.
Amei ser Gestante, amei meus barrigões.

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Maternidade Real


Por Débora Maciel – Psicoterapeuta

A maternidade real é muito diferente da maternidade apresentada em comerciais de publicidade ou aquela maternidade sonhada. Estas seriam uma maternidade perfeita a qual não é possível existir, pois nelas as mães são perfeitas e, na realidade, a mãe é humana e não super mãe ou super mulher.

Uma maternidade real é onde a mãe cuida de seus filhos, passa tempo estudando sobre maternidade, faz comida, lava, passa, limpa, dá banho, troca, acalma, acalenta, amamenta, brinca, fica com a cria no colo por horas, só porque ela não quer ficar brincando ou assistindo tv e só chora. Na maternidade real a mãe acorda a noite quando o bebê chora, ou apenas para ter certeza que está tudo bem, quando ele dorme bem a noite toda. 

Ela faz dormir, ela aprende a fazer lanchinhos diferentes para que ele tenha uma refeição entre as principais refeições.

Na maternidade real essa mãe também é mulher e chora, tem seus desafios, seus limites, precisa de apoio e carinho, precisa dormir, comer e de um banho. Precisa se sentir gente, ser acolhida, precisa de cuidado. Ela sofre quando não consegue ser mãe, ela sofre quando se sente sozinha, ela sofre por seu bebê.

Na maternidade real essa mãe vai precisar do pai para estar com ela, para apoiá-la, para dar força, para ser seus braços quando ela não puder cuidar de todo o resto. O pai será necessário, nesse primeiro momento, como companheiro da mãe, é nesse momento que ele inicia a paternidade, cuidando da mãe, para que ela possa desenvolver a maternidade de mãe Suficientemente Boa. 

Quem foi que disse que o pai não faz falta!?!?!? Sem o pai a mãe precisa ser muito mais do que ser presente para o bebê, sem o pai a função materna fica debilitada e sem o pai, mãe e bebê terão perdas que repercurtirão no presente e no futuro de ambos.

Para uma criação mínima saudável possível não dá para falar de maternidade sem falar de paternidade. A criança que tiver a falta de um pai ou uma mãe terá um vazio, não dá para negar que esse vazio estará lá e essa criança terá que lidar com isso para que esse vazio cause menos perdas e menos temores e solidão, da forma que for possível para ela.

Ninguém quer estar nessa posição, a perda ou a inexistência de uma das funções ou de ambas causam dores enormes e um vazio impossível de nomear. 

Pior que ser mãe sem pai ou pai sem mãe, filho sem mãe ou sem pai ou sem ambos é tê-los e eles não desempenharem suas funções, se tornando ausentes por algum motivo, isso é cruel para uma criança que anseia e espera a presença, que tem espectativas de tê-los mas não os tem.

A maternidade e a paternidade são coisa séria, não é brincar de boneca não. E desempenhar uma função materna ou uma função paterna não é nada fácil, porém não é impossível quando se quer e se está na relação para se criar e manter vínculos.

Ser mãe ou ser pai não é ser super herói, é sim desempenhar um papel Suficientemente Bom, com mais presença e menos ausência, com mais escuta e vínculos e menos pretensão, com mais realidade de erros e acertos, pedidos de desculpa e tentativas de fazer melhor que da última vez. É ser humano, respeitar e ensinar que somos passíveis de erros e temos limites, que se pode permitir sentir dor e ser imperfeito na tentativa de ser melhor a cada dia.

Crédito da foto: direcionalescolas.com.br

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O amor que nossos filhos precisam

Por Débora Maciel – Psicoterapeuta

Quando o bebê nasce ele precisa de cuidados, amor, atenção. Ele demanda bastante energia dessa mãe ou do cuidador. Neste momento é muito importante que esta pessoa responsável por este pequeno ser, venha abrir mão de si mesma para estar com ele quando ele precisar, quando solicitar. O bebê, no primeiro momento, tem esta mãe como continuidade dele, ou seja, o seio que o amamenta é ele e não o outro ser. Ele não consegue perceber ainda a existência do outro. Ele passou nove meses dentro da barriga, sem precisar procurar alimento, sem sentir frio ou fome, cólica ou insatisfação e agora se vê precisando chorar para que o alimento possa surgir, para que alguém possa aparecer e satisfazer uma necessidade que ele nem sabia que existia. E ele só precisa ser acolhido, precisa de alguém que possa olhar para ele como um ser único e mais importante do que qualquer outra coisa.

Esta mãe abre mão de dormir, de comer e muitas vezes de cuidar de si para estar presente para seu bebê, que agora clama por ela. Ele precisa dela e ela abre mão do seu narcisismo para suprir a necessidade real do bebê. Satisfazendo seu narcisismo primário para que ele possa ser uma pessoa melhor no futuro.

Ela quer o bem do seu bebê, mas ela também sente a necessidade de ser cuidada e vista neste momento tão importante, tão solitário e tão exigido. É neste momento que o pai vai iniciar seu contato com o bebê, se tornando um apoio para esta mãe, estando ali presente para ela, para a mãe, sendo sua companhia, sendo uma mão para ajudá-la, estar ali quando ela precisar de amparo, o que ela vai precisar e muito, para que ela possa respirar e se fortalecer (se nutrir) para retomar a longa jornada de ser mãe de um bebê recém-nascido.

Já dizia Jesus, “ame seu próximo como a ti mesmo”. Para eu amar o outro eu preciso me amar, e amar vai além de me olhar no espelho e cuidar do meu exterior, esse amor precisa vir de dentro, eu preciso sentir amor por mim internamente, para poder expandir esse amor para o outro. Com os filhos é a mesma coisa, eu não consigo dar aquilo que não tenho, eu não vou conseguir dar amor, cuidar, alimentar se eu não tenho isso comigo mesma. Quando olho para mim com olhar de amor, respeito e cuidado, posso fazer isso com meu filho também. Vamos dizer que para que tudo aconteça é preciso que parta de mim, de dentro de mim mesma. O pós-parto pode ser muito intenso e tudo pode parecer perdido no começo, mas eu preciso ter um apoio para conseguir ver a luz, para conseguir desempenhar a maternidade que meu filho precisa. Eu preciso ter alguém, uma rede de apoio para que eu possa proporcionar esse olhar para mim e estendê-lo por consequência para o bebê.

O amor que este bebê precisa no início da vida, é a presença materna, o seio que acolhe e alimenta, o seio que acalma e traz o alfa. Para me tornar uma mãe que o meu bebê precisa, nesta fase, eu preciso abrir mão da mulher, profissional, esposa, pessoa que eu era até o nascimento dele, se queremos um futuro mais saudável para nossos filhos, é preciso deixar a maternidade nos transformar. É de uma presença materna de qualidade que nossos pequenos precisam para serem pessoas melhores no futuro. E eu preciso estar aberta a esta transformação para que a maternidade real e necessária aconteça, eu preciso saber que a partir do momento que o resultado do exame de sangue der positivo eu serei uma pessoa diferente e melhor para o outro e para mim mesma. E que eu possa ser a mãe que meu bebê precisa. Pois ele irá precisar muito, mas muito de mim.

Mude sem medo, sem receio das criticas da família, dos colegas de trabalho, da sociedade. Diga, sou diferente agora, sou uma pessoa careta sim, se for preciso, vou abrir mão de algumas coisas, mas serei uma mãe que o meu bebê precisa, serei uma pessoa que me sentirei em paz comigo mesma, por estar fazendo o que é necessário para que o futuro dele seja melhor e o meu também.

Muitas vezes a cobrança materna pode nos seguir e nos atrapalhar de ouvirmos nosso instinto materno, o qual toda mulher possui dentro de si. Ouça você mesma, é essa voz dentro de si, que muitas vezes te dita o caminho, aquele caminho que te traz paz na alma, mesmo que o mundo te diga que está errada, mas você sabe que lá no fundo é o melhor caminho a se tomar, essa voz que te ajuda a ser uma mãe melhor.

Para ser mãe é isso, abrir mão de mim mesma pela minha cria. Renunciar meu próprio eu, meus desejos, minhas ânsias para estar com meu bebê. Para estar com esse serzinho que precisa e clama por mim. Não dá para ser mãe sem ver nossa vida mudar, e ela irá virar de cabeça para baixo muitas vezes. Não dá para ser mãe sem olhar para esse bebê e querer fazer tudo que for possível para ver o sorriso que vem de volta, que muda nosso dia, nossa vida. Ser mãe não é nada fácil, nem todo mundo ensina, ninguém avisa, mas faz toda diferença ser uma mãe presente, uma mãe que se doa pelo seu filho. Faz a diferença na nossa vida e, melhor ainda, na vida dos nossos filhos.

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POBREZA E RIQUEZA DE PERSONALIDADE

Por Débora Maciel – Psicanalista e Psicopedagoga

“Os que cuidam de crianças devem ser capazes de pensar em termos de pobreza e riqueza de personalidade” D. Winnicott

Esta frase me fez refletir…

Acredito que os pais precisam pensar nisto, em “pobreza e riqueza de personalidade”.

Estamos criando mais do que o futuro da nação, estamos construindo o futuro para nossos filhos. São eles, quebrados ou não, remontados ou não, embasados ou não, educados ou não, felizes ou não, sociáveis ou não, tristes ou não. São eles que viverão, são eles que enfrentarão um futuro lá na frente.

E mais do que qualquer coisa, nós como pais, precisamos pensar como queremos que eles estejam no futuro. Para isso é preciso construir um presente. Dai você me pergunta: Não vamos falar então em futuro? Vamos falar em presente? Presente!?!? Presente que ganhamos no aniversário, no dia das crianças, no natal???? E eu te respondo: NÃO… Este presente é muito mais do que isto, este presente refletirá o futuro para nossos pequenos, este presente os ajudará a encarar o futuro que está por vir.

Quando pensamos em personalidade, parece que sobe um frio pela espinha. Mas é para ser assustador e incentivador ao mesmo tempo. É para nos fazer pensar, e pensar realmente com garra e empenho. O que, ou melhor, como quero que meu filho esteja no seu futuro. Isto é muito maior do que se pode ver, vai além de corpo e mente, vai além de finanças e prosperidade, cargos ou faculdades.

Então é pensar em educação??? Não somente isto, é mais. É pensar em um serzinho que está aqui, que cabe em meu colo hoje e que amanhã estará dirigindo sua própria vida.

Ser presente, ser realmente PAI e realmente MÃE. Se mostrar disponível para seu filho.

E nos perguntamos: Mas o que é ser realmente PAI e MÃE???? Quando pensamos nisto, parece impossível, parece talvez inalcançável.

E eu te respondo: Para ser um verdadeiro e real PAI e MÃE basta estar com seu filho de alma, coração e presença. Basta rolar no chão, ficar descalço, brincar, dar gargalhadas, jogar bola, andar de bicicleta, assistir TV, desenhar, ler, pintar… Deixe se levar pela brincadeira com seu filho, deixe que ele te conduza. Por um momento seja apenas o parceiro de brincadeira do seu filho. Isto é ser presente, isto é pensar no futuro para eles, isto é riqueza de personalidade. Trazer esta riqueza para sua criança é muito mais do que qualquer outro valor imaginável ou não. Isto é o real valor para uma personalidade bem embasada e com “tijolos” saudáveis.

Convido você a pensar em criar momentos e oportunidades para a criação de “riquezas de personalidade” para nossos pequenos. Pense em um dia de cada vez: só por hoje eu conseguirei e irei dormir com a sensação de uma tarefa bem realizada e concreta para mim e nossos filhos. Nossos filhos precisam de nós hoje, agora. “O amanhã trará suas próprias preocupações”, vamos nos empenhar a realizar o hoje.

Esteja mais disponível para sua criança e com certeza você começará a ver que educar começa a ficar um pouco mais fácil e alcançável. Você se sentirá fazendo o “certo” e, com isto, se cobrará menos, não com o intuito de relaxo, mas com o intuito de tranquilidade e de fluidez. “Ouça e se perceberá sendo ouvido”. Eles precisam se sentirem seguros e guiados e quando nos fazemos disponíveis e estamos ali realmente presentes, uma luz no final do túnel da educação é mais visível e existirá.  

E é só isso!?!?!?! Para ser sincera… não, não é só isso, mas se pode começar por aqui e, com certeza, grande passo já se terá dado.

Créditos (foto): https://publicidadeecerveja.files.wordpress.com

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Minicurso: Desfralde com Respeito

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Minicurso: Amamentação e o Emocional Mãe e Bebê

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A Amamentação

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

Logo que o bebê nasce, não existe um consciente e um inconsciente, o que há é apenas um complexo anatômico e fisiológico com o potencial para o desenvolvimento de uma personalidade. O consciente aqui neste momento é a mãe. A continuidade é a base para o desenvolvimento da personalidade, a continuidade que está implícita na ideia que tudo que fez parte do indivíduo não se perde, pode nunca vir a se tornar consciente, mas estará lá em algum lugar (WINNICOTT, 2013).

Para que um dia o potencial venha se manifestar é preciso que o indivíduo viva em condições ambientais adequadas. É interessante falar da maternagem suficientemente boa e lembrar que o bebê tem a “dependência absoluta” da mãe nesta fase e, depois, a próxima fase a levará até a “dependência relativa” tudo seguindo para uma independência (WINNICOTT, 2013).

As mães tentem se colocar no lugar do bebê para descobrir o que ele precisa naquele determinado momento. É claro que elas continuando sendo elas e que assumem a vulnerabilidade do bebê por alguns meses e que logo serão capazes de sair desta situação especial.

Embora a psicanálise se baseie na verbalização e a dê certa importância, Winnicott diz que a comunicação entre a mãe e seu bebê é silenciosa. “O bebê não ouve nem registra a comunicação, apenas o efeito da confiabilidade” (2013, p. 87). O que é registrado no decorrer de seu desenvolvimento é a segurança e confiabilidade. O bebê só terá conhecimento da comunicação quando esta confiabilidade lhe faltar, aqui vemos a diferença de possuir ou não o amor humano.

Em qualquer idade a criança precisa de ser amparada afetuosamente, ela necessita de forma física de amor, a qual foi naturalmente dada a ela pela mãe quando a transportou no ventre e a segurou no colo. As mães desenvolvem uma capacidade de identificar o bebê que vai de encontro com a necessidade básica do recém-nascido, o que ninguém ou máquina poderia imitar e também não pode ser ensinado. É num abraço bem seguro que a mãe consegue passar para o bebê muito mais do que segurá-lo, neste abraço ela passa segurança, carinho, atenção, aconchego e, neste momento, é tudo que o recém-nascido mais precisa.

É quando a mãe segura seu bebê que começa a comunicação entre eles, a mais importante comunicação entre eles. Neste movimento tem-se duas coisas importantes, “a mãe segurando o bebê, e este sendo segurado e atravessando rapidamente uma série de fases do seu desenvolvimento que são de extrema importância para a sua afirmação domo pessoa” (WINNICOTT, 2013, P. 86). O desenvolvimento do bebê ocorrerá dependendo da forma como ele for segurado e manipulado.

Profissionais da área da saúde podem dizer que não existe nada nas relações humanas que seja mais poderoso que o vínculo entre um bebê e uma mãe (seio) durante o período da amamentação. A relação do bebê com sua mãe durante o processo de amamentação é muito intensa. Essa relação inclui a excitação da expectativa, a experiência da atividade durante a amamentação, a sensação de gratificação, o repouso ou acalmaria da tensão instintiva resultante da satisfação.

Além disso, há as relações da criança com a mãe durante a amamentação e as experiências excretoras que comportam uma excitação em si e um clímax. O conjunto destas relações constitui uma tarefa para a criança, um deles é o instinto, que é despertado, e o outro é que a mãe constitui o meio circundante e a provedora das suas necessidades básicas.

Quando a criança vai conhecendo a mãe e descobrindo tudo que ela é e faz por ela, esta tem o desejo de retribuir por tudo que ela lhe forneceu. A partir daí, a criança se converte em ser humano também, com a capacidade de reter o momento de carinho e atenção, a qual deve alguma coisa que ainda não foi pago. Neste momento, dá se origem à sensação de culpa e da capacidade infantil para sentir-se triste se a mãe amada está ausente. Se a mãe tiver existo em uma amamentação satisfatória e como uma pessoa única na vida da criança durante um certo período de tempo, o desenvolvimento emocional da criança terá percorrido o caminho para um desenvolvimento saudável.

A mãe que não pode amamentar seu bebê no peito por algum motivo e adere a mamadeira ou outro meio de amamentação, consegue realizar uma grande parte de estabelecer a relação humana, proporcionando a gratificação instintiva nos momentos de excitação alimentar. Porém parece que, as mães que são aptas a amentarem seus filhos no peito estão propensas a encontrarem uma experiência mais rica para si própria no ato de amamentar, e isso, parece que contribui para o estabelecimento das relações entre os dois mais cedo.

É comprovado que além disso tudo, o bebê tem ideias, isso é de extremo valor para estudos relacionados a alimentação ao peito materno.

Todas as funções são elaboradas na psique, e mesmo no início há uma fantasia associada à excitação e à experiência alimentar. A fantasia, tal como se depreende, é a de um implacável ataque ao seio materno e, finalmente, à mãe, logo que a criança se apercebe de que pertence à mãe o seio que é atacar. Há um elemento agressivo muito forte no primitivo impulso de amor, que é o impulso para mamar. Nos termos da fantasia de uma data ligeiramente posterior, a mãe é implacavelmente atacada e, embora só uma pequena parcela de agressão seja observável, não é possível ignorar o elemento destrutivo nas pretensões da criança. A amamentação satisfatória faz cessar fisicamente a orgia e circunscreve também a experiência fatansiosa, não obstante, desenvolve-se um elevado grau de apreensão por causa das ideias agressivas logo que a criança começa a ter discernimento bastante para concluir que o seio que era atacado e esvaziado é parte integrante da própria mãe.” (WINNICOTT, 1964, P. 58 e 59).

O bebê que é amamentado no peito logo começa a ter a capacidade de usar objetos que se pareçam ou lembrem o seio materno e, consequentemente, da mãe. Ele usa o punho, o dedo ou dedos, um pedaço de tecido, ou um brinquedo para representar a relação dela com a mãe. Quando a ideia do seio é incorporada à criança através de experiências concretas, apenas um objeto passará a representar o seio materno.

A mãe também cria “os fundamentos da força de caráter e da riqueza de personalidade do indivíduo” (p.20). Com uma base positiva, a criança a oportunidade de se lançar no mundo de uma forma criativa, também poderá desfrutar e usar o que  ele tem a lhe oferecer. Porém é possível que se a criança não tiver um bom começo não poderá desfrutar e aproveitar nada disso. Com isso pode-se dizer que tempos então “os que têm” e “os que não têm”, isto tudo a ver com aqueles que começaram bem suas vidas e com aqueles que não tiveram um bom começo.

Neste ponto pode-se falar de “seio bom”, o que significa que a criança teve uma maternidade e uma paternidade satisfatória. Isso está relacionado não apenas à amamentação, está relacionado também com o ato de ter sido bem cuidado, segurado e manipulado de forma satisfatória. Em um determinado período do desenvolvimento do bebê, ele tem o impulso de morder, isto trata-se da crueldade, mesmo tendo dentes, a ideia não é de ferir, a função é que se sobreviva. Nesta fase o bebê encontrará um novo significado para o amor e uma novidade surgirá, a fantasia.

A saúde mental do indivíduo é construída desde o início, quem contribui para esta construção é a mãe, oferecendo, o que Winnicott chama de, um ambiente facilitador (“um ambiente em que os processos evolutivos e as interações naturais do bebê com o meio podem desenvolver-se de acordo com o padrão hereditário do indivíduo” – WINNICOTT, 2013, P.20). A mãe que segura seu bebê adequadamente significa que ela foi capaz de atuar como um ego auxiliar, desta forma seu bebê possui um ego desde o primeiro instante. Este ego é frágil e pessoal, mas impulsionado pela adaptação sensível da mãe e com a capacidade de identificar-se com ele, com relação as suas necessidades básicas.

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A Ansiedade de Engravidar

Por Débora Maciel – Psicanalista | Psicopedagoga

“Mente acelerada é mente desequilibrada” – Isaac Efraim

A ansiedade pode ser definida como aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, relação com contexto de perigo, entre outras. Em alguns casos ela pode ser estimulante, porém, se for em excesso, pode atrapalhar, e muito.

Decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central perante a interpretação de ameaça ou perigo, a ansiedade não possui fatores reais e palpáveis; são sintomas de características psíquicas que apresenta ligação entre o físico e o psíquico.

Os sintomas mais conhecidos durante a ação de ansiedade são taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, aumento da mobilidade intestinal (interferindo inclusive no aumento das secreções urinárias e fecais), cefaleia, entre outras. E, ainda, quando ela é recorrente e intensa, pode levar o nome de “Crise do Pânico”.

O nosso corpo detecta situações de ameaça e perigo através de um desequilíbrio emocional ou situações inesperadas e desconhecidas, os quais são suficientes para desencadear estados ansiosos.

Uma das principais características psíquicas do estado ansioso é uma aceleração do pensamento, uma espécie de autodefesa da mente, como se estivesse planejando livrar-se do perigo o mais rápido possível. Esta situação promove uma confusão, já que a mente é incapaz de fazer isto, gerando uma sensação na qual o estado ansioso é potencializado.

Esse movimento, em que a mente acelera para obter o controle e chegar a um estado de conforto e repouso, faz com que ela se excite mais; caso não tenha uma solução mental imediata e se torne repetitiva, teremos, então, a chamada ansiedade patológica, a qual piora com o passar dos anos.

A ansiedade pode ter uma origem genética, a pessoa possui uma pré-disposição a este sintoma; outra origem, pode ser de uma infância carente e problemática, os pais tiveram dificuldades de suprir as carências afetivas da criança ou, ainda, a dificuldade de aceitar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas.

Um dos grandes escapes da ansiedade é o ato sexual, talvez o maior deles. Durante a relação sexual, acontece uma grande liberação de energia, onde a ansiedade é descarregada.  A postura sexual pode ser alterada em caso de ansiedade elevada, podendo alguns ficarem agressivos, outros tensos, as mulheres podem ficar frígidas e os homens podem ter ejaculação precoce.

Porém, a ansiedade pode causar mais incômodos e gerar mais prejuízos do que os já mencionados. Quando há intensão de engravidar, tanto homens quanto mulheres podem sentir e passar por momentos nunca esperados; o casal tentante pode até perder a naturalidade do relacionamento, engravidar pode não ser uma tarefa tão fácil e a ansiedade pode ser uma vilã neste momento, adiando por tempo indeterminado o momento da gravidez, ocasionando, então, várias complicações na ovulação, fecundação e implantação.

Na mulher a ansiedade pode gerar um desequilíbrio hormonal, fazendo com que seus ciclos, que até então eram regulares, se tornarem irregulares, resultando também na inibição da ovulação. Ela aumenta a adrenalina e dificulta a fecundação por deixar o corpo tenso, o que atrapalha a locomoção dos espermatozoides.

Além disso, a ansiedade estimula a produção de oxitocina (hormônio responsável pela expulsão do bebê na hora do parto), a qual provoca uma contração uterina levando o óvulo fecundado a ter dificuldade em se fixar à parede do útero, fazendo com que seja expelido constantemente; também, altera o pH vaginal aumentando a acidez, o que pode eliminar (matar) os espermatozoides. Algumas mulheres chegam a apresentar sintomas da gestação, como enjoos, cansaço, dores no seio e até atraso menstrual, porém, depois de um período elas menstruam. Outro fator complicador da ansiedade é o aumento do estresse, que leva a diminuição da libido reduzindo a frequência de relações sexuais.

No homem a ansiedade também gera efeitos e sintomas que podem dificultar na hora de engravidar. Ela causa desequilíbrio hormonal, fazendo com que o homem tenha dificuldades de concentração, altera a morfologia e a habilidade de locomoção dos espermatozoides. Também gera estresses que pode causar problemas na ejaculação, a redução da quantidade de esperma e de volume do sêmen, disfunção erétil e a diminuição da libido.

Entretanto, existem algumas dicas que ajudam a evitar a ansiedade: não conte para muitas pessoas a intenção de engravidarem, pois elas ficarão perguntando e isso pode aumentar a tensão e a cobrança pessoal; evite pensar que “não dará certo”, pensamentos negativos aumenta a insatisfação e gera mais insegurança; ocupe sua mente, leia um bom livro, faça exercícios físicos, viaje, etc., essas atitudes ajudam a aliviar a tensão e o estresse.

Além disso, tire um tempo para você, cuide-se, seja prioridade diante de tudo isso; pense em seu relacionamento, na hora da relação sexual esteja presente, evite marcar dias férteis, isso atrapalha tanto as relações quanto o seu relacionamento; converse com seu parceiro, saiba como ele se sente e exponha os seus sentimentos, essa ligação fortalece o casal e ajuda ambos a entenderem como se sentem; procure falar com seu médico regularmente; alimente-se de forma saudável, evite açúcar, cafeína, fritura e ácidos, isso já a preparará para ter uma gestação mais saudável e um pós-parto agradável.

A psicoterapia também é um recurso importante, individual, em grupo ou com seu companheiro, o profissional da área irá conduzi-los à identificar, entender e superar dificuldades ou acontecimentos psicossomáticos, que podem ter surgido durante a decisão de tentar engravidar; essa atitude também irá prepara-los para a gestação e o puerpério, levando-os a um nível mais elevado de compreensão e aceitação de diversos acontecimentos. Um tratamento eficaz e o acompanhamento por um período mais longo são indispensáveis para obter ótimos resultados e reduzir os danos.

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A mente da mulher “tentante”

a mente da mulher tentante

É no momento em que se escolhe tentar engravidar que as coisas começam a mudar. Antes mesmo de se chegar ao ciclo gravídico-puerperal (da gravidez até seis meses pós-parto), acontecem mudanças psíquicas e sociais na mulher, e essas alterações são ainda mais acentuadas quando se está tentando a primeira vez.

Surgem então alguns conflitos, um deles é quanto à decisão tomada, outro é no status de filha que se tornou esposa (mulher) e agora que será de mãe, outro ainda é o momento em que realmente estará grávida (ocorrerá a fecundação).

Tomada a decisão, a mulher começa a se atentar para dias de ovulação, de menstruação e assim por diante. Ela resolve consultar um médico para saber se está tudo bem, e talvez até realize um checape; tira algumas duvidas com o doutor, e então começa o processo de conhecer como tudo será a partir de agora.

A maioria dos médicos orienta que se tente engravidar, no mínimo, dois anos antes de qualquer exame mais detalhado; no entanto, depois de certo tempo estes dois anos parecem uma eternidade e, em muitos casos, se tornam anos torturantes em busca de um ideal que parece nunca chegar.

A cada mês ela espera que a menstruação não ocorra e que o teste de gravidez de positivo, o tão sonhado e esperado positivo. As tentantes sabem exatamente seus dias de ovulação, e neste momento já pensa que “terá” que manter relação sexual com seu parceiro; algumas vezes a relação sexual já não é mais um ato de prazer e sim uma “obrigação”.

Em seguida já vem em sua mente o dia em que novamente deverá esperar sua menstruação, e não para por aí, ela já começa a cogitar que a menstruação pode não vir “e daí estarei gravida”, continua pensando, e se menstruar “não estarei gravida de novo”.

Quando chega o dia em que exatamente deve menstruar e nada acontece, desencadeia mais conflitos, “e agora, faço o teste de gravidez ou espero mais um pouco?” “E se der negativo… e se der positivo???” e sua mente continua a mil. Cada vez que vai ao banheiro tem um friozinho na barriga, cada vez que levanta de manhã surge o mesmo sentimento, e se tiver cólica já imagina que sua chance de engravida esse mês se foi, e assim ela passa alguns dias.

Mesmo se ainda não quiser fazer o teste de gravidez, e resolver contar pra alguém que confia, pra dividir a “carga”, logo é motivada de que pode estar mesmo grávida. Mais um pouco podem surgir alguns sintomas de gravidez, como sensibilidade nas mamas, enjoo, e tudo parece dizer que desta vez deu certo. Mais uma vez ela se encontra em conflito e pensa “será que deu certo, estamos grávidos desta vez?”

Então ela resolve fazer o teste, se der positivo ela entra em uma nova fase onde sentirá uma mistura de sentimentos. Porém, e se der negativo? Quando um teste de gravidez dá negativo para uma mulher que deseja muito engravidar, um dos sentimentos, que esta mulher forte e resolvida encontra, é de impotência perante o próprio corpo, perante a vida; ela se sente sem controle sobre si mesma. É uma situação que ela almeja um “simples” objetivo/ideal que não consegue alcançar, um “presente” que não sabe quando vai chegar. Essa situação pode deixá-la destruída, sem motivação ou até pior, mas por mais que estes sentimentos sejam reais e fortes, isso tudo, não é bom para seu corpo e muito menos pra sua própria mente.

Ela pensa mais uma vez “o que fazer com tudo isto então?”– e eu te respondo: PREVINIR É IMPORTANTE.

Sim, prevenir esses sentimentos ou pelo menos amenizá-los para que se diminuam os estragos que sentimentos assim podem causar em você, em sua família e posteriormente em seu futuro bebê.

Muitos médicos e algumas mulheres não se preocupam como estão psíquica e mentalmente. Infelizmente a saúde mental não é avaliada, o que é um risco para a sua saúde e de seu tão esperado bebê.

Em nosso país é raro mulheres que fazem acompanhamento psíquico/mental na fase de tentante e pré-natal, então, só procuram um profissional da área psíquica quando se encontram em profundo momento de crise. Assim as condições mentais e psíquicas são deixadas de lado, levando em conta apenas as condições biológicas.

A maternidade é um período potencial para se desenvolver diversas crises. Na fase da gravidez e no pós-parto, que há mais ocorrências de internações e desencadeamento de problemas psíquico/mental em mulheres.

Por isso, a importância de prevenir desde o momento que se resolve tentar engravidar é vital. Fazendo acompanhamento com profissional especializado a mulher conhecerá mais sobre seu corpo e mente, e consequentemente conhecerá mais sobre o desenvolvimento do seu bebê. Além disso, saberá lidar com diversas situações e, enfim, evitará uma possível depressão futura.

No pós-parto evitará aquele tão conhecido “sentimento de vazio” após dar a luz, e saberá como acolher melhor seu filho e como o receber na maternidade “sem choques”, entre outras situações que, com um acompanhamento profissional, terá mais tranquilidade na hora de tomar decisões.

Com um acompanhamento psíquico/mental feito com antecedência também é possível obter ou chegar próximo ao ideal da “maternidade ser uma fase linda, maravilhosa e de realização” na vida da mulher. Trazendo para este novo integrante momentos aconchegantes e tranquilos e gerando nele sentimentos de acolhimento e amor. Uma mãe segura e certa das decisões tomadas traz a toda família paz e certeza de que tudo sairá bem.

por Débora Maciel – Psicanalista|Psicopedagoga