Conceito, Reflexões

O Tempo

Por Débora Maciel – Psicanalista

O tempo.
Ah o tempo…
Ele vem e vai.
Ele não tem fim.
Ele leva e traz.
Ele atormenta e traz paz.
Ele sossega e apavora.
Ele se faz e se refaz.
Traz medo. Traz amor.
Traz ódio. Traz rancor.
Traz raiva. Traz tristeza.
Traz alegria. Traz perda.
Traz ganho. Traz luto.
Traz liberdade. Traz prisão.
Ah o tempo…
Quem o quer? Quem não quer?
Quem o tem? Quem o retém?
Quem gosta? Quem desgosta?
Quem gostaria que fosse seu, o tempo?
Quem gostaria de ter, seu poder?
Ele constrói. Ele destrói.
Nem tudo é no seu tempo.
Pois tudo tem seu tempo.
Querer nem sempre é poder, pois refém do tempo vai ser.
Lembrar e se esquecer dele depende e sempre irá depender.
Viver, desviver ou reviver seu tempo vai dizer.
Quando se quer, sem querer o tempo é preciso reconhecer.
Respeitar o tempo necessário se torna, para olhar para si despido da memória.
Esquecer muitas se quer e necessita, pois da dor se quer fugir, mas no tempo de cada um, a lembrança retorna para um novo ser descobrir. E, a vida sua viver agora, no seu tempo, sem pressa, sem medo, sem receio, apenas se quer ser quem sempre quis e não era hora.
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Faça Análise.
Se Permita.
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Conceito, Reflexões

AutoCuidado

Por Débora Maciel – Psicanalista

O AutoCuidado é criado logo depois do nascimento e vai se desenvolvendo com o passar do tempo.
Para que na fase adulta essa pessoa consiga ter apreço consigo e o AutoCuidado, é preciso que tenha vivido isso antes. Que alguém tenha cuidado dela e ela sentido o toque, a sensação de estímulo da pele.
Quando a mãe dá banho no bebê, troca, passa creme ou óleo em seu corpinho, está levando ele a uma experiência única. Essa sensação de ser cuidado, de ser acolhido vai gerar nesse bebê o AutoCuidado e isso ninguém poderá tirar dele. Toda vez que ele mesmo, quando adulto, tocar em si, pentear seus cabelos, passar creme em seu corpo terá uma sensação agradável que remeterá seu inconsciente aquela sensação que tinha quando sua mãe cuidava dele.
Dessa forma conseguirá cuidar de si e de quem dele depende.
É importante compreender que todo excesso é adoecido, ou seja, aquelas pessoas que tem por si um cuidado que vai além, como cirurgias plásticas, esforços desmedidos  com exercícios físicos, roupas, maquiagens, etc. Ou aqueles que nem conseguem domar banho com frequência, escovar os dentes, cuidar de seus cabelos, etc, estão no excesso para mais e para menos, demonstrando um adoecimento em cada situação.
O AutoCuidado na medida é um reconhecimento de si próprio. É olhar para si com amor e dar a manutenção devida ao corpo, alma e mente.
O AutoCuidado também está relacionado a questões internas, como respeito próprio, cuidado espiritual e mental. Quando a pessoa, mesmo tendo sido cuidada quando pequena, começa a deixar de cuidar de si, pode significar um interior desnutrido. Para que o exterior esteja bem é preciso um movimento de dentro para fora, o interior é o que reflete todo o exterior. Mesmo que em determinados momentos a pessoa consiga sustentar um exterior intocável, se o interior estiver deficitário logo será difícil sustentar algo aparente e se manifestará seu interior sofrido.
AutoCuidado também está relacionado ao respeito próprio ao cuidado com os limites, sendo tido quando necessário. Para isso é preciso ouvir seu Eu que fala, muitas vezes baixinho por ter sido negligenciado, mas ele fala e quer ser ouvido e cuidado.
Diante de uma escolha de um início para o AutoCuidado, o interessante é que possa ser de dentro para fora, pois com o Eu olhado, cuidado e respeitado todo o corpo (exterior) refletirá e passará a ser cuidado também.
Todos nós precisamos de equilíbrio em todos os sentidos, mas nem sempre esse equilíbrio se consegue sozinho. É preciso ter sido desenvolvido um AutoCuidado para ser capaz de pedir ajuda e procurar o equilíbrio em cada área. O equilíbrio total é impossível, mas o equilíbrio para que as coisas funcionem de forma mais engrenada é possível encontrar.


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Conceito

Análise Pessoal para um Psicanalista

Psicanálise do Acolhimento

Por Débora Maciel – Psicanalista/Psicopedagoga

A Análise pessoal é uma das exigências do Tripé da Psicanálise (Análise Pessoal, Estudo das Teorias e Supervisão).
Para um Psicanalista é muito importante fazer Análise Pessoal, pois é ela que dará a maior base para um atendimento psicanalítico. Se a análise do Psicanalista for rasa ou inexistente, o seu atendimento também será raso, sem condições de levar seu paciente a camadas mais profundas do inconsciente. É preciso que ele tenha ido até mais fundo para conhecer o caminho e conseguir estar com seu paciente lá também, compreendendo o quanto é dolorido e que o tempo do paciente é importantíssimo para a expansão da Análise Pessoal.
Infelizmente, hoje se vê profissionais se dizendo qualificado e atendendo sem esse preparo. O que, considero eu, um desrespeito ao paciente, como também, uma certa crueldade, pois o profissional sem as ferramentas necessárias pode causar mais estrago e piorar a situação do paciente.
Outros se julgam tão experientes que acreditam não precisar mais dessa ferramenta e, em algum momento irão travar a análise do seu paciente, pois entrará em conflito com a sua verdade e ele não terá o preparo para lidar com ela sozinho, não conseguindo levar seu paciente além.
Para estar com o paciente de coração nessa caminhada é preciso cuidar de si, é preciso manter o Tripé, é preciso respeitar a si e o seu tempo para respeitar o paciente e o tempo dele.
Para se qualificar Psicanalista o mesmo precisa acreditar na Psicanálise e manter seu tripé em dia, mesmo sendo doloroso, mesmo sendo difícil, caso contrário, não pode se nomear realmente Psicanalista.
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Grupo de Mães

Acolhendo Mães

Mães Reunidas

O grupo Acolhendo Mães se reuni uma vez por semana para conversar sobre os desafios, dificuldades e conflitos da maternidade. Juntas podemos compreender e conhecer muito mais sobre esse mundo divino. Também compartilhamos experiências e vivências.

Nossos encontros acontecem toda QUARTA-FEIRA às 8:30h. No endereço Rua PRUDENTE DE MORAES, 2.160 – RIBEIRÃO PRETO/SP e são conduzidos pela Psicoterapeuta DÉBORA MACIEL.

Toda semana abordamos assuntos diferentes e também recebemos profissionais de outras áreas que trazem assuntos relacionados a maternidade.

São BEM VINDAS as GESTANTES E MÃES DE BEBÊS ATÉ 2 ANOS. Você pode trazer seu bebê para que ele interagir e brincar com as outras crianças.

VENHA PARTICIPAR!!

Para informações, entre em contato (16) 98220-8272.

Atividades Infantis

Tinta Caseira e Comestível

Pintar é sensacional, para as crianças então, é uma atividade mágica, onde se pode criar, colorir e se sujar. E para as crianças pequenas que muitas vezes podem colocar na boca, como poderia se fazer? Não deixá-las experimentar essa atividade espetacular? Ah, pois existe uma solução. Pode-se deixar as crianças menores participarem da brincadeira sem se preocupar caso elas venham experimentar um pouquinho de tinta. A TINTA CASEIRA COMESTÍVEL.

Separei algumas receitas que podemos desenvolver uma tinta comestível com ingredientes que possuímos em casa. Vamos as receitas.

RECEITA 1

  • 1 copo de água
  • 1 colher de amido de milho
  • Corantes Alimentícios

RECEITA 2

  • 10g de farinha de trigo
  • 25ml de água
  • Corante Alimentício

RECEITA 3

  • Iogurte
  • Corante Alimentício

RECEITA 4

  • Água
  • Corante Alimentício

MODO DE PREPARO

Em cada receita é importante misturar todos os ingredientes. Acrescente aos poucos o corante alimentício para obter a cor desejada. Na ultima receita (RECEITA 4) é necessário congelar a mistura colocando em forminhas com as cores separadas e utilizá-las apos a mistura estar congelada para obter as tintas.

DICAS: Utilize corantes naturais. Em pó: canela, colorau, café, chocolate, chá, açúcar, etc. / Frutas: morango, tomate, amora, manga, framboesa, etc. / Legumes ou folhas: cenoura, repolho roxo, espinafre, beterraba, pimentão, salsinha, etc.

Tabela de cores e ingredientes naturais

Créditos (foto): greenme.com.br

Tentantes|Gestantes|Maes

A Amamentação

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

Logo que o bebê nasce, não existe um consciente e um inconsciente, o que há é apenas um complexo anatômico e fisiológico com o potencial para o desenvolvimento de uma personalidade. O consciente aqui neste momento é a mãe. A continuidade é a base para o desenvolvimento da personalidade, a continuidade que está implícita na ideia que tudo que fez parte do indivíduo não se perde, pode nunca vir a se tornar consciente, mas estará lá em algum lugar (WINNICOTT, 2013).

Para que um dia o potencial venha se manifestar é preciso que o indivíduo viva em condições ambientais adequadas. É interessante falar da maternagem suficientemente boa e lembrar que o bebê tem a “dependência absoluta” da mãe nesta fase e, depois, a próxima fase a levará até a “dependência relativa” tudo seguindo para uma independência (WINNICOTT, 2013).

As mães tentem se colocar no lugar do bebê para descobrir o que ele precisa naquele determinado momento. É claro que elas continuando sendo elas e que assumem a vulnerabilidade do bebê por alguns meses e que logo serão capazes de sair desta situação especial.

Embora a psicanálise se baseie na verbalização e a dê certa importância, Winnicott diz que a comunicação entre a mãe e seu bebê é silenciosa. “O bebê não ouve nem registra a comunicação, apenas o efeito da confiabilidade” (2013, p. 87). O que é registrado no decorrer de seu desenvolvimento é a segurança e confiabilidade. O bebê só terá conhecimento da comunicação quando esta confiabilidade lhe faltar, aqui vemos a diferença de possuir ou não o amor humano.

Em qualquer idade a criança precisa de ser amparada afetuosamente, ela necessita de forma física de amor, a qual foi naturalmente dada a ela pela mãe quando a transportou no ventre e a segurou no colo. As mães desenvolvem uma capacidade de identificar o bebê que vai de encontro com a necessidade básica do recém-nascido, o que ninguém ou máquina poderia imitar e também não pode ser ensinado. É num abraço bem seguro que a mãe consegue passar para o bebê muito mais do que segurá-lo, neste abraço ela passa segurança, carinho, atenção, aconchego e, neste momento, é tudo que o recém-nascido mais precisa.

É quando a mãe segura seu bebê que começa a comunicação entre eles, a mais importante comunicação entre eles. Neste movimento tem-se duas coisas importantes, “a mãe segurando o bebê, e este sendo segurado e atravessando rapidamente uma série de fases do seu desenvolvimento que são de extrema importância para a sua afirmação domo pessoa” (WINNICOTT, 2013, P. 86). O desenvolvimento do bebê ocorrerá dependendo da forma como ele for segurado e manipulado.

Profissionais da área da saúde podem dizer que não existe nada nas relações humanas que seja mais poderoso que o vínculo entre um bebê e uma mãe (seio) durante o período da amamentação. A relação do bebê com sua mãe durante o processo de amamentação é muito intensa. Essa relação inclui a excitação da expectativa, a experiência da atividade durante a amamentação, a sensação de gratificação, o repouso ou acalmaria da tensão instintiva resultante da satisfação.

Além disso, há as relações da criança com a mãe durante a amamentação e as experiências excretoras que comportam uma excitação em si e um clímax. O conjunto destas relações constitui uma tarefa para a criança, um deles é o instinto, que é despertado, e o outro é que a mãe constitui o meio circundante e a provedora das suas necessidades básicas.

Quando a criança vai conhecendo a mãe e descobrindo tudo que ela é e faz por ela, esta tem o desejo de retribuir por tudo que ela lhe forneceu. A partir daí, a criança se converte em ser humano também, com a capacidade de reter o momento de carinho e atenção, a qual deve alguma coisa que ainda não foi pago. Neste momento, dá se origem à sensação de culpa e da capacidade infantil para sentir-se triste se a mãe amada está ausente. Se a mãe tiver existo em uma amamentação satisfatória e como uma pessoa única na vida da criança durante um certo período de tempo, o desenvolvimento emocional da criança terá percorrido o caminho para um desenvolvimento saudável.

A mãe que não pode amamentar seu bebê no peito por algum motivo e adere a mamadeira ou outro meio de amamentação, consegue realizar uma grande parte de estabelecer a relação humana, proporcionando a gratificação instintiva nos momentos de excitação alimentar. Porém parece que, as mães que são aptas a amentarem seus filhos no peito estão propensas a encontrarem uma experiência mais rica para si própria no ato de amamentar, e isso, parece que contribui para o estabelecimento das relações entre os dois mais cedo.

É comprovado que além disso tudo, o bebê tem ideias, isso é de extremo valor para estudos relacionados a alimentação ao peito materno.

Todas as funções são elaboradas na psique, e mesmo no início há uma fantasia associada à excitação e à experiência alimentar. A fantasia, tal como se depreende, é a de um implacável ataque ao seio materno e, finalmente, à mãe, logo que a criança se apercebe de que pertence à mãe o seio que é atacar. Há um elemento agressivo muito forte no primitivo impulso de amor, que é o impulso para mamar. Nos termos da fantasia de uma data ligeiramente posterior, a mãe é implacavelmente atacada e, embora só uma pequena parcela de agressão seja observável, não é possível ignorar o elemento destrutivo nas pretensões da criança. A amamentação satisfatória faz cessar fisicamente a orgia e circunscreve também a experiência fatansiosa, não obstante, desenvolve-se um elevado grau de apreensão por causa das ideias agressivas logo que a criança começa a ter discernimento bastante para concluir que o seio que era atacado e esvaziado é parte integrante da própria mãe.” (WINNICOTT, 1964, P. 58 e 59).

O bebê que é amamentado no peito logo começa a ter a capacidade de usar objetos que se pareçam ou lembrem o seio materno e, consequentemente, da mãe. Ele usa o punho, o dedo ou dedos, um pedaço de tecido, ou um brinquedo para representar a relação dela com a mãe. Quando a ideia do seio é incorporada à criança através de experiências concretas, apenas um objeto passará a representar o seio materno.

A mãe também cria “os fundamentos da força de caráter e da riqueza de personalidade do indivíduo” (p.20). Com uma base positiva, a criança a oportunidade de se lançar no mundo de uma forma criativa, também poderá desfrutar e usar o que  ele tem a lhe oferecer. Porém é possível que se a criança não tiver um bom começo não poderá desfrutar e aproveitar nada disso. Com isso pode-se dizer que tempos então “os que têm” e “os que não têm”, isto tudo a ver com aqueles que começaram bem suas vidas e com aqueles que não tiveram um bom começo.

Neste ponto pode-se falar de “seio bom”, o que significa que a criança teve uma maternidade e uma paternidade satisfatória. Isso está relacionado não apenas à amamentação, está relacionado também com o ato de ter sido bem cuidado, segurado e manipulado de forma satisfatória. Em um determinado período do desenvolvimento do bebê, ele tem o impulso de morder, isto trata-se da crueldade, mesmo tendo dentes, a ideia não é de ferir, a função é que se sobreviva. Nesta fase o bebê encontrará um novo significado para o amor e uma novidade surgirá, a fantasia.

A saúde mental do indivíduo é construída desde o início, quem contribui para esta construção é a mãe, oferecendo, o que Winnicott chama de, um ambiente facilitador (“um ambiente em que os processos evolutivos e as interações naturais do bebê com o meio podem desenvolver-se de acordo com o padrão hereditário do indivíduo” – WINNICOTT, 2013, P.20). A mãe que segura seu bebê adequadamente significa que ela foi capaz de atuar como um ego auxiliar, desta forma seu bebê possui um ego desde o primeiro instante. Este ego é frágil e pessoal, mas impulsionado pela adaptação sensível da mãe e com a capacidade de identificar-se com ele, com relação as suas necessidades básicas.

Créditos (foto): https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSJel9Xj43cKsdtAcDOvodQOfwp7CnuCTCiH1-NHKKylbWPhVKd