Atividades Infantis

Slime Caseira

Essa brincadeira todas as crianças gostam. Então para fazer slime de diversas cores e de montão, segue mais uma receitinha.

RECEITA SLIME

  1. Uma xícara (chá) cola glitter ou cola branca
  2. Corante alimentício
  3. Glitter
  4. Uma colher (sopa) Água boricada
  5. Uma colher (chá) Bicarbonato de sódio

MODO DE PREPARO

Misture a água boricada com bicarbonato de sódio, em um recipiente. Em um recipiente separado, misture a cola branca com o glitter, ou utilize apenas a cola com glitter, vá misturando aos poucos o conteúdo dos dois recipientes. Por fim acrescente o corante.

DICA: 1-Use corantes naturais. 2-Guarde em local fresco e arejado. 3-Mantenha em um pote bem fechado ou em saquinho plástico. 4-Não indicado para menores de 3 anos.

Crédito (foto): pinterest.com.br

Atividades Infantis

Atividades para Crianças

Hora da Brincadeira

Segue aqui algumas atividades selecionadas com todo o carinho para que os pais possam conduzir e se divertir com seus filhos. São atividades simples e que podem ser realizadas em casa. Aproveitem!!!!

ATIVIDADE 1 – BARBANTE CEGO

Materiais

  1. Barbante
  2. Papeis

Nos papeis escreva tarefas a serem executadas pelas crianças, pode ser dançar, cantar, gritar, pular, correr, abraçar, beijar, etc. Com o barbante faça um caminho passando por alguns lugares amarrando na altura da criança, cole os papeis com as tarefas no barbante. Agora amarre uma venda nos olhos das crianças e elas serão guiadas pelo barbante até a próxima tarefa ao alcançá-la irá abrí-lo e cumprir a tarefa, fará isso até o final do caminho.

ATIVIDADE 2 – TINTA E ALGODÃO

Materiais

  1. Tinta colorida
  2. Vasilha para colocar a tinta
  3. Algodão
  4. Prendedor de roupa
  5. Papéis

Coloque a tinta em potes cada um com uma cor. Fazer bolinha com o algodão e prendê-lo no prendedor de roupas. Dê para a criança molhar na tinta e pinta no papel.

ATIVIDADE 3 – PÉS DIFERENTES

Materiais

Sapatos de tamanho e modelos diferentes

Colocar em cada pé um modelo ou tamanho de sapado diferente e tentar andar com eles. Pode ser também com os pés trocados.

ATIVIDADE 4 – COORDENAÇÃO MOTORA

Materiais

  1. Gelo
  2. Vasilha
  3. Água
  4. Colher

Colocar os gelos em uma vasilha com água. Dar para cada criança uma colher para que ela tire o gelo mais rápido e em maior quantidade antes que ele derreta.

ATIVIDADE 5 – EQUILÍBRIO

Materiais

Papel

Coloque o papel na cabeça e tente equilibrá-lo andando por lugares diferentes sem deixá-lo cair.

ATIVIDADE 5 – BONECO GIGANTE

Materiais

  1. Papel grande de embrulho ou vários papéis colados mais ou menos do tamanho da criança.
  2. Caneta
  3. Tinta, canetinha de hidrocor, giz de cera ou lápis de cor

Desenhe o contorno do corpo da criança no papel, entre ele a ela e deixe que seja colorido da forma que ela quiser.

ATIVIDADE 6 – PULA-PULA

Materiais

  1. Colchão
  2. Almofadas

Espalhe as almofadas com o colchão no chão da sala e deixe que as crianças pulem de um lado para o outro, à vontade.

ATIVIDADE 7 – TREM VAI E VEM

Nesta brincadeira uma criança fica atrás da outra segurando nos ombros. A criança da frente conduzirá o trem da maneira que desejar e para a hora que quiser, as outras crianças terão que tentar acompanhá-la sem soltar as mãos dos ombros.

ATIVIDADE 8 – MALABARISMO COM BEXIGA

Materiais

  1. Bexigas cheias
  2. Lençol

Segure nas pontas do lençol, pode ser uma criança cada ponta. Coloque em cima o máximo de bexiga que conseguir. Agora tente equilibrá-las sem deixá-las cair.

ATIVIDADE 9 – MENSAGEM INVISÍVEL

Materiais

  1. Limão
  2. Pinceis
  3. Papel
  4. Recipiente

Esprema o limão em um recipiente. Com o pincel as crianças escreverão ou desenharão uma mensagem ou desenho no papel. Com o secador seque o papel antes que o limão seque e a mensagem aparecerá.

ATIVIDADE 10 – ONDAS NA ÁGUA

Materiais

  1. Bacia ou banheira com água
  2. Sementes de feijão

Ir jogando as sementes na água e ver quantas ondas se faz. Dessa forma ver quem consegue fazer mais ondas na água.

ATIVIDADE 11 – ARTE NO PAPEL TOALHA

Materiais

  1. Papel toalha
  2. Caneta hidrocor
  3. Borrifador de água

Faça um desenho no papel toalha com a caneta hidrocor. Depois borrife a água no desenho e espere secar, vendo como cada desenho ficará.

Que vocês possam criar o hábito de brincar com seus filhos. Aproveitem as brincadeiras aqui sugeridas e nos conte como foi nos comentários abaixo. Tire fotos e compartilhe nas redes sociais com a #tratamentedeboramaciel e #tratamenteblog.

Ótima diversão!!!

Credito (foto): pinterest.com.br

Atividades Infantis

Atividades para Bebês 2

Andei pesquisando algumas atividades para bebês acima de um aninho e separei para vocês uma seleção de sugestões que espero que ajudem os pais a se divertirem com seus filhos.

ATIVIDADE 1 – IMITAÇÃO

Os bebês amam imitar, testar e fazer caras e bocas. Olhe para o bebê e faça algo e espere até o bebê fazer também, pode ser um sorriso, mostrar a língua, uma careta, sons, etc. Ele irá se divertir muito, principalmente quando perceber que consegue fazer a mesma coisa que você. Para ficar mais divertido e acionar outras áreas do seu desenvolvimento, faça com ele em frente ao espelho.

ATIVIDADE 2 – PEGA-PEGA

Dá para brincar de pega-pega com o bebê? Dá sim!!! Se seu bebê já anda, você pode correr em direção a ele e dizer “vou pegar”, no começo ele pode correr em direção a você, mas logo que ele entender a brincadeira irá correr em direção contrária para você pegá-lo. Isso ajuda a treinar e fortalecer as perninhas que começaram a andar recentemente.

ATIVIDADE 3 – BOLAS NA CAIXA

Os bebês se divertem muito com essa brincadeira e podem ficar um bom tempo entretido nela. Pegue duas caixas, em uma você coloque bolas de cores, tamanhos e pesos diferente. Agora comece colocando as bolinhas na caixa vazia e diga a ele “vamos colocar as bolinhas aqui”, quando ele já estiver colocando, deixe que ele faça, se ele pegar uma bola e ficar olhando e não quiser colocar dentro, espere e deixe que ele explore. Nesta atividade ele poderá perceber que as bolas são de tamanhos, cores, e pesos diferentes. Outra sugestão é trocar as bolas por objetos diferentes.

ATIVIDADE 4 – PIQUE-ESCONDE

Pique-esconde também é uma atividade que é possível desenvolver com os bebês. Peça para que alguém se esconda e pergunte para o bebê “cadê (nome da pessoa)”, logo você verá ele procurando a pessoa. Esta atividade é uma evolução da brincadeira CADÊ, sugerida em “Atividades para Bebês 1”.

ATIVIDADE 5 – BRINQUEDOS E CORES

Você criará dois espaços próximos, em um colocará brinquedos de uma cor e em outro de outra. Dizendo a cor, comece a pegar os brinquedos e colocá-los junto (exemplo: em um brinquedos amarelos e em outro brinquedos azuis). Perceba que o bebê logo irá repetir, pegando e colocando cada cor no espaço correspondente. Mesmo que ele ainda não saiba as cores, esta atividade fará com que ele se familiarize com elas e reconheça que cada brinquedo possui uma cor diferente. Tente utilizar as cores primárias (amarelo, azul, vermelho).

ATIVIDADE 6 – CABANA EM CASA

Para essa atividade, pegue um lençol grande e coloque sobre a mesa, embaixo da mesa se torna uma cabana onde dentro pode ser o espaço do bebê e ali pode-se brincar, ler historias e até tirar um cochilo.

ATIVIDADE 7 – BOLICHE

Pegue algumas garrafas pet, coloque uma ao lado da outra, coloque o bebê sentado próximo e dê lhe uma bola e diga para ele jogá-la em direção as garrafas. Se você perceber que ele não entendeu direito a brincadeira, faça você primeiro e incentive que ele repetirá depois.

DICA: Se durante as brincadeiras sugeridas o bebê criar outro método de brincar, está tudo bem. Deixe ele ser criativo e soltar a imaginação.

Crédito (foto): facaamolada.com.br

Tentantes|Gestantes|Maes

POBREZA E RIQUEZA DE PERSONALIDADE

Por Débora Maciel – Psicanalista e Psicopedagoga

“Os que cuidam de crianças devem ser capazes de pensar em termos de pobreza e riqueza de personalidade” D. Winnicott

Esta frase me fez refletir…

Acredito que os pais precisam pensar nisto, em “pobreza e riqueza de personalidade”.

Estamos criando mais do que o futuro da nação, estamos construindo o futuro para nossos filhos. São eles, quebrados ou não, remontados ou não, embasados ou não, educados ou não, felizes ou não, sociáveis ou não, tristes ou não. São eles que viverão, são eles que enfrentarão um futuro lá na frente.

E mais do que qualquer coisa, nós como pais, precisamos pensar como queremos que eles estejam no futuro. Para isso é preciso construir um presente. Dai você me pergunta: Não vamos falar então em futuro? Vamos falar em presente? Presente!?!? Presente que ganhamos no aniversário, no dia das crianças, no natal???? E eu te respondo: NÃO… Este presente é muito mais do que isto, este presente refletirá o futuro para nossos pequenos, este presente os ajudará a encarar o futuro que está por vir.

Quando pensamos em personalidade, parece que sobe um frio pela espinha. Mas é para ser assustador e incentivador ao mesmo tempo. É para nos fazer pensar, e pensar realmente com garra e empenho. O que, ou melhor, como quero que meu filho esteja no seu futuro. Isto é muito maior do que se pode ver, vai além de corpo e mente, vai além de finanças e prosperidade, cargos ou faculdades.

Então é pensar em educação??? Não somente isto, é mais. É pensar em um serzinho que está aqui, que cabe em meu colo hoje e que amanhã estará dirigindo sua própria vida.

Ser presente, ser realmente PAI e realmente MÃE. Se mostrar disponível para seu filho.

E nos perguntamos: Mas o que é ser realmente PAI e MÃE???? Quando pensamos nisto, parece impossível, parece talvez inalcançável.

E eu te respondo: Para ser um verdadeiro e real PAI e MÃE basta estar com seu filho de alma, coração e presença. Basta rolar no chão, ficar descalço, brincar, dar gargalhadas, jogar bola, andar de bicicleta, assistir TV, desenhar, ler, pintar… Deixe se levar pela brincadeira com seu filho, deixe que ele te conduza. Por um momento seja apenas o parceiro de brincadeira do seu filho. Isto é ser presente, isto é pensar no futuro para eles, isto é riqueza de personalidade. Trazer esta riqueza para sua criança é muito mais do que qualquer outro valor imaginável ou não. Isto é o real valor para uma personalidade bem embasada e com “tijolos” saudáveis.

Convido você a pensar em criar momentos e oportunidades para a criação de “riquezas de personalidade” para nossos pequenos. Pense em um dia de cada vez: só por hoje eu conseguirei e irei dormir com a sensação de uma tarefa bem realizada e concreta para mim e nossos filhos. Nossos filhos precisam de nós hoje, agora. “O amanhã trará suas próprias preocupações”, vamos nos empenhar a realizar o hoje.

Esteja mais disponível para sua criança e com certeza você começará a ver que educar começa a ficar um pouco mais fácil e alcançável. Você se sentirá fazendo o “certo” e, com isto, se cobrará menos, não com o intuito de relaxo, mas com o intuito de tranquilidade e de fluidez. “Ouça e se perceberá sendo ouvido”. Eles precisam se sentirem seguros e guiados e quando nos fazemos disponíveis e estamos ali realmente presentes, uma luz no final do túnel da educação é mais visível e existirá.  

E é só isso!?!?!?! Para ser sincera… não, não é só isso, mas se pode começar por aqui e, com certeza, grande passo já se terá dado.

Créditos (foto): https://publicidadeecerveja.files.wordpress.com

Tentantes|Gestantes|Maes

Minicurso: Desfralde com Respeito

Tentantes|Gestantes|Maes

Minicurso: Amamentação e o Emocional Mãe e Bebê

Transtornos

Esquizofrenia

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

“…pacientes psicóticos tem uma severa falta de desenvolvimento do ego, com imagens do eu e objetais muito indiferenciadas e a concomitante falta de fronteiras do ego… ” – Kernberg.

A esquizofrenia é uma doença biológica que envolve alterações cerebrais de nível celular e químico, comprometendo diferentes funções do psiquismo. Considerada um distúrbio psicótico, a pessoa esquizofrênica perde contato com a realidade, criando idéias irracionais ou percepções distorcidas. Pode se dizer que a esquizofrenia é uma divisão da realidade com distúrbios do pensamento, perceptivos e emocionais e com ações impróprias.

Sua causa é multifatorial, a qual, apresenta fatores genéticos e ambientais. A hereditariedade é um aspecto importante, os genes, uma vez presente no código genético de uma pessoa com predisposição a doença, e os fatores ambientais – tais como, traumatismo no parto, infecções maternas durante a gestação, experiências psicológicas negativa na infância, etc. – influenciam diferentes etapas do desenvolvimento e amadurecimento do Sistema Nervoso Central, provocando alterações cerebrais que serão o ponto crucial para os sintomas da doença.

O pensamento do esquizofrênico é fragmentado, distorcido por falsas convicções, conhecidos como delírios. Sua atenção é deteriorada, ou seja, qualquer estimulo ou parte do pensamento o distrai. Além de perceberem coisas que não existem, eles possuem alucinações, sendo a maioria auditiva, comparados a sonhos em uma mente desperta, ou seja, transformando o irreal em real.

Estudiosos afirmam que a esquizofrenia, geralmente, inicia-se na adolescência e no inicio da vida adulta, variando entre os 15 aos 45 anos, podendo raramente ocorrer na infância, atingindo tanto homens quanto mulheres. Normalmente eles possuem dificuldades para evoluir nos estudos, trabalhos e formar família.

Bleuler colocou quatro sintomas principais da esquizofrenia: afrouxamento dos nexos associativos do pensamento – são idéias associadas de forma errada e com prejuízo da lógica – o autismo – comportamentos introspectivos, isolamento social e dificuldade de relacionamento e comunicação com outras pessoas – a afetividade ambivalente – contradição de emoções e sentimentos em diferentes contextos e situações sociais, levando a inadequações de expressões afetivas, com reações de raiva, tristeza e alegria onde esta resposta não é esperada – a avolição – ausência de vontade, comportamento desmotiva e apático, sem interesse ou persistência em atividades diárias ou com aumento da ociosidade.

Os esquizofrênicos vivem a maior parte do tempo, em um mundo interior, preocupados com idéias ilógicas e imagens irreais. Muitos oscilam em caráter esquizofrênico e outros permanecem retraídos e isolados socialmente. A esquizofrenia não é uma doença curável os portadores desta doença têm surtos que vão e voltam.

Alguns indivíduos com esquizofrenia, desde a infância ou inicio da adolescência, possuem dificuldades escolares, problemas com atenção (memória ou aprendizado), dificuldade de iniciativa e persistência nas tarefas, limitações intelectual (pouca leitura e estímulos por deficiências cognitivas), alterações na capacidade de socialização e comunicação, comportamento impulsivo e dificuldade de perceber e lidar com suas limitações.

Enquanto outros têm bom desempenho pessoal, estudam, são independentes, inteligentes e tem maior autonomia. A primeira crise nestes indivíduos acontecerá de forma como um retrocesso e perdas de conquistas implicando nos campos afetivo, de relacionamento pessoal, familiar, laborativo, relacionados ao trabalho e estudos. Podendo, em alguns casos, voltar a vida anterior na estabilidade da doença; no entanto outros não conseguem voltar a trabalhar,  podendo ocupar-se com outras atividades sem sobrecarregar-se.

A esquizofrenia sofre influencias biológicas e genéticas (hereditariedade) e também ambientais (meio externo). As influencias biológicas e genéticas está relacionada aos genes (DNA), ou seja, a existência de outros membros da família com o transtorno e que a probabilidade de uma pessoa ter esquizofrenia está correlacionada com a proximidade do parentesco. O Modelo Estresse-diátese reúne a causa da esquizofrenia, onde é representado os fatores biológicos da doença como os genes de predisposição à esquizofrenia. As causas vindas do ambiente estão relacionadas a traumas físicos ou psíquicos, experiências psicológicas negativas, infecções durante a gestação ou na primeira infância, complicações da gravidez e do parto.

Possuir os genes não significa necessariamente que a pessoa adoecerá, os pais podem possuí-lo e não os manifestá-lo e o filho manifestar a doença posteriormente. Para que ela se desenvolva, é necessário que se instale o fator ambiental. Existe uma interação entre fatores ambientais e genéticos, desde a concepção a vida intrautero até o final do desenvolvimento cerebral na adolescência. De certa forma, os genes ficam “adormecidos” e só serão ativados se algum fator externo determinar. Após a ativação os genes provocam alterações no cérebro durante seu desenvolvimento, deixando o individuo com risco maior de adoecer na adolescência e na fase adulta.

O termo mais conhecido aplicado a estados mentais, onde uma pessoa perde conexões com a realidade do mundo exterior, é a psicose, ela está presente não só na esquizofrenia como também em outras doenças psiquiátricas. A psicose é uma síndrome com ocorrências de delírios e alucinações, os pacientes perdem a capacidade de reconhecimento da realidade acreditando muito mais em suas experiências internas do que na realidade externas. Sua característica fundamental PE o prejuízo da capacidade de julgamento ou ajuizamento da realidade, o que normalmente acontece em casos de desorganização psíquica grave, como a desorganização de pensamentos, de emoções e comportamentos.

Quando as alucinações e delírios vêm a tona leva-se o nome de surtos. No caso da esquizofrenia, os sintomas psicóticos vão surgindo gradativamente e surgem no momento da primeira crise, quando é tão abundante que o indivíduo não consegue mais esconder. Esta evolução é tão lenta que pode levar ano para ser revelado.

Pela variedade de sintomas e pela multiplicidade de fatores envolvidos na origem da esquizofrenia, ela pode ser considerada um grupo de várias doenças diferentes. Cogita-se em espectro esquizofrênico onde estariam inseridos a esquizofrenia e as demais psicoses e o transtorno de personalidade esquizotípico, uma espécie de personalidade pré-esquizofrenica que encontramos em alguns pacientes antes do primeiro surto. Apesar toda esta variabilidade, a maioria dos pesquisadores permanece firme quanto a ela ser uma doença única com diversas apresentações.

Kraepelin e Bleuler classificaram a esquizofrenia em principais subtipos da esquizofrenia: a paranóide, desorganizado (antes conhecida como hebefrenica), catatônico, indiferenciado e residual.

Esquizofrenia Paranóide: Sua característica principal são os delírios e as alucinações auditivas e visuais (um ou mais), principalmente os delírios de perseguição ou grandeza. O primeiro episodio da doença costuma aparecer entre os 20 e 30 anos, onde alguns indivíduos já estabeleceram uma vida social que o ajudará durante a doença. Eles são menos atingidos em suas faculdades mentais, respostas emocionais e comportamentais. Apresentam tensão, desconfiança, agressividade, são hostis e reservados. Normalmente comportam-se bem socialmente.

Esquizofrênico Desorganizado (hebefrenico): Possui desorganização psíquica, apresentam pouco delírios ou um delírio simples, caracteriza por uma regressão acentuada a um comportamento primitivo (infantil). O inicio costuma ser antes dos 25 anos. Tem grande dificuldade em expressar sentimentos e reações afetivas dificultando sua compreensão. Tem dificuldade em atividades que exijam habilidade e/ou agilidades por ter movimentos desengonçados, lentos ou bruscos.

Esquizofrenia Catatônico: Neste tipo de esquizofrenia destaca-se essencialmente uma perturbação psicomotora, a qual envolve estupor (estado mórbido), negativismo, rigidez, excitação ou posturas. Incluem estereotipias, maneirismo e flexibilidade, como características associadas. O individuo pode se tornar inteiramente introspectivo e a fala fica ausente.

Esquizofrenia Indiferenciado: São indivíduos esquizofrênicos que não se encaixam em um tipo ou outro.

Esquizofrenia residual: Tem como características a presença continua de perturbações esquizofrênicas com ausência de sintomas ativos ou suficientes para classificação. Possui dificuldade de expressar emoções, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico, leve diminuição de associações.

Apesar desta classificação de subtipos ser muito usada, alguns pesquisadores propôs uma divisão em tipos de sintomas, sendo eles positivos e negativos, proposta esta que ganhou maior aceitação.

Os Sintomas Positivos representam sintomas que o individuo possui mais do que o comum, ou seja, têm qualidade de adição, como os delírios e as alucinações, diminuição de associações, comportamento bizarros e fala aumentada.

Já os Sintomas Negativos são sintomas que o individuo possui a menos que o comum, como diminuição afetiva, pobreza de discurso e de conteúdo, bloqueio, desalinho pessoal, falta de motivação, anedonia, retraimento social, defeitos cognitivos e déficits de atenção. Indivíduos que possuem sintomas positivos têm estruturas cerebrais normais e respostas relativamente boas a tratamentos. Os que possuem sintomas negativos têm anormalidades nas estruturas cerebrais e fraca resposta ao tratamento. Estes sintomas se misturam em graus variados independente dos subtipos de esquizofrenia contribuindo para a diversidade clinica dessa doença. Enquanto os esquizofrênicos paranóides possuem mais sintomas positivos os desorganizados e catatônicos possuem mais sintomas negativos.

Além destes sintomas, a esquizofrenia possui outros que não podem deixar de serem mencionados, são eles, delírios e alucinações.

Os Delírios são crenças fantasiosas capazes de interferirem no comportamento, atitudes, relações e na forma de a pessoa avaliar e julgar a realidade. Os delírios como são produtos do pensamento, tem uma possibilidade infinita de temas, como por exemplo, Delírios de Perseguição: particular da esquizofrenia paranóide, é conhecido como paranóia ou mania de perseguição, causando atitude de medo e defesa – Delírios de Autorreferência: o individuo acredita estar em evidencia, sendo o centro das atenções, este geralmente acompanha os delírios de perseguição – Delírios Misticos ou Religiosos: esse refere-se a temas ligados a Bíblia e à religiões cristãs – Delírios de Grandeza: o paciente sente-se poderoso, melhor que outras pessoas, com dons especiais, como o de prever o futura, influenciar pessoas ou fatos externos, como clima, guerras, catástrofe, acredita ser alguém famoso ou com poder; portam-se com arrogância e prepotência, dificilmente acreditam que estão com problemas recusando a fazer tratamento – dentre outros.

As Alucinações são a falta de percepções de objetos inexistentes e que possuem as mesmas características das percepções reais, ou seja, tem-se a clara percepção de um objeto sem que de fato ele exista. Diferente das ilusões que podem ser corrigidas, as alucinações não podem ser alteradas pela vontade própria. As ilusões são comuns no dia-a-dia, no entanto as alucinações são sempre patológicas é resultado de um funcionamento anormal do cérebro, que cria percepções falsas ou julga erradamente percepções internas como externas. Em outros distúrbios psíquicos (depressão, transtorno bipolar, alcoolismo) e neurológicos (isquemia ou derrame cerebral, demência, tumores, esclerose múltiplas) também pode existir a presença das alucinações, porem em todas o individuo sofre perturbação mental intensa com alteração de seu comportamento. As alucinações podem ocorrer nos cinco sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) e também na percepção do funcionamento interno do corpo (batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, metabolismo, respiração, etc.).

O comportamento de pessoas com esquizofrênica é uma conseqüência dos sintomas, como os delírios e alucinações, a desorganização psíquica e do pensamento e os sintomas negativos e cognitivos; seria difícil qualificá-los como sendo como específicos da doença, já que, são sintomas universais e comuns a todos pacientes. Portanto, segue alguns comportamentos que são freqüentes na esquizofrenia: Agressividade e Impulsividade, os quais se limitam a crises psicóticas apesar de alguns indivíduos, mesmo em momentos críticos, não exibirem comportamento agressivo; os comportamentos impulsivos podem ser tanto heteroagressivos (dirigidos a outros) como autoagressivos (dirigidos a si mesmo). Asseio corporal e Cuidado com a aparência, relacionado ao descuido com a higiene e aparência física e falta de cuidado com a saúde. Inquietação e Agitação psicomotora, a inquietação começa por uma ansiedade desprovida de um estado de angustia que extrapola o limite psíquico se expandindo para esfera corporal causando inquietação motora, a qual pode vir acompanhada de impaciência e irritabilidade. Rígido e Repetitivo, alguns desenvolvem rituais, manias podendo também desenvolver sintomas obsessivo-compulsivo semelhantes ao TOC. Tentativa de suicídio, geralmente é provocada por uma somatória de fatores, relacionados à doença, à historia da pessoa e à família. Comportamento Hipersexualizado, possui dificuldade de conter impulsos sexuais e sexualidade imatura, sendo mais comum em esquizofrênicos desorganizados (hebefrênicos). Comportamento regredido e Infantil, possuem atitudes pueril e infantilizada, parecem ingênuos, riem a toa ou fazem “birra”. Uso e abuso de Álcool e outras Drogas, uso e abuso de substancias, como álcool, tabaco, drogas ilícitas.

TRATAMENTO

A esquizofrenia atinge indivíduos que possuem perfil psicológico individual, família e social único. No enfoque terapêutico o tratamento deve ser voltado para como ele será ajudado pelo tratamento. Os agentes farmacêuticos são utilizados para presumíveis desequilíbrios químicos e as estratégias não farmacológicas devem abordar questões não biológicas também. No entanto, os enfoques terapêuticos isolados raramente é suficiente para uma abordagem satisfatória. Por isso, as modalidades psicossociais devem ser integradas ao regime de tratamento medicamentoso e apoiá-lo. Segundo pesquisas, a maioria de paciente esquizofrênicos se beneficiam do uso combinado de tratamentos medicamentoso e psicossocial.

A hospitalização é adquirida com a finalidade diagnostica, estabilização de medicamentos, segurança do paciente em casos suicida ou homicida e comportamentos amplamente desorganizados, incluindo incapacidade de necessidades básicas.

Para os tratamentos somáticos são utilizados antipsicóticos, divididos em três classes principais, os antagonistas dos receptores dopamínicos, risperidona e clozapina. Outro tratamento somático utilizado é a terapia eletroconvulsiva, sendo indicada para pacientes catatônicos e para pacientes que por algum motivo não podem domar antipsicóticos.

Nos tratamentos psicossociais pode-se utilizar a terapia: com tratamento voltado para as necessidades e deficiências do paciente utilizando a técnica de reforço e treinamento de habilidade social para aumentar a capacidade de relacionamento social, auto suficiência, habilidade pratica e comunicação interpessoal. O reforço utilizado é através de elogios e recompensas. Terapia orientada para a família: quando o paciente recebe alta e volta para esta família, a mesma precisa estar preparada para recebê-lo, o foco da terapia deve estar sobre situações imediatas e deve incluir a identificação e evitamento de situações potencialmente problemáticas. Após a alta, também é importante focar no processo de recuperação, principalmente sua extensão e freqüência. Terapia de grupo: é focada em planos para a vida real, problemas e relacionamentos. É efetiva principalmente para a redução de isolamento social, aumento do senso de coesão e melhora o teste de realidade de pacientes com esquizofrenia. Psicoterapia individual: a utilização da terapia individual se torna útil e se soma aos do tratamento farmacológicos.

Conceito

Teoria Estrutural da Mente

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

O termo Estrutural, em psicanálise, define um conjunto de elementos que constituem uma relação organizada sendo interdependentes entre si. Sendo assim, uma estrutura é um sistema, de forma que uma mudança qualquer em um dos componentes provoca alteração nos demais. Diante disto, basicamente, a Teoria Estrutural (Id, Ego, Superego) – criada por Freud entre 1.920 e 1.923 – é um sistema, onde as pulsões do Id, as funções do Ego, os mandamentos do Superego e as realidades ambientais externas, agem entre si de forma continuada e indissociada, influenciando assim um ao outro.

ID

Antes de qualquer coisa, convém ressaltar que, pulsões, segundo Freud, “representa o conceito de algo que é limite entre o somático e o psíquico”, ou seja, uma fonte de excitação que estimula o organismo a partir de necessidades vitais interiores e o impele a executar a descarga desta excitação para um determinado alvo, constituindo quatro fatores inseparáveis: a fonte, a força, a finalidade.  O objeto e a natureza, esta “força energética”, só pode ser conhecida por meio de seus representantes psíquicos.

Houve, no início, uma primeira formulação de um conceito das pulsões essenciais, as pulsões do ego (autoconservação) e as pulsões sexuais (preservação da espécie). A primeira – pulsões do ego – representa um conjunto de necessidades e exigências ligadas às funções corporais, indispensáveis à conservação, desenvolvimento, crescimento e os auto-interesses do ego. A segunda – pulsões sexuais – situa-se no limite somatopsiquico, sendo que, a parte psíquica foi determinada como libido (“desejo”). Mais tarde, Freud descobriu que as pulsões que se referiam tanto ao ego como aos objetos externos não tinham natureza diferente e não cabia mais a distinção entre “pulsões do ego” e “pulsões sexuais”. A dualidade inicial que diferenciava as pulsões do “ego” e as “sexuais”, cedeu lugar a uma nova dualidade: pulsões de vida e pulsões de morte. Concluiu ainda que, o ego tinha uma energia própria e acima de tudo o ego é corporal.

A partir da nova dualidade, as pulsões de vida abrangiam as “pulsões sexuais” e as de “autopreservação”. A libido passou a ser conceituada como energia, e não mais como pulsão sexual, mas sim como pulsão de vida. As pulsões de morte tem como finalidade uma redução de toda a carga de tensão orgânica e psíquica, podendo permanecer dentro do indivíduo sob forma de angustias e, uma tendência à autodestruição, ou fora dele como pulsões destrutivas. Contudo pode-se dizer que, em indivíduos normais, e nos neuróticos, predomina a pulsão de vida, enquanto que nas psicoses, psicopatias, perversões, etc., predominam as pulsões de morte. Em resumo, a pulsão de vida visa juntar, ligar tudo aquilo que estiver separado no individuo e na espécie humana, enquanto a pulsão de morte, ao contrário, é a força de repulsão e rompimento, tende a destruir ligações.

O Id, como instancia psíquica, coincide com o inconsciente, é constituído pelas pulsões de vida e de morte, e, ao mesmo tempo, é um reservatório e uma fonte de energia psíquica. É regido pelo principio do prazer. Interage com as funções do ego e com a realidade exterior. Quase sempre entra em conflito com o superego e, raramente, estabelece alguma forma de aliança para seu próprio alívio.

EGO

Freud afirma que o ego desenvolve-se a partir do id, pela influencia do mundo externo e da necessidade de adaptação deste. Como a maior parte do mecanismo de defesa é inconsciente e o ego era considerado fonte e a sede dessas defesas, Freud notou que o ego não era sinônimo de consciente e nem se confundia com este, mas sim, que ele tinha raízes no inconsciente. O ego sendo a principal instância psíquica funciona como mediador, integrador e harmonizador entre as pulsões do id, as exigentes ameaças do superego e as demandas da realidade exterior.

Quanto à participação do Ego Consciente, cabe destacar algumas funções: a percepção, o pensamento, o conhecimento, o juízo crítico, a inteligência, a discriminação, a memória, a atenção, a capacidade para antecipação e postergação, a linguagem, a comunicação, a abstração, a síntese, a atividade motora.

No Ego Inconsciente são formadas as ansiedades ou angústias. Freud escreveu, entre outros, dois tipos de angústia: a angústia automática e a angústia-sinal. A primeira refere-se a um excesso de estímulos que o ego não consegue processar e, por isso, os reprime, onde surge, então, a ansiedade decorrente de um represamento de desejos, fantasias, sentimento, etc. (este tipo de ansiedade explica as “neuroses traumáticas” e as “neuroses atuais”). A “angústia-sinal”, por outro lado, acontece como sendo um “sinal” que o ego emite diante de uma ameaça, e só então irá processar a repressão.

É no ego inconsciente que surgem os Mecanismos de Defesa, que tem como finalidade a redução das tensões psíquicas internas, ou seja, das ansiedades. Estes mecanismos de defesa processam-se pelo ego e praticamente são inconscientes. Para Freud a defesa é a operação pela qual o ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo o aparelho psíquico. O ego mobiliza estes mecanismos que dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior. Entre os mecanismos de defesas destacam se: o recalque, a forma reativa, a regressão, a projeção, a racionalização, entre outros.

É bom destacar que os conceitos de “ego” e “self”, são distintas, com a intenção de se ter cuidado com isto, pois, o “ego”, como uma instância psíquica, é visto como apenas uma subestrutura da personalidade; enquanto o “self” é conceituado como a “imagem de si mesmo” e composto de estruturas, entre as quais estão não só o ego mais também o id, o superego e a imagem do corpo, ou seja, a personalidade total. Deve ser considerado que as funções do ego variam de acordo com as respectivas etapas evolutivas do desenvolvimento mental e emocional da criança.

SUPEREGO

O Superego é descrito como uma instância psíquica que se separou do ego, ou seja, encarregou-se das funções de um juiz representante da moral, legislador de leis e proibidor das transgressões dessas leis, e passou a condição de poder dominar ao próprio ego que lhe deu origem. Essa instância psíquica é entendida pelo significado da frase “o superego é o herdeiro do coplexo de Édipo”, o que significa que ele está constituído pelo precipitado de introjeções e identificações que a criança faz com aspetos parciais dos pais, com suas proibições, exigências, ameaças, mandamentos, padrões de conduta e o tipo de relacionamento desses pais entre si. Quando a criança supera, com mais ou menos êxito, a sua conflitiva edípica, ele encontra um solução para as angústias acompanhantes desse conflito, pela interiorização dos seus pais dentro de si, a criança se identifica com eles e internaliza as interdições deles. No menino, o complexo de edípico defronta-se com a ameaça de castração; enquanto na menina a angustia de castração diante da mãe que a empurra para o pai, assim forjando o complexo de Édipo e o consequente superego. Além do superego constitui-se como herdeiro do complexo de Édipo, ele contribui para a dissolução desse mesmo complexo através de interdições e ameaças. Ainda foi considerado por Freud que, o superego constitui uma estrutura que engloba três funções: “auto-observação”, “consciência moral” (formação de culpa) e a de “ideal” (“sentimento de inferioridade” quando o ideal não é atingido).

Se a formação do superego é devido a renuncia de desejos edipianos amorosos e hostis, ele também é reforçado por mais dois importantes fatores: A severidade do superego é voltada contra a própria criança, obrigando o psiquismo a se proteger com uma instancia fiscalizadora. E as posteriores influências e exigências sociais, morais, educacionais e culturais.

É imprescindível acrescentar que, “o superego da criança não se forma à imagem dos pais, mas sim à imagem do próprio superego desses pais, de modo que essa criança torna-se o representante da tradição, de todos os juízos de valor que subsistem, assim, através de gerações”, ou seja, o superego dos pais do paciente está identificado com o de seus próprios pais, isto inclui, na formação do superego os valores morais, os éticos, os ideais, os preconceitos e as crenças ditadas pela cultura na qual o sujeito esta inserido.

Contudo o superego também se caracteriza por ser quase totalmente de origem inconsciente, é coposto e ditado pelos objetos internos. É o grande gerador de culpas, com as consequentes angustias e medos, e a sua pressão excessiva no psiquismo é a maior responsável pelos quadros melancólicos e obsessivos graves.

Foi usado por Freud como sinônimos do superego o ego ideal e ideal do ego. No entanto a psicanálise atual mostra uma sutil diferença entre os conceitos específicos que cada um desses termos comporta, onde todos continuam sendo apêndice do superego clássico.

O “Ego Ideal” é constituído como o “herdeiro do narcisismo primário”, ele funciona no plano imaginário, alicerçado na fantasia onipotente, ilusória, própria da indiscriminação com o “outro”, em que “ter” é igual a “ser”, e vice-versa. O sujeito portador do ego ideal predominante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo, além de nutrir ideais virtualmente nunca alcançáveis. O ego ideal costuma estar distante do ego real, mas o sujeito utiliza fortes recursos defensivos de “negação”; como por exemplo, o da renegação, o mais próprio dos estados narcísicos parciais (como nas perversões), ou o da forclusão, presentes nos estados narcísicos totais (psicoses). O sentimento predominante é o de humilhação perante as frustrações das expectativas do ego ideal.

No “Ideal do Ego”, o herdeiro deste ego é projetado nos pais, somando as aspirações e expectativas próprias deles (pais). No sujeito o ideal do ego é conjugado num tempo futuro e condicional:     “Eu deverei ser assim, senão…”. Este pode ser um importante fator estruturante do psiquismo, tanto nos primeiros movimentos identificatórios, como também quando ele está a serviço de um projeto de “um vir a ser”, e também, o sujeito constrói um “falso self” para corresponder a expectativas dos outros, ou a quadros fóbicos e narcisistas, quando a sua permanência é em grau exagerado. O sentimento predominante diante dos eventuais fracassos é o de vergonha.

 

Conceito, Transtornos

Neuroses e Psicoses

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

NEUROSES

A neuroseé um sofrimento psíquico provocado pela coexistência de sentimentos contrários ao amor, ódio, medo e desejos incestuosos para com quem ama e de quem se depende”, com esta definição entende-se que o Édipo é uma neurose ou, pode se dizer que é a primeira neurose saudável na vida de um individuo e sendo a segunda, a crise da adolescência. Assim nossos conflitos com quem mais amamos não passam de reflexos naturais de nossa neurose infantil conhecida como complexo de Édipo. O retorno do Édipo na idade adulta vem em forma de duas neuroses, a neurose ordinária e a neurose mórbida.

A neurose ordinária são todos os conflitos e desentendimentos que se tem com as pessoas que se ama intimamente pelo desejo ardor que sempre existe. Esta neurose é resultado de uma dessexualização insuficiente pelos pais edipianos, os prazeres e angústias de fantasias infantis mal recalcados preservam toda sua violência e geram a neurose cotidiana presente em todos os seres humanos.

Quanto à neurose mórbida e patológica, aparecem como sintomas recorrentes que inclui o ser humano em uma solidão narcísica e doentia. Seja ele fóbico, obsessivo ou histérico, foi provocado por algo mais grave que um recalcamento insuficiente das fantasias edipianas, trata-se de traumas singulares resultante em pleno período do Édipo.

O abandono, real ou imaginário, também provoca uma imensa aflição na criança, a fantasia do abandono resulta na fobia do adulto. O trauma de maus-tratos, reais ou imaginários, que resulta em humilhação à criança levará a uma obsessão. O terceiro trauma é causado por uma experiência de um intenso e sufocante prazer durante um contato excessivo sensual por quem a criança depende (fantasia de sedução), resultando na histeria. Nos três casos estará sempre a presença de angústia de castração sob uma forma doentia tornando-se um terror de castração. A angústia de castração traumatizante, vivida durante a infância, gera uma neurose patológica na idade adulta.

A neurose masculina uma fobia, na idade adulta, é resultante da fantasia de angústia de abandono pelo pai repressor; enquanto a histeria é resultante da fantasia de angústia de ser assediado pelo pai sedutor; e por fim, a obsessão é resultante da fantasia de angústia de ser maltratado e humilhado pelo pai rival.

Na mulher a paixão infantil mais perturbadora é a inveja ciumenta do falo. Na histeria, a menina, agora mulher, ainda acha que não é digna de interesse nem de amor e se torna amarga e triste. Surge nela uma repulsa pela sexualidade, duplicada por uma grande solidão. No complexo de masculinidade, a mulher substitui a ideia de ser castrada e acredita ser munida do Falo. Julga-se onipotente, exibe o Falo em uma atitude de desafio e passa a ter traços masculinos a ponto de ser tornar mais viril que o homem. Uma das variantes desse complexo é a forma assumida de homossexualidade manifesta.

A angústia é uma das variantes edipiana propriamente feminina. Essa angústia feminina é gerada pelo medo na mulher de ser abandonada pelo homem amado, de ser privada do amor de seu companheiro. Agora mulher, ela desconfia dos homens e teme perder o amor, a alegria de amar, ser amada e sentir-se protegida. Se para o homem o Falo é a força, para a mulher é a felicidade de ser amorosa e ser amada por aquele a quem ama, ou seja, para ela o Falo é o amor.

PSICOSE

“Mas creio que estamos lidando com um tipo de doença psíquica que ocorre muito freqüentemente. Pois não há asilo de insanos que não tenha o que devemos considerar como exemplos análogos – a mãe que caiu doente devido à perda do seu filho, e agora embala incessantemente um pedaço de madeira, ou a noiva abandonada que, em seu vestido de noiva, há anos espera por seu noivo” Freud (1894)

No âmbito das Psicoses implica um processo deteriorativo das funções do ego havendo graus variáveis de contato com a realidade, incluindo algumas esquizofrenias crônicas. Além destas, existem os estados psíquicos, qual seria alguma preservação de áreas do ego levando o individuo a adaptar-se ao mundo exterior, como, por exemplo, casos de borderline, personalidades excessivamente paranóides ou narcisistas, algumas formas de perversão, psicopatias e neuroses graves. Incluindo também, quadros clínicos que possibilitam uma recuperação, sem seqüelas, após surtos fracamente psicóticos.

Nas psicoses encontramos também os casos de paciente que, são adaptados, mas possuem condições psíquicas que são caracterizados psicóticos, podendo ser de natureza obsessiva ou somatizante, não designando um diagnostico psicótico, mas apenas uma condição da mente.

Segundo Freud, pessoas normais reprimem o material inconsciente, o neurótico converte-o em sintomas, enquanto o esquizofrênico permite que ele irrompa sob a forma de material de processo primário. Com isso ele afirmava que o sonho é a psicose noturna de toda gente.

Em 1924, Freud escreveu dois artigos sobre a psicologia do ego das psicoses e neuroses. Ele dizia que a neurose era um conflito entre o ego e o id, enquanto a psicose, um conflito entre o ego e a realidade, a depressão como um conflito entre o ego e o superego. Porem no segundo artigo ele mostrou que a perda da realidade na psicose era relativa e não absoluta.

A deterioração das funções do ego inclui outros estados psíquicos, como casos de borderline, personalidades paranóides, narcisistas, formas de perversão, psicopatias e neuroses graves.

Contudo a fraqueza do ego se tornou uma posição central para compreender a esquizofrenia. Então Freud observou que o ego normal varia entre normal e psicótico, sendo possível uma investigação sistemática das diversas funções do ego, onde uma área autônoma ou livre de conflitos do ego se desenvolve independente do id.

O ego do esquizofrênico regride ao um ego infantil tornando naturalmente este ego fraco, o que é diferente de um ego infantil que é fraco porque o individuo é infantil. O esquizofrênico sofre de pânico e quando o pânico continua, ele chega ao estado de catatonia, onde ocorrem três mudanças: a recuperação, quando há uma integração de partes diferentes da personalidade; uma maciça transferência de responsabilidade, quando é levado a um estado de paranóide crônico, e/ou uma deterioração do sistema reprimido e uma regressão ao comportamento da primeira infância, o que se denomina de deterioração hebefrenica.

Freud afirmou que quanto mais profunda seja a patologia maior será a regressão. Tanto as ilusões persecutórias quanto a esquizofrenia são ligadas a fase oral, além disto, o vício, o alcoolismo, distúrbios psicossomáticos, e muitas outras condições severas que estão inclusas como distúrbios de caráter estão ligadas a regressão oral.

Depois do surgimento da teoria da pulsão de morte houve um deslocamento da sexualidade para a hostilidade, ou seja, quanto maior a patologia maior seria a hostilidade (fúria, raiva, ódio), onde os episódios esquizofrênicos passaram a serem vistos como uma projeção de impulsos destrutivos do próprio paciente e em todo aspecto de patologia a fúria seria a primordial, tornando a hostilidade e a reação a frustração menos importante.

Outro fato seria que as principais fontes de patologia no esquizofrênico seria o fracasso em neutralizar agressões aumentando excessivamente a libido, ou a hostilidade, ou ambas causando consequentes danos a personalidade.

No entanto, fica claro que todo doente psicótico tem, em sua natureza, uma parte neurótica e todo neurótico possui uma parte psicótica oculta. Quando esta parte psicótica não é tratada pode causar resultados artificiais. Portanto o analista precisa conhecer bem os núcleos psicóticos que estão presentes em todas as pessoas e os seus variáveis e então contribuir para evolução.

Tentantes|Gestantes|Maes

A Ansiedade de Engravidar

Por Débora Maciel – Psicanalista | Psicopedagoga

“Mente acelerada é mente desequilibrada” – Isaac Efraim

A ansiedade pode ser definida como aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, relação com contexto de perigo, entre outras. Em alguns casos ela pode ser estimulante, porém, se for em excesso, pode atrapalhar, e muito.

Decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central perante a interpretação de ameaça ou perigo, a ansiedade não possui fatores reais e palpáveis; são sintomas de características psíquicas que apresenta ligação entre o físico e o psíquico.

Os sintomas mais conhecidos durante a ação de ansiedade são taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, aumento da mobilidade intestinal (interferindo inclusive no aumento das secreções urinárias e fecais), cefaleia, entre outras. E, ainda, quando ela é recorrente e intensa, pode levar o nome de “Crise do Pânico”.

O nosso corpo detecta situações de ameaça e perigo através de um desequilíbrio emocional ou situações inesperadas e desconhecidas, os quais são suficientes para desencadear estados ansiosos.

Uma das principais características psíquicas do estado ansioso é uma aceleração do pensamento, uma espécie de autodefesa da mente, como se estivesse planejando livrar-se do perigo o mais rápido possível. Esta situação promove uma confusão, já que a mente é incapaz de fazer isto, gerando uma sensação na qual o estado ansioso é potencializado.

Esse movimento, em que a mente acelera para obter o controle e chegar a um estado de conforto e repouso, faz com que ela se excite mais; caso não tenha uma solução mental imediata e se torne repetitiva, teremos, então, a chamada ansiedade patológica, a qual piora com o passar dos anos.

A ansiedade pode ter uma origem genética, a pessoa possui uma pré-disposição a este sintoma; outra origem, pode ser de uma infância carente e problemática, os pais tiveram dificuldades de suprir as carências afetivas da criança ou, ainda, a dificuldade de aceitar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas.

Um dos grandes escapes da ansiedade é o ato sexual, talvez o maior deles. Durante a relação sexual, acontece uma grande liberação de energia, onde a ansiedade é descarregada.  A postura sexual pode ser alterada em caso de ansiedade elevada, podendo alguns ficarem agressivos, outros tensos, as mulheres podem ficar frígidas e os homens podem ter ejaculação precoce.

Porém, a ansiedade pode causar mais incômodos e gerar mais prejuízos do que os já mencionados. Quando há intensão de engravidar, tanto homens quanto mulheres podem sentir e passar por momentos nunca esperados; o casal tentante pode até perder a naturalidade do relacionamento, engravidar pode não ser uma tarefa tão fácil e a ansiedade pode ser uma vilã neste momento, adiando por tempo indeterminado o momento da gravidez, ocasionando, então, várias complicações na ovulação, fecundação e implantação.

Na mulher a ansiedade pode gerar um desequilíbrio hormonal, fazendo com que seus ciclos, que até então eram regulares, se tornarem irregulares, resultando também na inibição da ovulação. Ela aumenta a adrenalina e dificulta a fecundação por deixar o corpo tenso, o que atrapalha a locomoção dos espermatozoides.

Além disso, a ansiedade estimula a produção de oxitocina (hormônio responsável pela expulsão do bebê na hora do parto), a qual provoca uma contração uterina levando o óvulo fecundado a ter dificuldade em se fixar à parede do útero, fazendo com que seja expelido constantemente; também, altera o pH vaginal aumentando a acidez, o que pode eliminar (matar) os espermatozoides. Algumas mulheres chegam a apresentar sintomas da gestação, como enjoos, cansaço, dores no seio e até atraso menstrual, porém, depois de um período elas menstruam. Outro fator complicador da ansiedade é o aumento do estresse, que leva a diminuição da libido reduzindo a frequência de relações sexuais.

No homem a ansiedade também gera efeitos e sintomas que podem dificultar na hora de engravidar. Ela causa desequilíbrio hormonal, fazendo com que o homem tenha dificuldades de concentração, altera a morfologia e a habilidade de locomoção dos espermatozoides. Também gera estresses que pode causar problemas na ejaculação, a redução da quantidade de esperma e de volume do sêmen, disfunção erétil e a diminuição da libido.

Entretanto, existem algumas dicas que ajudam a evitar a ansiedade: não conte para muitas pessoas a intenção de engravidarem, pois elas ficarão perguntando e isso pode aumentar a tensão e a cobrança pessoal; evite pensar que “não dará certo”, pensamentos negativos aumenta a insatisfação e gera mais insegurança; ocupe sua mente, leia um bom livro, faça exercícios físicos, viaje, etc., essas atitudes ajudam a aliviar a tensão e o estresse.

Além disso, tire um tempo para você, cuide-se, seja prioridade diante de tudo isso; pense em seu relacionamento, na hora da relação sexual esteja presente, evite marcar dias férteis, isso atrapalha tanto as relações quanto o seu relacionamento; converse com seu parceiro, saiba como ele se sente e exponha os seus sentimentos, essa ligação fortalece o casal e ajuda ambos a entenderem como se sentem; procure falar com seu médico regularmente; alimente-se de forma saudável, evite açúcar, cafeína, fritura e ácidos, isso já a preparará para ter uma gestação mais saudável e um pós-parto agradável.

A psicoterapia também é um recurso importante, individual, em grupo ou com seu companheiro, o profissional da área irá conduzi-los à identificar, entender e superar dificuldades ou acontecimentos psicossomáticos, que podem ter surgido durante a decisão de tentar engravidar; essa atitude também irá prepara-los para a gestação e o puerpério, levando-os a um nível mais elevado de compreensão e aceitação de diversos acontecimentos. Um tratamento eficaz e o acompanhamento por um período mais longo são indispensáveis para obter ótimos resultados e reduzir os danos.