Conceito, Reflexões

AutoCuidado

Por Débora Maciel – Psicanalista

O AutoCuidado é criado logo depois do nascimento e vai se desenvolvendo com o passar do tempo.
Para que na fase adulta essa pessoa consiga ter apreço consigo e o AutoCuidado, é preciso que tenha vivido isso antes. Que alguém tenha cuidado dela e ela sentido o toque, a sensação de estímulo da pele.
Quando a mãe dá banho no bebê, troca, passa creme ou óleo em seu corpinho, está levando ele a uma experiência única. Essa sensação de ser cuidado, de ser acolhido vai gerar nesse bebê o AutoCuidado e isso ninguém poderá tirar dele. Toda vez que ele mesmo, quando adulto, tocar em si, pentear seus cabelos, passar creme em seu corpo terá uma sensação agradável que remeterá seu inconsciente aquela sensação que tinha quando sua mãe cuidava dele.
Dessa forma conseguirá cuidar de si e de quem dele depende.
É importante compreender que todo excesso é adoecido, ou seja, aquelas pessoas que tem por si um cuidado que vai além, como cirurgias plásticas, esforços desmedidos  com exercícios físicos, roupas, maquiagens, etc. Ou aqueles que nem conseguem domar banho com frequência, escovar os dentes, cuidar de seus cabelos, etc, estão no excesso para mais e para menos, demonstrando um adoecimento em cada situação.
O AutoCuidado na medida é um reconhecimento de si próprio. É olhar para si com amor e dar a manutenção devida ao corpo, alma e mente.
O AutoCuidado também está relacionado a questões internas, como respeito próprio, cuidado espiritual e mental. Quando a pessoa, mesmo tendo sido cuidada quando pequena, começa a deixar de cuidar de si, pode significar um interior desnutrido. Para que o exterior esteja bem é preciso um movimento de dentro para fora, o interior é o que reflete todo o exterior. Mesmo que em determinados momentos a pessoa consiga sustentar um exterior intocável, se o interior estiver deficitário logo será difícil sustentar algo aparente e se manifestará seu interior sofrido.
AutoCuidado também está relacionado ao respeito próprio ao cuidado com os limites, sendo tido quando necessário. Para isso é preciso ouvir seu Eu que fala, muitas vezes baixinho por ter sido negligenciado, mas ele fala e quer ser ouvido e cuidado.
Diante de uma escolha de um início para o AutoCuidado, o interessante é que possa ser de dentro para fora, pois com o Eu olhado, cuidado e respeitado todo o corpo (exterior) refletirá e passará a ser cuidado também.
Todos nós precisamos de equilíbrio em todos os sentidos, mas nem sempre esse equilíbrio se consegue sozinho. É preciso ter sido desenvolvido um AutoCuidado para ser capaz de pedir ajuda e procurar o equilíbrio em cada área. O equilíbrio total é impossível, mas o equilíbrio para que as coisas funcionem de forma mais engrenada é possível encontrar.


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Conceito

Análise Pessoal para um Psicanalista

Psicanálise do Acolhimento

Por Débora Maciel – Psicanalista/Psicopedagoga

A Análise pessoal é uma das exigências do Tripé da Psicanálise (Análise Pessoal, Estudo das Teorias e Supervisão).
Para um Psicanalista é muito importante fazer Análise Pessoal, pois é ela que dará a maior base para um atendimento psicanalítico. Se a análise do Psicanalista for rasa ou inexistente, o seu atendimento também será raso, sem condições de levar seu paciente a camadas mais profundas do inconsciente. É preciso que ele tenha ido até mais fundo para conhecer o caminho e conseguir estar com seu paciente lá também, compreendendo o quanto é dolorido e que o tempo do paciente é importantíssimo para a expansão da Análise Pessoal.
Infelizmente, hoje se vê profissionais se dizendo qualificado e atendendo sem esse preparo. O que, considero eu, um desrespeito ao paciente, como também, uma certa crueldade, pois o profissional sem as ferramentas necessárias pode causar mais estrago e piorar a situação do paciente.
Outros se julgam tão experientes que acreditam não precisar mais dessa ferramenta e, em algum momento irão travar a análise do seu paciente, pois entrará em conflito com a sua verdade e ele não terá o preparo para lidar com ela sozinho, não conseguindo levar seu paciente além.
Para estar com o paciente de coração nessa caminhada é preciso cuidar de si, é preciso manter o Tripé, é preciso respeitar a si e o seu tempo para respeitar o paciente e o tempo dele.
Para se qualificar Psicanalista o mesmo precisa acreditar na Psicanálise e manter seu tripé em dia, mesmo sendo doloroso, mesmo sendo difícil, caso contrário, não pode se nomear realmente Psicanalista.
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Boas Vindas, Grupo de Estudos

INÍCIO DA CLÍNICA EM PSICANÁLISE

GRUPO DE ESTUDOS: INÍCIO DA CLÍNICA – PSICANÁLISE


Inicia em 18/11 às 10h.


Para você que é estudante ou está iniciando seus atendimento ou profissionais da área, venha fazer parte do Grupo de Estudos em Início da Clínica em Psicanálise.
Será abordado assuntos relevantes para clinicar e as principais teorias básicas para o atendimento.
Encontros Online e ao Vivo.
Aulas gravadas com acesso por 30 dias.
E acesso ao grupo pelo whatsapp para tirar dúvidas.


Investimentos de R$70,00 por mês.

Entre em contato (16) 98220-8272

Coordenação:
Débora Maciel – Psicoterapeuta
E
Vanessa Meneleu- Psicanalista

Grupo de Estudos

Grupo de Estudos em Psicanalise

Apresentação do Grupo de Estudos em Psicanálise

Nosso grupo de estudos em psicanalise é presencial e on-line. Trabalhamos com livros e textos de autores com Sigmund Freud, Melanie Klein, Donald Winnicott, Wifred Bion, dentre outros. Nos encontramos uma vez por semana com duração de uma hora e meia. Com Investimento mensal de R$70,00.

Este grupo é destinado a pessoas que gostam da psicanalise, profissionais e estudantes da área que queiram conhecer, agregar, expandir seu conhecimento neste tema.

Com o grupo de estudos é possível agregar nos atendimento clínicos e, consequentemente, na vida pessoal.

Para mais informações, dias dos grupos e horários, entre em contato pelo telefone/whatsapp: (16) 98220-8272 – Débora Maciel.

Tentantes|Gestantes|Maes

POBREZA E RIQUEZA DE PERSONALIDADE

Por Débora Maciel – Psicanalista e Psicopedagoga

“Os que cuidam de crianças devem ser capazes de pensar em termos de pobreza e riqueza de personalidade” D. Winnicott

Esta frase me fez refletir…

Acredito que os pais precisam pensar nisto, em “pobreza e riqueza de personalidade”.

Estamos criando mais do que o futuro da nação, estamos construindo o futuro para nossos filhos. São eles, quebrados ou não, remontados ou não, embasados ou não, educados ou não, felizes ou não, sociáveis ou não, tristes ou não. São eles que viverão, são eles que enfrentarão um futuro lá na frente.

E mais do que qualquer coisa, nós como pais, precisamos pensar como queremos que eles estejam no futuro. Para isso é preciso construir um presente. Dai você me pergunta: Não vamos falar então em futuro? Vamos falar em presente? Presente!?!? Presente que ganhamos no aniversário, no dia das crianças, no natal???? E eu te respondo: NÃO… Este presente é muito mais do que isto, este presente refletirá o futuro para nossos pequenos, este presente os ajudará a encarar o futuro que está por vir.

Quando pensamos em personalidade, parece que sobe um frio pela espinha. Mas é para ser assustador e incentivador ao mesmo tempo. É para nos fazer pensar, e pensar realmente com garra e empenho. O que, ou melhor, como quero que meu filho esteja no seu futuro. Isto é muito maior do que se pode ver, vai além de corpo e mente, vai além de finanças e prosperidade, cargos ou faculdades.

Então é pensar em educação??? Não somente isto, é mais. É pensar em um serzinho que está aqui, que cabe em meu colo hoje e que amanhã estará dirigindo sua própria vida.

Ser presente, ser realmente PAI e realmente MÃE. Se mostrar disponível para seu filho.

E nos perguntamos: Mas o que é ser realmente PAI e MÃE???? Quando pensamos nisto, parece impossível, parece talvez inalcançável.

E eu te respondo: Para ser um verdadeiro e real PAI e MÃE basta estar com seu filho de alma, coração e presença. Basta rolar no chão, ficar descalço, brincar, dar gargalhadas, jogar bola, andar de bicicleta, assistir TV, desenhar, ler, pintar… Deixe se levar pela brincadeira com seu filho, deixe que ele te conduza. Por um momento seja apenas o parceiro de brincadeira do seu filho. Isto é ser presente, isto é pensar no futuro para eles, isto é riqueza de personalidade. Trazer esta riqueza para sua criança é muito mais do que qualquer outro valor imaginável ou não. Isto é o real valor para uma personalidade bem embasada e com “tijolos” saudáveis.

Convido você a pensar em criar momentos e oportunidades para a criação de “riquezas de personalidade” para nossos pequenos. Pense em um dia de cada vez: só por hoje eu conseguirei e irei dormir com a sensação de uma tarefa bem realizada e concreta para mim e nossos filhos. Nossos filhos precisam de nós hoje, agora. “O amanhã trará suas próprias preocupações”, vamos nos empenhar a realizar o hoje.

Esteja mais disponível para sua criança e com certeza você começará a ver que educar começa a ficar um pouco mais fácil e alcançável. Você se sentirá fazendo o “certo” e, com isto, se cobrará menos, não com o intuito de relaxo, mas com o intuito de tranquilidade e de fluidez. “Ouça e se perceberá sendo ouvido”. Eles precisam se sentirem seguros e guiados e quando nos fazemos disponíveis e estamos ali realmente presentes, uma luz no final do túnel da educação é mais visível e existirá.  

E é só isso!?!?!?! Para ser sincera… não, não é só isso, mas se pode começar por aqui e, com certeza, grande passo já se terá dado.

Créditos (foto): https://publicidadeecerveja.files.wordpress.com

Tentantes|Gestantes|Maes

A Amamentação

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

Logo que o bebê nasce, não existe um consciente e um inconsciente, o que há é apenas um complexo anatômico e fisiológico com o potencial para o desenvolvimento de uma personalidade. O consciente aqui neste momento é a mãe. A continuidade é a base para o desenvolvimento da personalidade, a continuidade que está implícita na ideia que tudo que fez parte do indivíduo não se perde, pode nunca vir a se tornar consciente, mas estará lá em algum lugar (WINNICOTT, 2013).

Para que um dia o potencial venha se manifestar é preciso que o indivíduo viva em condições ambientais adequadas. É interessante falar da maternagem suficientemente boa e lembrar que o bebê tem a “dependência absoluta” da mãe nesta fase e, depois, a próxima fase a levará até a “dependência relativa” tudo seguindo para uma independência (WINNICOTT, 2013).

As mães tentem se colocar no lugar do bebê para descobrir o que ele precisa naquele determinado momento. É claro que elas continuando sendo elas e que assumem a vulnerabilidade do bebê por alguns meses e que logo serão capazes de sair desta situação especial.

Embora a psicanálise se baseie na verbalização e a dê certa importância, Winnicott diz que a comunicação entre a mãe e seu bebê é silenciosa. “O bebê não ouve nem registra a comunicação, apenas o efeito da confiabilidade” (2013, p. 87). O que é registrado no decorrer de seu desenvolvimento é a segurança e confiabilidade. O bebê só terá conhecimento da comunicação quando esta confiabilidade lhe faltar, aqui vemos a diferença de possuir ou não o amor humano.

Em qualquer idade a criança precisa de ser amparada afetuosamente, ela necessita de forma física de amor, a qual foi naturalmente dada a ela pela mãe quando a transportou no ventre e a segurou no colo. As mães desenvolvem uma capacidade de identificar o bebê que vai de encontro com a necessidade básica do recém-nascido, o que ninguém ou máquina poderia imitar e também não pode ser ensinado. É num abraço bem seguro que a mãe consegue passar para o bebê muito mais do que segurá-lo, neste abraço ela passa segurança, carinho, atenção, aconchego e, neste momento, é tudo que o recém-nascido mais precisa.

É quando a mãe segura seu bebê que começa a comunicação entre eles, a mais importante comunicação entre eles. Neste movimento tem-se duas coisas importantes, “a mãe segurando o bebê, e este sendo segurado e atravessando rapidamente uma série de fases do seu desenvolvimento que são de extrema importância para a sua afirmação domo pessoa” (WINNICOTT, 2013, P. 86). O desenvolvimento do bebê ocorrerá dependendo da forma como ele for segurado e manipulado.

Profissionais da área da saúde podem dizer que não existe nada nas relações humanas que seja mais poderoso que o vínculo entre um bebê e uma mãe (seio) durante o período da amamentação. A relação do bebê com sua mãe durante o processo de amamentação é muito intensa. Essa relação inclui a excitação da expectativa, a experiência da atividade durante a amamentação, a sensação de gratificação, o repouso ou acalmaria da tensão instintiva resultante da satisfação.

Além disso, há as relações da criança com a mãe durante a amamentação e as experiências excretoras que comportam uma excitação em si e um clímax. O conjunto destas relações constitui uma tarefa para a criança, um deles é o instinto, que é despertado, e o outro é que a mãe constitui o meio circundante e a provedora das suas necessidades básicas.

Quando a criança vai conhecendo a mãe e descobrindo tudo que ela é e faz por ela, esta tem o desejo de retribuir por tudo que ela lhe forneceu. A partir daí, a criança se converte em ser humano também, com a capacidade de reter o momento de carinho e atenção, a qual deve alguma coisa que ainda não foi pago. Neste momento, dá se origem à sensação de culpa e da capacidade infantil para sentir-se triste se a mãe amada está ausente. Se a mãe tiver existo em uma amamentação satisfatória e como uma pessoa única na vida da criança durante um certo período de tempo, o desenvolvimento emocional da criança terá percorrido o caminho para um desenvolvimento saudável.

A mãe que não pode amamentar seu bebê no peito por algum motivo e adere a mamadeira ou outro meio de amamentação, consegue realizar uma grande parte de estabelecer a relação humana, proporcionando a gratificação instintiva nos momentos de excitação alimentar. Porém parece que, as mães que são aptas a amentarem seus filhos no peito estão propensas a encontrarem uma experiência mais rica para si própria no ato de amamentar, e isso, parece que contribui para o estabelecimento das relações entre os dois mais cedo.

É comprovado que além disso tudo, o bebê tem ideias, isso é de extremo valor para estudos relacionados a alimentação ao peito materno.

Todas as funções são elaboradas na psique, e mesmo no início há uma fantasia associada à excitação e à experiência alimentar. A fantasia, tal como se depreende, é a de um implacável ataque ao seio materno e, finalmente, à mãe, logo que a criança se apercebe de que pertence à mãe o seio que é atacar. Há um elemento agressivo muito forte no primitivo impulso de amor, que é o impulso para mamar. Nos termos da fantasia de uma data ligeiramente posterior, a mãe é implacavelmente atacada e, embora só uma pequena parcela de agressão seja observável, não é possível ignorar o elemento destrutivo nas pretensões da criança. A amamentação satisfatória faz cessar fisicamente a orgia e circunscreve também a experiência fatansiosa, não obstante, desenvolve-se um elevado grau de apreensão por causa das ideias agressivas logo que a criança começa a ter discernimento bastante para concluir que o seio que era atacado e esvaziado é parte integrante da própria mãe.” (WINNICOTT, 1964, P. 58 e 59).

O bebê que é amamentado no peito logo começa a ter a capacidade de usar objetos que se pareçam ou lembrem o seio materno e, consequentemente, da mãe. Ele usa o punho, o dedo ou dedos, um pedaço de tecido, ou um brinquedo para representar a relação dela com a mãe. Quando a ideia do seio é incorporada à criança através de experiências concretas, apenas um objeto passará a representar o seio materno.

A mãe também cria “os fundamentos da força de caráter e da riqueza de personalidade do indivíduo” (p.20). Com uma base positiva, a criança a oportunidade de se lançar no mundo de uma forma criativa, também poderá desfrutar e usar o que  ele tem a lhe oferecer. Porém é possível que se a criança não tiver um bom começo não poderá desfrutar e aproveitar nada disso. Com isso pode-se dizer que tempos então “os que têm” e “os que não têm”, isto tudo a ver com aqueles que começaram bem suas vidas e com aqueles que não tiveram um bom começo.

Neste ponto pode-se falar de “seio bom”, o que significa que a criança teve uma maternidade e uma paternidade satisfatória. Isso está relacionado não apenas à amamentação, está relacionado também com o ato de ter sido bem cuidado, segurado e manipulado de forma satisfatória. Em um determinado período do desenvolvimento do bebê, ele tem o impulso de morder, isto trata-se da crueldade, mesmo tendo dentes, a ideia não é de ferir, a função é que se sobreviva. Nesta fase o bebê encontrará um novo significado para o amor e uma novidade surgirá, a fantasia.

A saúde mental do indivíduo é construída desde o início, quem contribui para esta construção é a mãe, oferecendo, o que Winnicott chama de, um ambiente facilitador (“um ambiente em que os processos evolutivos e as interações naturais do bebê com o meio podem desenvolver-se de acordo com o padrão hereditário do indivíduo” – WINNICOTT, 2013, P.20). A mãe que segura seu bebê adequadamente significa que ela foi capaz de atuar como um ego auxiliar, desta forma seu bebê possui um ego desde o primeiro instante. Este ego é frágil e pessoal, mas impulsionado pela adaptação sensível da mãe e com a capacidade de identificar-se com ele, com relação as suas necessidades básicas.

Créditos (foto): https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSJel9Xj43cKsdtAcDOvodQOfwp7CnuCTCiH1-NHKKylbWPhVKd