Transtornos

Esquizofrenia

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

“…pacientes psicóticos tem uma severa falta de desenvolvimento do ego, com imagens do eu e objetais muito indiferenciadas e a concomitante falta de fronteiras do ego… ” – Kernberg.

A esquizofrenia é uma doença biológica que envolve alterações cerebrais de nível celular e químico, comprometendo diferentes funções do psiquismo. Considerada um distúrbio psicótico, a pessoa esquizofrênica perde contato com a realidade, criando idéias irracionais ou percepções distorcidas. Pode se dizer que a esquizofrenia é uma divisão da realidade com distúrbios do pensamento, perceptivos e emocionais e com ações impróprias.

Sua causa é multifatorial, a qual, apresenta fatores genéticos e ambientais. A hereditariedade é um aspecto importante, os genes, uma vez presente no código genético de uma pessoa com predisposição a doença, e os fatores ambientais – tais como, traumatismo no parto, infecções maternas durante a gestação, experiências psicológicas negativa na infância, etc. – influenciam diferentes etapas do desenvolvimento e amadurecimento do Sistema Nervoso Central, provocando alterações cerebrais que serão o ponto crucial para os sintomas da doença.

O pensamento do esquizofrênico é fragmentado, distorcido por falsas convicções, conhecidos como delírios. Sua atenção é deteriorada, ou seja, qualquer estimulo ou parte do pensamento o distrai. Além de perceberem coisas que não existem, eles possuem alucinações, sendo a maioria auditiva, comparados a sonhos em uma mente desperta, ou seja, transformando o irreal em real.

Estudiosos afirmam que a esquizofrenia, geralmente, inicia-se na adolescência e no inicio da vida adulta, variando entre os 15 aos 45 anos, podendo raramente ocorrer na infância, atingindo tanto homens quanto mulheres. Normalmente eles possuem dificuldades para evoluir nos estudos, trabalhos e formar família.

Bleuler colocou quatro sintomas principais da esquizofrenia: afrouxamento dos nexos associativos do pensamento – são idéias associadas de forma errada e com prejuízo da lógica – o autismo – comportamentos introspectivos, isolamento social e dificuldade de relacionamento e comunicação com outras pessoas – a afetividade ambivalente – contradição de emoções e sentimentos em diferentes contextos e situações sociais, levando a inadequações de expressões afetivas, com reações de raiva, tristeza e alegria onde esta resposta não é esperada – a avolição – ausência de vontade, comportamento desmotiva e apático, sem interesse ou persistência em atividades diárias ou com aumento da ociosidade.

Os esquizofrênicos vivem a maior parte do tempo, em um mundo interior, preocupados com idéias ilógicas e imagens irreais. Muitos oscilam em caráter esquizofrênico e outros permanecem retraídos e isolados socialmente. A esquizofrenia não é uma doença curável os portadores desta doença têm surtos que vão e voltam.

Alguns indivíduos com esquizofrenia, desde a infância ou inicio da adolescência, possuem dificuldades escolares, problemas com atenção (memória ou aprendizado), dificuldade de iniciativa e persistência nas tarefas, limitações intelectual (pouca leitura e estímulos por deficiências cognitivas), alterações na capacidade de socialização e comunicação, comportamento impulsivo e dificuldade de perceber e lidar com suas limitações.

Enquanto outros têm bom desempenho pessoal, estudam, são independentes, inteligentes e tem maior autonomia. A primeira crise nestes indivíduos acontecerá de forma como um retrocesso e perdas de conquistas implicando nos campos afetivo, de relacionamento pessoal, familiar, laborativo, relacionados ao trabalho e estudos. Podendo, em alguns casos, voltar a vida anterior na estabilidade da doença; no entanto outros não conseguem voltar a trabalhar,  podendo ocupar-se com outras atividades sem sobrecarregar-se.

A esquizofrenia sofre influencias biológicas e genéticas (hereditariedade) e também ambientais (meio externo). As influencias biológicas e genéticas está relacionada aos genes (DNA), ou seja, a existência de outros membros da família com o transtorno e que a probabilidade de uma pessoa ter esquizofrenia está correlacionada com a proximidade do parentesco. O Modelo Estresse-diátese reúne a causa da esquizofrenia, onde é representado os fatores biológicos da doença como os genes de predisposição à esquizofrenia. As causas vindas do ambiente estão relacionadas a traumas físicos ou psíquicos, experiências psicológicas negativas, infecções durante a gestação ou na primeira infância, complicações da gravidez e do parto.

Possuir os genes não significa necessariamente que a pessoa adoecerá, os pais podem possuí-lo e não os manifestá-lo e o filho manifestar a doença posteriormente. Para que ela se desenvolva, é necessário que se instale o fator ambiental. Existe uma interação entre fatores ambientais e genéticos, desde a concepção a vida intrautero até o final do desenvolvimento cerebral na adolescência. De certa forma, os genes ficam “adormecidos” e só serão ativados se algum fator externo determinar. Após a ativação os genes provocam alterações no cérebro durante seu desenvolvimento, deixando o individuo com risco maior de adoecer na adolescência e na fase adulta.

O termo mais conhecido aplicado a estados mentais, onde uma pessoa perde conexões com a realidade do mundo exterior, é a psicose, ela está presente não só na esquizofrenia como também em outras doenças psiquiátricas. A psicose é uma síndrome com ocorrências de delírios e alucinações, os pacientes perdem a capacidade de reconhecimento da realidade acreditando muito mais em suas experiências internas do que na realidade externas. Sua característica fundamental PE o prejuízo da capacidade de julgamento ou ajuizamento da realidade, o que normalmente acontece em casos de desorganização psíquica grave, como a desorganização de pensamentos, de emoções e comportamentos.

Quando as alucinações e delírios vêm a tona leva-se o nome de surtos. No caso da esquizofrenia, os sintomas psicóticos vão surgindo gradativamente e surgem no momento da primeira crise, quando é tão abundante que o indivíduo não consegue mais esconder. Esta evolução é tão lenta que pode levar ano para ser revelado.

Pela variedade de sintomas e pela multiplicidade de fatores envolvidos na origem da esquizofrenia, ela pode ser considerada um grupo de várias doenças diferentes. Cogita-se em espectro esquizofrênico onde estariam inseridos a esquizofrenia e as demais psicoses e o transtorno de personalidade esquizotípico, uma espécie de personalidade pré-esquizofrenica que encontramos em alguns pacientes antes do primeiro surto. Apesar toda esta variabilidade, a maioria dos pesquisadores permanece firme quanto a ela ser uma doença única com diversas apresentações.

Kraepelin e Bleuler classificaram a esquizofrenia em principais subtipos da esquizofrenia: a paranóide, desorganizado (antes conhecida como hebefrenica), catatônico, indiferenciado e residual.

Esquizofrenia Paranóide: Sua característica principal são os delírios e as alucinações auditivas e visuais (um ou mais), principalmente os delírios de perseguição ou grandeza. O primeiro episodio da doença costuma aparecer entre os 20 e 30 anos, onde alguns indivíduos já estabeleceram uma vida social que o ajudará durante a doença. Eles são menos atingidos em suas faculdades mentais, respostas emocionais e comportamentais. Apresentam tensão, desconfiança, agressividade, são hostis e reservados. Normalmente comportam-se bem socialmente.

Esquizofrênico Desorganizado (hebefrenico): Possui desorganização psíquica, apresentam pouco delírios ou um delírio simples, caracteriza por uma regressão acentuada a um comportamento primitivo (infantil). O inicio costuma ser antes dos 25 anos. Tem grande dificuldade em expressar sentimentos e reações afetivas dificultando sua compreensão. Tem dificuldade em atividades que exijam habilidade e/ou agilidades por ter movimentos desengonçados, lentos ou bruscos.

Esquizofrenia Catatônico: Neste tipo de esquizofrenia destaca-se essencialmente uma perturbação psicomotora, a qual envolve estupor (estado mórbido), negativismo, rigidez, excitação ou posturas. Incluem estereotipias, maneirismo e flexibilidade, como características associadas. O individuo pode se tornar inteiramente introspectivo e a fala fica ausente.

Esquizofrenia Indiferenciado: São indivíduos esquizofrênicos que não se encaixam em um tipo ou outro.

Esquizofrenia residual: Tem como características a presença continua de perturbações esquizofrênicas com ausência de sintomas ativos ou suficientes para classificação. Possui dificuldade de expressar emoções, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico, leve diminuição de associações.

Apesar desta classificação de subtipos ser muito usada, alguns pesquisadores propôs uma divisão em tipos de sintomas, sendo eles positivos e negativos, proposta esta que ganhou maior aceitação.

Os Sintomas Positivos representam sintomas que o individuo possui mais do que o comum, ou seja, têm qualidade de adição, como os delírios e as alucinações, diminuição de associações, comportamento bizarros e fala aumentada.

Já os Sintomas Negativos são sintomas que o individuo possui a menos que o comum, como diminuição afetiva, pobreza de discurso e de conteúdo, bloqueio, desalinho pessoal, falta de motivação, anedonia, retraimento social, defeitos cognitivos e déficits de atenção. Indivíduos que possuem sintomas positivos têm estruturas cerebrais normais e respostas relativamente boas a tratamentos. Os que possuem sintomas negativos têm anormalidades nas estruturas cerebrais e fraca resposta ao tratamento. Estes sintomas se misturam em graus variados independente dos subtipos de esquizofrenia contribuindo para a diversidade clinica dessa doença. Enquanto os esquizofrênicos paranóides possuem mais sintomas positivos os desorganizados e catatônicos possuem mais sintomas negativos.

Além destes sintomas, a esquizofrenia possui outros que não podem deixar de serem mencionados, são eles, delírios e alucinações.

Os Delírios são crenças fantasiosas capazes de interferirem no comportamento, atitudes, relações e na forma de a pessoa avaliar e julgar a realidade. Os delírios como são produtos do pensamento, tem uma possibilidade infinita de temas, como por exemplo, Delírios de Perseguição: particular da esquizofrenia paranóide, é conhecido como paranóia ou mania de perseguição, causando atitude de medo e defesa – Delírios de Autorreferência: o individuo acredita estar em evidencia, sendo o centro das atenções, este geralmente acompanha os delírios de perseguição – Delírios Misticos ou Religiosos: esse refere-se a temas ligados a Bíblia e à religiões cristãs – Delírios de Grandeza: o paciente sente-se poderoso, melhor que outras pessoas, com dons especiais, como o de prever o futura, influenciar pessoas ou fatos externos, como clima, guerras, catástrofe, acredita ser alguém famoso ou com poder; portam-se com arrogância e prepotência, dificilmente acreditam que estão com problemas recusando a fazer tratamento – dentre outros.

As Alucinações são a falta de percepções de objetos inexistentes e que possuem as mesmas características das percepções reais, ou seja, tem-se a clara percepção de um objeto sem que de fato ele exista. Diferente das ilusões que podem ser corrigidas, as alucinações não podem ser alteradas pela vontade própria. As ilusões são comuns no dia-a-dia, no entanto as alucinações são sempre patológicas é resultado de um funcionamento anormal do cérebro, que cria percepções falsas ou julga erradamente percepções internas como externas. Em outros distúrbios psíquicos (depressão, transtorno bipolar, alcoolismo) e neurológicos (isquemia ou derrame cerebral, demência, tumores, esclerose múltiplas) também pode existir a presença das alucinações, porem em todas o individuo sofre perturbação mental intensa com alteração de seu comportamento. As alucinações podem ocorrer nos cinco sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) e também na percepção do funcionamento interno do corpo (batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, metabolismo, respiração, etc.).

O comportamento de pessoas com esquizofrênica é uma conseqüência dos sintomas, como os delírios e alucinações, a desorganização psíquica e do pensamento e os sintomas negativos e cognitivos; seria difícil qualificá-los como sendo como específicos da doença, já que, são sintomas universais e comuns a todos pacientes. Portanto, segue alguns comportamentos que são freqüentes na esquizofrenia: Agressividade e Impulsividade, os quais se limitam a crises psicóticas apesar de alguns indivíduos, mesmo em momentos críticos, não exibirem comportamento agressivo; os comportamentos impulsivos podem ser tanto heteroagressivos (dirigidos a outros) como autoagressivos (dirigidos a si mesmo). Asseio corporal e Cuidado com a aparência, relacionado ao descuido com a higiene e aparência física e falta de cuidado com a saúde. Inquietação e Agitação psicomotora, a inquietação começa por uma ansiedade desprovida de um estado de angustia que extrapola o limite psíquico se expandindo para esfera corporal causando inquietação motora, a qual pode vir acompanhada de impaciência e irritabilidade. Rígido e Repetitivo, alguns desenvolvem rituais, manias podendo também desenvolver sintomas obsessivo-compulsivo semelhantes ao TOC. Tentativa de suicídio, geralmente é provocada por uma somatória de fatores, relacionados à doença, à historia da pessoa e à família. Comportamento Hipersexualizado, possui dificuldade de conter impulsos sexuais e sexualidade imatura, sendo mais comum em esquizofrênicos desorganizados (hebefrênicos). Comportamento regredido e Infantil, possuem atitudes pueril e infantilizada, parecem ingênuos, riem a toa ou fazem “birra”. Uso e abuso de Álcool e outras Drogas, uso e abuso de substancias, como álcool, tabaco, drogas ilícitas.

TRATAMENTO

A esquizofrenia atinge indivíduos que possuem perfil psicológico individual, família e social único. No enfoque terapêutico o tratamento deve ser voltado para como ele será ajudado pelo tratamento. Os agentes farmacêuticos são utilizados para presumíveis desequilíbrios químicos e as estratégias não farmacológicas devem abordar questões não biológicas também. No entanto, os enfoques terapêuticos isolados raramente é suficiente para uma abordagem satisfatória. Por isso, as modalidades psicossociais devem ser integradas ao regime de tratamento medicamentoso e apoiá-lo. Segundo pesquisas, a maioria de paciente esquizofrênicos se beneficiam do uso combinado de tratamentos medicamentoso e psicossocial.

A hospitalização é adquirida com a finalidade diagnostica, estabilização de medicamentos, segurança do paciente em casos suicida ou homicida e comportamentos amplamente desorganizados, incluindo incapacidade de necessidades básicas.

Para os tratamentos somáticos são utilizados antipsicóticos, divididos em três classes principais, os antagonistas dos receptores dopamínicos, risperidona e clozapina. Outro tratamento somático utilizado é a terapia eletroconvulsiva, sendo indicada para pacientes catatônicos e para pacientes que por algum motivo não podem domar antipsicóticos.

Nos tratamentos psicossociais pode-se utilizar a terapia: com tratamento voltado para as necessidades e deficiências do paciente utilizando a técnica de reforço e treinamento de habilidade social para aumentar a capacidade de relacionamento social, auto suficiência, habilidade pratica e comunicação interpessoal. O reforço utilizado é através de elogios e recompensas. Terapia orientada para a família: quando o paciente recebe alta e volta para esta família, a mesma precisa estar preparada para recebê-lo, o foco da terapia deve estar sobre situações imediatas e deve incluir a identificação e evitamento de situações potencialmente problemáticas. Após a alta, também é importante focar no processo de recuperação, principalmente sua extensão e freqüência. Terapia de grupo: é focada em planos para a vida real, problemas e relacionamentos. É efetiva principalmente para a redução de isolamento social, aumento do senso de coesão e melhora o teste de realidade de pacientes com esquizofrenia. Psicoterapia individual: a utilização da terapia individual se torna útil e se soma aos do tratamento farmacológicos.

Conceito, Transtornos

Neuroses e Psicoses

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

NEUROSES

A neuroseé um sofrimento psíquico provocado pela coexistência de sentimentos contrários ao amor, ódio, medo e desejos incestuosos para com quem ama e de quem se depende”, com esta definição entende-se que o Édipo é uma neurose ou, pode se dizer que é a primeira neurose saudável na vida de um individuo e sendo a segunda, a crise da adolescência. Assim nossos conflitos com quem mais amamos não passam de reflexos naturais de nossa neurose infantil conhecida como complexo de Édipo. O retorno do Édipo na idade adulta vem em forma de duas neuroses, a neurose ordinária e a neurose mórbida.

A neurose ordinária são todos os conflitos e desentendimentos que se tem com as pessoas que se ama intimamente pelo desejo ardor que sempre existe. Esta neurose é resultado de uma dessexualização insuficiente pelos pais edipianos, os prazeres e angústias de fantasias infantis mal recalcados preservam toda sua violência e geram a neurose cotidiana presente em todos os seres humanos.

Quanto à neurose mórbida e patológica, aparecem como sintomas recorrentes que inclui o ser humano em uma solidão narcísica e doentia. Seja ele fóbico, obsessivo ou histérico, foi provocado por algo mais grave que um recalcamento insuficiente das fantasias edipianas, trata-se de traumas singulares resultante em pleno período do Édipo.

O abandono, real ou imaginário, também provoca uma imensa aflição na criança, a fantasia do abandono resulta na fobia do adulto. O trauma de maus-tratos, reais ou imaginários, que resulta em humilhação à criança levará a uma obsessão. O terceiro trauma é causado por uma experiência de um intenso e sufocante prazer durante um contato excessivo sensual por quem a criança depende (fantasia de sedução), resultando na histeria. Nos três casos estará sempre a presença de angústia de castração sob uma forma doentia tornando-se um terror de castração. A angústia de castração traumatizante, vivida durante a infância, gera uma neurose patológica na idade adulta.

A neurose masculina uma fobia, na idade adulta, é resultante da fantasia de angústia de abandono pelo pai repressor; enquanto a histeria é resultante da fantasia de angústia de ser assediado pelo pai sedutor; e por fim, a obsessão é resultante da fantasia de angústia de ser maltratado e humilhado pelo pai rival.

Na mulher a paixão infantil mais perturbadora é a inveja ciumenta do falo. Na histeria, a menina, agora mulher, ainda acha que não é digna de interesse nem de amor e se torna amarga e triste. Surge nela uma repulsa pela sexualidade, duplicada por uma grande solidão. No complexo de masculinidade, a mulher substitui a ideia de ser castrada e acredita ser munida do Falo. Julga-se onipotente, exibe o Falo em uma atitude de desafio e passa a ter traços masculinos a ponto de ser tornar mais viril que o homem. Uma das variantes desse complexo é a forma assumida de homossexualidade manifesta.

A angústia é uma das variantes edipiana propriamente feminina. Essa angústia feminina é gerada pelo medo na mulher de ser abandonada pelo homem amado, de ser privada do amor de seu companheiro. Agora mulher, ela desconfia dos homens e teme perder o amor, a alegria de amar, ser amada e sentir-se protegida. Se para o homem o Falo é a força, para a mulher é a felicidade de ser amorosa e ser amada por aquele a quem ama, ou seja, para ela o Falo é o amor.

PSICOSE

“Mas creio que estamos lidando com um tipo de doença psíquica que ocorre muito freqüentemente. Pois não há asilo de insanos que não tenha o que devemos considerar como exemplos análogos – a mãe que caiu doente devido à perda do seu filho, e agora embala incessantemente um pedaço de madeira, ou a noiva abandonada que, em seu vestido de noiva, há anos espera por seu noivo” Freud (1894)

No âmbito das Psicoses implica um processo deteriorativo das funções do ego havendo graus variáveis de contato com a realidade, incluindo algumas esquizofrenias crônicas. Além destas, existem os estados psíquicos, qual seria alguma preservação de áreas do ego levando o individuo a adaptar-se ao mundo exterior, como, por exemplo, casos de borderline, personalidades excessivamente paranóides ou narcisistas, algumas formas de perversão, psicopatias e neuroses graves. Incluindo também, quadros clínicos que possibilitam uma recuperação, sem seqüelas, após surtos fracamente psicóticos.

Nas psicoses encontramos também os casos de paciente que, são adaptados, mas possuem condições psíquicas que são caracterizados psicóticos, podendo ser de natureza obsessiva ou somatizante, não designando um diagnostico psicótico, mas apenas uma condição da mente.

Segundo Freud, pessoas normais reprimem o material inconsciente, o neurótico converte-o em sintomas, enquanto o esquizofrênico permite que ele irrompa sob a forma de material de processo primário. Com isso ele afirmava que o sonho é a psicose noturna de toda gente.

Em 1924, Freud escreveu dois artigos sobre a psicologia do ego das psicoses e neuroses. Ele dizia que a neurose era um conflito entre o ego e o id, enquanto a psicose, um conflito entre o ego e a realidade, a depressão como um conflito entre o ego e o superego. Porem no segundo artigo ele mostrou que a perda da realidade na psicose era relativa e não absoluta.

A deterioração das funções do ego inclui outros estados psíquicos, como casos de borderline, personalidades paranóides, narcisistas, formas de perversão, psicopatias e neuroses graves.

Contudo a fraqueza do ego se tornou uma posição central para compreender a esquizofrenia. Então Freud observou que o ego normal varia entre normal e psicótico, sendo possível uma investigação sistemática das diversas funções do ego, onde uma área autônoma ou livre de conflitos do ego se desenvolve independente do id.

O ego do esquizofrênico regride ao um ego infantil tornando naturalmente este ego fraco, o que é diferente de um ego infantil que é fraco porque o individuo é infantil. O esquizofrênico sofre de pânico e quando o pânico continua, ele chega ao estado de catatonia, onde ocorrem três mudanças: a recuperação, quando há uma integração de partes diferentes da personalidade; uma maciça transferência de responsabilidade, quando é levado a um estado de paranóide crônico, e/ou uma deterioração do sistema reprimido e uma regressão ao comportamento da primeira infância, o que se denomina de deterioração hebefrenica.

Freud afirmou que quanto mais profunda seja a patologia maior será a regressão. Tanto as ilusões persecutórias quanto a esquizofrenia são ligadas a fase oral, além disto, o vício, o alcoolismo, distúrbios psicossomáticos, e muitas outras condições severas que estão inclusas como distúrbios de caráter estão ligadas a regressão oral.

Depois do surgimento da teoria da pulsão de morte houve um deslocamento da sexualidade para a hostilidade, ou seja, quanto maior a patologia maior seria a hostilidade (fúria, raiva, ódio), onde os episódios esquizofrênicos passaram a serem vistos como uma projeção de impulsos destrutivos do próprio paciente e em todo aspecto de patologia a fúria seria a primordial, tornando a hostilidade e a reação a frustração menos importante.

Outro fato seria que as principais fontes de patologia no esquizofrênico seria o fracasso em neutralizar agressões aumentando excessivamente a libido, ou a hostilidade, ou ambas causando consequentes danos a personalidade.

No entanto, fica claro que todo doente psicótico tem, em sua natureza, uma parte neurótica e todo neurótico possui uma parte psicótica oculta. Quando esta parte psicótica não é tratada pode causar resultados artificiais. Portanto o analista precisa conhecer bem os núcleos psicóticos que estão presentes em todas as pessoas e os seus variáveis e então contribuir para evolução.

Transtornos

Transtorno Borderline

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

As psicoses “implicam um processo deteriorativo das funções do ego, a tal ponto que haja, em graus variáveis, algum sério prejuízo do contato com a realidade” (David E. Zimerman, 1999, p.227).

Nos casos de transtorno borderline, são pessoas que se adaptam ao mundo exterior, porém mantém as áreas do ego preservadas. Estas pessoas, apesar de adaptados com o mundo externo, podem apresentar, em alguns momentos, episódios de regressão ao nível de psicose clínica.

As pessoas com transtorno borderline vivem no limite de suas emoções e nas fronteiras de outros transtornos mentais. Possuem sintomas de pessoas com Transtornos de Ansiedade, Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Personalidade Antissocial ou Psicopático, TDAH, Bipolaridade, Ciclotimia e Depressão. Por isso torna-se mais difícil traçar um diagnóstico para elas, levando às vezes anos ou talvez nunca sejam diagnosticados com transtorno borderline.

As “pessoas borderlines”, como os TDAH, possuem tendência a dispersão, dificuldade de concentração e de executar tarefas cotidianas, são ansiosos, angustiados, hiperativos e desatenção ou instabilidade atentiva. Uma diferença é que nas pessoas com TDAH estes sentimentos estão relacionados à hiperatividade mental, enquanto no transtorno borderline, eles estão ligados à hiperatividade emocional e afetiva.

Eles também são capazes de atitudes agressivas, desrespeitam e destroem, sendo confundidos com personalidades psicopáticas ou psicopatas. Os atos deles se tornam tão desesperados que causam sofrimentos e perdas materiais para suas vitimas. Vivem em limite de desespero afetivo acreditando que poderão ser abandonados e, ou rejeitados a qualquer momento por estas pessoas.

Em se tratando de psicopatas, pode-se dizer que “os psicopatas planejam e executam maldades e perversidades com intuitos claros de poder, status ou diversão (prazer)”. Enquanto “os borderlines” só comete “atrocidades” por desespero afetivo e medo de rejeição (sentimentos que não existem nos psicopatas). (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010)

Enquanto as pessoas com transtorno de ansiedade têm sentimentos independentes dos acontecimentos em seu dia-a-dia, os borderlines são o tempo todo ansiosos e angustiados.

As pessoas que possuem um estresse pós-traumático passaram por um acontecimento de traumas. “Os borderlines” não se dão bem com situações adversas e quando passam por situações traumáticas eles reagem com uma sensação de estresse muito mais intensa e abrangente que o esperado em pessoas traumáticas.

“Os borderlines” possuem várias disfunções, como emocionais, cognitivas, comportamentais e pessoais. As disfunções emocionais possuem características de hiperatividade emocional, emoções dúbias e conflitantes, instabilidade afetiva, humor e equilíbrio emocional em constante oscilação, ira intensa e inapropriada, agitação física, sentimento de vazio ou tédio.

Nas disfunções cognitivas “os borderlines” possuem pensamentos paranoides e desorganizados. Seus pensamentos se mostram desconexos da realidade com aparência de pessoas em situação de “choque” ou “fora do ar”. Podendo incluir a incapacidade de manter pensamentos estáveis; dificuldades de aprender com as experiências passadas; autoimagem instável e com características extremas; sentimentos crônicos de vazio; pensamentos antecipados de abandono; temor excessivo de sofrer rejeição; seus objetivos e valores acompanham suas instabilidades emocionais e afetivas; não suportam ficar sozinhos; dificuldade de concentração; seus pensamentos tendem a seguir um padrão rígido; inflexível e impulsivo; pensamentos envoltos em autorreprovações e autocríticas; baixa tolerância a frustração; ideias paranoides transitórias, despersonalização, perda do senso de realidade ou sintomas dissociativos; aborrecimentos frequentes.

Nas disfunções comportamentais relacionadas a ações de “pessoas borderlindes”, possuem necessidade de controle externo; padrões de aparência oscilante; níveis de energia física incomuns, que se manifestam em explosões inesperadas de impulsividade; brigas e conflitos frequentes; comportamento recorrente de automutilação ou tentativa de suicídio; relações interpessoais intensas e caóticas; dependência excessiva dos outros; boa adaptação social; tendência a fazer passeios solitários para tentar refletir sem influencia ao redor; comportamentos frequentes para proteger-se de possíveis separações afetivas; chantagens emocionais constantes e atos de irresponsabilidade e comportamento paradoxal em suas relações interpessoais.

Por fim, as disfunções pessoais está relacionado a percepção que “os borderlines” possuem de si mesmos. Por sentirem que possuem várias personalidades eles têm crises de identidade e dificuldades para entender seus sentimentos e vontades, com isso são facilmente influenciados por comportamentos e opiniões de outras pessoas. Nesta disfunção “o borderline” possui características como sensação de vazio e de solidão; frequente comparação a outros, com uma visão autodepreciativa; dificuldade em expressar suas necessidades e sentimentos; facilidade em serem influenciados e manipulados, assim com tendência a manipular as pessoas ao seu redor para ter controle externo das situações e estilo de se vestir variável e instável e instável, tal como seus afetos.

Para um diagnóstico preciso de borderline, o profissional precisa reter bastante experiência, pois, além das citações acima, estes pacientes escondem coisas de si mesmo.

 

“…O que será que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia…”

O que será (À flor da pele) –

Chico Buarque de Hollanda (Ana Beatrizz Barbosa Silva, 2010).

Assuntos Relacionados:

Indicação de leitura em nossa página “Livros”: Corações Descontrolados: O jeito Borderline de ser | Ana Beatriz Barbosa Silva

Indicação de filme em nossa página “Filmes”: Garota Interrompida

Indicação de vídeo em nossa página “Vídeos”: Personalidade Borderline | Sem Censura | Ana Beatriz Silva – Corações Descontrolados

Transtornos

TOC e Transtorno de Ansiedade

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Quando se fala em Transtorno Obsessivo Compulsivo trata-se de uma personalidade obsessiva, a qual se refere ao modo e ao grau como se organiza os mecanismos defensivos do Ego perante fortes ansiedades. A posição obsessiva está relacionada com o pensamento enquanto a compulsiva é relacionada com as funções motoras.

Pode se discriminar o TOC em três estágios:

Os traços obsessivos se referem a pessoas normais ou a pessoas com traços que acompanham uma neurose mista, uma psicose, perversão, etc.

O caráter marcadamente obsessivo implica em traços permanentes de meticulosidade, controle, duvida, intolerância, etc. Estes sintomas não alteram a harmonia do individuo e não o faz sofrer exageradamente.

A neurose obsessivo-compulsiva trata-se de indivíduos que possuem um alto grau de sofrimento para consigo e para com seus próximos, obtém também prejuízo na vida familiar e na social. Os sintomas obsessivos e compulsivos são dúvidas ruminantes, pensamentos compulsivos, controle onipotente, frugalidade, obstinação, rituais e cerimoniais sem fim, atos que compulsiva e repetidamente são feitos e desfeitos. Pode atingir um alto grau de incapacitação total, transformando-se em uma gravíssima neurose, beirando uma possível psicose.

O paciente com o transtorno de personalidade voltado para os traços obsessivos e caráter marcantemente obsessivo precisam de acompanhamento continuo de psicoterapias de apoio, podendo haver melhoras com o passar do tempo em seu relacionamento consigo mesmo e com as outras pessoas, sem obter muitos prejuízos e chegando próximo da “normalidade”, já que com estes quadros é possível conviver em sociedade sem prejudicar sua vida familiar e/ou social.

As pessoas com o transtorno obsessivo-compulsivo precisam de tratamento farmacológico, acompanhamento frequente a psiquiatras e acompanhamento de psicoterapia de apoio durante a vida toda, com isso, pode melhorar o relacionamento com a sociedade, familiar e abrandar os sintomas, porém o transtorno obsessivo-compulsivo não tem cura, o individuo precisa manter o tratamento sempre para obter melhora.

Transtorno de Ansiedade

Para Freud a ansiedade era gerada por uma força existente dentro da pessoa que ameaça sua relação com o mundo externo. Realçou que as forças interiores provem de um vigor dos instintos e da severidade do Superego, afirmou ainda que o vigor dos instintos ameaça subverter o Ego e força-lo a cometer atos inaceitáveis para o mundo externo, dessa forma o Ego se sente ameaçado de diversas maneira em diferentes fases do desenvolvimento.

Ele percebeu que qualquer ameaça a uma relação satisfatória entre uma pessoa e as outras podem produzir ansiedade e que qualquer ameaça a suas potencialidades também provoca ansiedade. Além disso, qualquer ameaça às ilusões da pessoa é causadora de ansiedade. Com isso, concluiu que a ansiedade é sempre caracterizada por um sentimento de abandono, impotência, uma força que separa. Tudo isso por causa do perigo que está dentro, a sua natureza é desconhecida, já que a ameaça inicial foi enfrentada através de recalque ou projeção, uma nova ansiedade nasce, possivelmente de um conflito defensivo o qual não pode ser resolvido por um meio simples.

A neurose de ansiedade ou transtorno de ansiedade é gerada por um transtorno clínico, o qual se manifesta por uma ansiedade livre gerada de uma forma permanente ou por momentos de crise. Ou seja, a ansiedade é expressa por uma força somática – opressão pré-cordial, taquicardia, dispneia, sensação de “bola no peito”, etc. – ou como uma indefinida ansiedade de medo de morrer, enlouquecer, ou medo de uma tragédia. As pessoa que possui transtorno de ansiedade pode ainda sentir palpitações, dor no peito, tontura, falta de ar, vertigens, sudorese excessiva, sensação de desmaio, náuseas, entre outros.

O termo ansiedade é uma descompensação da harmonia psíquica interna, porém, nem sempre ela é visível, alguns meios defensivos constitui a negação da referida ansiedade. A pessoa pode ter uma ansiedade latente sem que ela seja manifesta. Muitas vezes os sintomas mostram uma falha dos mecanismos de repressão com excessivos estímulos externos e/ou internos. E quando há grande recorrência de episódios de crises de ansiedade é possível que se trate de um transtorno de pânico.

O ataque de pânico pode ser basicamente uma sucessão do transtorno de ansiedade. O individuo tem ataques recorrentes de ansiedade em qualquer circunstancia, com sensação de morte, medo de enlouquecer e de que aconteça alguma tragédia. Os sintomas são bem parecidos com os de ansiedade, porém a diferença é que eles são recorrentes e bem mais intensos. Os ataques são imprevisíveis e o paciente começa a ter medo de quando eles irão ocorrer novamente levando até a se afastar de pessoas e a evitar lugares, com a possibilidade de novas ocorrências de crises e o levando a desenvolver outras fobias.

Tratamento

O transtorno de ansiedade pode ser tratado com medicamentos e o apoio de uma psicoterapia breve. Por um determinado tempo o paciente fica em tratamento podendo haver uma reversão do caso e obter cura tendo uma vida “normal” como antes, em alguns casos o transtorno pode voltar a ocorrer por outro motivo, sendo possível reaver o tratamento novamente.

A indicação de tratamento para ataque de pânico é a utilização de abordagem farmacológica com acompanhamento de uma psicoterapia breve, com isso os sintomas podem diminuir e as crises até desaparecerem levando o paciente à cura. Porém com o tempo o paciente pode desenvolver novamente os ataques, mas desta vez pode estar relacionado com situações diferentes da anterior.

Algumas neuroses são possíveis tratar apenas com análise, outras com a psicoterapia breve e outras ainda com a psicoterapia de apoio. Mas em alguns casos se torna necessária a utilização de farmacológicos.

Quando se trata de utilizar a psicanálise ou a psicoterapia breve, nem sempre existe a necessidade da utilização de medicamentos, porém todas as vezes que for tratamento com psicoterapia de apoio existe a necessidade também do tratamento com farmacológicos.

Assuntos Relacionados:

Indicação de vídeo em nossa página “Vídeos”: O que é TOC? Como se dá seu diagnóstico | Christian Dunker

Indicação de filme em nossa página “Filmes”: Melhor é impossível