Conceito, Reflexões

A Caminhada

Por Débora Maciel – Psicanalista

A Caminhada, cada um tem a sua.
Ela pode ser longa ou curta.
Ela pode ser fácil ou dura.
Ela pode ser tranquila ou cansativa.
A Caminhada, conteúdos internos que nos direciona.
Pode ser doce ou azeda.
Pode ser gostosa pu péssima.
Uma coisa é certa só sabe quem vive a Sua Caminhada.
Pode ter momentos, pode ter tristezas, pode ter alegrias.
Pode-se estar em baixa ou em alta.
O mais importante é viver Sua Caminhada, olhar para o Seu Caminhar.
O vizinho tem a Caminhada dele que pode ser vem diferente da Sua.
O que para você faz sentido pode não fazer para o outro, e está tudo bem.
No final o que importa é ter se importado menos com a Caminhada dos outros e ter focado na Sua Caminhada.
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Faça Análise, se permita.

Conceito, Reflexões

O Tempo

Por Débora Maciel – Psicanalista

O tempo.
Ah o tempo…
Ele vem e vai.
Ele não tem fim.
Ele leva e traz.
Ele atormenta e traz paz.
Ele sossega e apavora.
Ele se faz e se refaz.
Traz medo. Traz amor.
Traz ódio. Traz rancor.
Traz raiva. Traz tristeza.
Traz alegria. Traz perda.
Traz ganho. Traz luto.
Traz liberdade. Traz prisão.
Ah o tempo…
Quem o quer? Quem não quer?
Quem o tem? Quem o retém?
Quem gosta? Quem desgosta?
Quem gostaria que fosse seu, o tempo?
Quem gostaria de ter, seu poder?
Ele constrói. Ele destrói.
Nem tudo é no seu tempo.
Pois tudo tem seu tempo.
Querer nem sempre é poder, pois refém do tempo vai ser.
Lembrar e se esquecer dele depende e sempre irá depender.
Viver, desviver ou reviver seu tempo vai dizer.
Quando se quer, sem querer o tempo é preciso reconhecer.
Respeitar o tempo necessário se torna, para olhar para si despido da memória.
Esquecer muitas se quer e necessita, pois da dor se quer fugir, mas no tempo de cada um, a lembrança retorna para um novo ser descobrir. E, a vida sua viver agora, no seu tempo, sem pressa, sem medo, sem receio, apenas se quer ser quem sempre quis e não era hora.
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Faça Análise.
Se Permita.
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Conceito, Reflexões

AutoCuidado

Por Débora Maciel – Psicanalista

O AutoCuidado é criado logo depois do nascimento e vai se desenvolvendo com o passar do tempo.
Para que na fase adulta essa pessoa consiga ter apreço consigo e o AutoCuidado, é preciso que tenha vivido isso antes. Que alguém tenha cuidado dela e ela sentido o toque, a sensação de estímulo da pele.
Quando a mãe dá banho no bebê, troca, passa creme ou óleo em seu corpinho, está levando ele a uma experiência única. Essa sensação de ser cuidado, de ser acolhido vai gerar nesse bebê o AutoCuidado e isso ninguém poderá tirar dele. Toda vez que ele mesmo, quando adulto, tocar em si, pentear seus cabelos, passar creme em seu corpo terá uma sensação agradável que remeterá seu inconsciente aquela sensação que tinha quando sua mãe cuidava dele.
Dessa forma conseguirá cuidar de si e de quem dele depende.
É importante compreender que todo excesso é adoecido, ou seja, aquelas pessoas que tem por si um cuidado que vai além, como cirurgias plásticas, esforços desmedidos  com exercícios físicos, roupas, maquiagens, etc. Ou aqueles que nem conseguem domar banho com frequência, escovar os dentes, cuidar de seus cabelos, etc, estão no excesso para mais e para menos, demonstrando um adoecimento em cada situação.
O AutoCuidado na medida é um reconhecimento de si próprio. É olhar para si com amor e dar a manutenção devida ao corpo, alma e mente.
O AutoCuidado também está relacionado a questões internas, como respeito próprio, cuidado espiritual e mental. Quando a pessoa, mesmo tendo sido cuidada quando pequena, começa a deixar de cuidar de si, pode significar um interior desnutrido. Para que o exterior esteja bem é preciso um movimento de dentro para fora, o interior é o que reflete todo o exterior. Mesmo que em determinados momentos a pessoa consiga sustentar um exterior intocável, se o interior estiver deficitário logo será difícil sustentar algo aparente e se manifestará seu interior sofrido.
AutoCuidado também está relacionado ao respeito próprio ao cuidado com os limites, sendo tido quando necessário. Para isso é preciso ouvir seu Eu que fala, muitas vezes baixinho por ter sido negligenciado, mas ele fala e quer ser ouvido e cuidado.
Diante de uma escolha de um início para o AutoCuidado, o interessante é que possa ser de dentro para fora, pois com o Eu olhado, cuidado e respeitado todo o corpo (exterior) refletirá e passará a ser cuidado também.
Todos nós precisamos de equilíbrio em todos os sentidos, mas nem sempre esse equilíbrio se consegue sozinho. É preciso ter sido desenvolvido um AutoCuidado para ser capaz de pedir ajuda e procurar o equilíbrio em cada área. O equilíbrio total é impossível, mas o equilíbrio para que as coisas funcionem de forma mais engrenada é possível encontrar.


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Conceito

Análise Pessoal para um Psicanalista

Psicanálise do Acolhimento

Por Débora Maciel – Psicanalista/Psicopedagoga

A Análise pessoal é uma das exigências do Tripé da Psicanálise (Análise Pessoal, Estudo das Teorias e Supervisão).
Para um Psicanalista é muito importante fazer Análise Pessoal, pois é ela que dará a maior base para um atendimento psicanalítico. Se a análise do Psicanalista for rasa ou inexistente, o seu atendimento também será raso, sem condições de levar seu paciente a camadas mais profundas do inconsciente. É preciso que ele tenha ido até mais fundo para conhecer o caminho e conseguir estar com seu paciente lá também, compreendendo o quanto é dolorido e que o tempo do paciente é importantíssimo para a expansão da Análise Pessoal.
Infelizmente, hoje se vê profissionais se dizendo qualificado e atendendo sem esse preparo. O que, considero eu, um desrespeito ao paciente, como também, uma certa crueldade, pois o profissional sem as ferramentas necessárias pode causar mais estrago e piorar a situação do paciente.
Outros se julgam tão experientes que acreditam não precisar mais dessa ferramenta e, em algum momento irão travar a análise do seu paciente, pois entrará em conflito com a sua verdade e ele não terá o preparo para lidar com ela sozinho, não conseguindo levar seu paciente além.
Para estar com o paciente de coração nessa caminhada é preciso cuidar de si, é preciso manter o Tripé, é preciso respeitar a si e o seu tempo para respeitar o paciente e o tempo dele.
Para se qualificar Psicanalista o mesmo precisa acreditar na Psicanálise e manter seu tripé em dia, mesmo sendo doloroso, mesmo sendo difícil, caso contrário, não pode se nomear realmente Psicanalista.
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Boas Vindas, Conceito

O Silêncio…

O silêncio de Deus e o nosso silêncio – Diocese de União da Vitória –  Paraná – Brasil

Por Débora Maciel – Psicoterapeuta

O silêncio muitas vezes é desejado e outras é um martírio.
Se quer por perto e outras se quer longe.
As vezes é confortável e outras é insuportável.
Nele se pensa, nele se repensa…
Nele se chora, nele se encontra…
A busca é cruel e encontrar é distante.
O silêncio, às vezes, se torna intocável e as vezes inalcançável.
Pode ser difícil de se encontrar e a busca pode ser exaustiva.
É fato que nele muito se acontece, o mover é presente.
É fato que é dolorido e pode ser exaustivo.
Quem nunca se encontrou num silêncio total e até se perdeu, quando voltou nem sabia onde se encontrava.
Quem nunca precisou e tirou dele algo que de longe buscava.
Quem nunca usou dele os momentos que nem imaginava.
Quem nunca necessitou, pelo menos um segundo, do silêncio de seu ser, do silêncio de sua alma.
Alma… Alma… Essa alma que grita, que se esconde, que se manifesta até sem ser solicitada. Alma que pulsa e que vibra cada segundo, não para e nunca vai parar. É ela que nos faz, é ela que precisa de silêncio para pensar, para realizar, para compreender e amadurecer o ser que está a frente, a caminhar.
E é no silencioso que encontra paz, no silencioso que encontra respostas.
No silencioso que encontra amor.
No silencioso que encontra respeito.
No silencioso que encontra renovo.
E, depois de passar pelo silêncio é possível perceber que ele era necessário, que ele era fundamental. Porém só depois de passar por ele que se pode reconhecer o quanto ele é essencial.

Faça Análise, se permita.

Credito imagem: dioceseunivitoria.org.br

Conceito

Sentimentos Essenciais: FÉ

Por Débora Maciel – Psicoterapeuta @tratamente.deboramaciel

SENTIMENTOS ESSENCIAIS: ❤️❤️

Começo hoje uma Série na qual destacarei SENTIMENTOS ESSENCIAIS que precisamos ter para que haja um futuro melhor em nós.

Hoje quero trazer o sentimento de FÉ que se não existir não é possível nem operar milagres, e Jesus deixou isso bem claro nessa passagem Bíblica…

“Jesus não pôde fazer muitos milagres ali porque eles não tinham fé.” Mateus 13:58.

Dentre vários versículo bíblicos, escolhi esse, pois ele nos mostra mais do que o valor da fé, ele mostra que com a fé é possível alcançar algo que já não se tenha esperança, um milagre. E que para se alcançar um milagre é preciso da fé.

No contexto desse versículo, a bíblia nos mostra que Jesus estava de volta a Nazaré, sua cidade, e que Ele poderia ter feito muitos milagres ali, ou seja, Ele não deixou de fazê-los, mas Ele poderia ter operado muito mais, porém o povo não acreditou Nele, não teve fé em Jesus, em seus milagres. Com isso Jesus ficou impossibilitado de operar mais milagres em Nazaré. De alcançar mais vidas.

Em meu caminhar percebo a cada dia o valor desse sentimento e tenho utilizado muito dele em tudo que faço.

Sem a FÉ se torna impossível acreditar no amanhã e viver uma vida de esperança. Por isso também ouso dizer que a fé é mais que um sentimento. É um meio de se ver as situações da vida. De trazer a realidade o que se encontra no desconhecido, pois aquilo pode dar outro sentido a nossa vida.

TENHA FÉ, independente da situação que você esteja vivendo agora ou do milagre que precise, TENHA FÉ.

Não deixe de alcançar milagres em sua vida por não ter fé, ACREDITE E CREIA.

A fé é o início da ESPERANÇA. Com ela é possível acreditar em algo que não se vê, que ainda não se encontra ali, que não é concreto. É acreditar em sua mente, antes mesmo de poder enxergar.

A FÉ com certeza faz a diferença no desenrolar de uma história e de uma vida..E você, se lembra de algum momento em sua vida no qual precisou utilizar a FÉ?

No vídeo abaixo falo um pouco mais sobre esse Sentimento Essencial. Aprecie o Vídeo, Comente, Compartilhe, Acesse o Canal TrataMente Psicoterapia – por Débora Maciel [https://www.youtube.com/channel/UC2PSMMvOMlbcUunefRNyW3w/videos] e nos siga para conhecer e ver outros vídeos.

Deixe nos comentários sua experiência.

Sentimentos Essenciais: FÉ
Conceito

Transferência

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

Será exposto aqui três conceitos de transferência. A visão de transferência por Sigmund Freud, Donald Woods Winnicott e Melaine Klein.

A transferência pode estar presente em diversas situações, principalmente a encontramos em atendimentos terapêuticos, mas podemos encontrá-la em uma sala de aula, em uma aula particular, em grupos de estudos ou atendimentos terapêuticos, etc.

É possível perceber a presença de transferência quando, o paciente/analisando e/ou aluno transfere para o seu terapeuta e/ou professor a figura de uma pessoa próxima, podendo ser o pai, a mãe, o responsável, o qual tenha um papel importante na criação desta pessoa.

A transferência ajuda o paciente/analisando e/ou aluno no processo de cura, em caso de terapia e no processo de aprendizagem no caso do aluno.

 A Transferência engloba uma pluralidade de significados. Ela advém tanto da pessoa do analisando como do próprio analista. Diversos autores de distintas épocas e referenciais psicanalíticos conceituam formas especificas de situações transferenciais.

Conceitua-se este termo transferencial como um conjunto de todas as formas pelas quais os pacientes vivenciam com o psicanalista na experiência emocional da relação analítica, todas as representações que ele tem do seu próprio self, as relações objetais que habitam o seu psiquismo e os conteúdos psíquicos que estão organizados como fantasias inconscientes, como as respectivas distorções perceptivas, de modo a permitir interpretações do analista, as quais possibilitem a integração do presente com o passado, o imaginário como o real, o inconsciente com o consciente.

A transferência é um processo através do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos ou pessoas, num certo tipo de relação estabelecida, eminentemente, no quadro da relação analítica.

O sujeito satisfaz as pulsões exercendo o amor, o desejo e a satisfação, as quais estão dispostas no decorrer de sua vida. Essas pulsões são constituídas como ideias libidinais infantis que, por não serem inteiramente capazes de mudar diante de experiências recentes, é transferida para uma nova pessoa que se aproxima, e neste caso o analista. A transferência se torna possível na analise principalmente enquanto disposição libidinal tornando possível a satisfação da necessidade do amor particular, levando o analista, a saber, a verdade escondida no inconsciente do paciente.

A transferência, de certo modo, é uma mudança nas atitudes do paciente com relação ao seu analista no curso do tratamento, essas mudanças envolvem intensos componentes emocionais e podem contribuir para melhoras significativas no estado do paciente.

 TRANSFERÊNCIA PARA SIGMUND FREUD

“uma transferência está presente no paciente desde o início do tratamento e, durante algum tempo, é o mais poderoso motivo de seu progresso” Sigmund Freud (1916-17).

Foi em “Estudos sobre a Histeria” (1.895) que Freud empregou pela primeira vez a transferência no sentido de uma forma de resistência, ou seja, como obstáculo à analise, a fim de evitar o acesso ao resíduo da sexualidade infantil que ainda persistia ligada às zonas erógenas. Então afirmou que a “transferência é o pior obstáculo que podemos encontrar” e, concluiu-a como, uma forma de um falso enlace do paciente com o terapeuta.

Mais tarde Freud postulou a transferência como impulsos e fantasias, passando a considerá-la uma inevitável necessidade. Então ele veio a reconhecer que a analise com uma paciente, chamada Dora, falhou porque ele não havia reconhecido e trabalhado suficientemente o que pode-se chamar de “transferência de vingança”.

os sintomas são precipitados de anteriores eventos amorosos que só podem dissolver-se à elevada temperatura da transferência e, portanto, transformar-se em outros produtos químicos”“Cinco Leituras sobre Psicanálise” Freud (1.910).

Em 1.912, Freud reforça que a transferência opera tal como num campo de batalha em que a vitória (a cura das neuroses), tem que ser conquistada, concluindo com clássica frase de que “não é possível vencer a alguém (o inimigo) in absentia ou in effigie” (se não há transferência não há analise). Em outras palavras quer-se dizer que, ela é um veículo através do qual o inconsciente se manifesta, veículo que coloca em ato, no agora (atual), o inconsciente, tornando presente o que estaria ausente. E logo mais tarde, em 1.915, ele classifica as transferências em positivas (amorosas) e negativas (sexuais), as sexuais ligadas às resistências.

Freud, em “Esquema de Psicanálise” (1.938), referiu-se à transferência como ambivalente e podendo ser uma fonte de sérios perigos e o mais poderoso instrumento da psicanálise.

Freud dividiu as transferências como sendo positivas e negativas, conforme seguem abaixo:

Transferência Positiva

As transferências positivas referem-se a todas as pulsões e derivados relativos à libido, além de os desejos eróticos sob forma de amor não sexual.

É importante acreditar que algumas formas de transferências positivas podem estar sendo negativas. Inclusive uma forma de positividade pode ser significado de um inconsciente engano transferencial-contrasnferencial sob uma estéril recíproca fascinação narcisística.

Uma transferência positiva é pela qual o paciente cumpre fielmente todas as combinações de assiduidade, pontualidade, verbalização, uso do divã, manifesta concordância com as interpretações, etc, onde encobre uma pseudocolaboração.

Transferência Negativa

Nesta transferência predominam as pulsões agressivas com seus inúmeros derivados como a inveja, ciúme, rivalidade, voracidade, ambição desmedida, algumas formas de destrutividade, as eróticas inclusivas, etc.

A transferência pode ser “negativa”, por exemplo, uma perspectiva adulta em ralação à educação de uma criança que quer romper com certas regras. Porém ela pode ser altamente “positiva” a partir de um vértice que permite propiciar ao paciente a criação de um espaço, no qual ele pode reexperimentar antigas experiências que foram mal entendidas e mal solucionadas pelos pais.

TRANSFERÊNCIA PARA DONALD WOODS WINNICOTT

Winnicott acredita que o paciente precisa conquistar um novo espaço para se relacionar com o analista, onde o analista primeiramente é para o analisando um objeto transicional, cuja a imagem estará distorcida pelas projeções e sentimentos de posse, e posteriormente ira se tornar um objeto real. Durante a análise, tanto a analista como o analisando estão se descobrindo e criando, por fim as descobertas levaram a criação de ambas as partes.

Durante a análise o analista tenta “atacar” seu analista e ele tenta sobreviver estes ataques, priorizando a construção neste paciente de um self real.

O paciente procura satisfazer suas necessidades e quando o analista não consegue, gera neste paciente uma decepção pelo fracasso do ambiente, porém Winnicott afirma que esse fracasso pode gerar muito mais do ódio no paciente, pode levar a uma aniquilação do seu self.

Para Winnicott a transferência é muito mais do que uma repetição de impulsos e defesas, o paciente não sente apensa desejos pelo analista, ele sente uma necessidade de satisfação que venha da parte do analista.

TRANSFERÊNCIA PARA MELANIE KLEIN

Melanie Klein via a transferência como uma reprodução de todos os primitivos objetos e relações objetais internalizadas no psiquismo do paciente, acompanhada das respectivas pulsões, fantasias inconscientes e ansiedades presentes nos pacientes.

Alguns seguidores de Melanie Klein destacam alguns aspectos relativos à transferência que descreverei abaixo.

  • Transferência Primitiva: é reproduzida com o analista as primitivas relações objetais, com as respectivas fantasias inconscientes arcaicas, ansiedade de aniquilamento e primitivos mecanismos de defesa.
  • Associação de ideias: afirma que as relações objetais primitivas se formaram antes da capacidade de o ego da criança poder fazer representações-palavras destas relações, no entanto, elas podem ser captadas pelo analista e virem a ser reconstruídas.
  • Objetos parciais: é quando nas transferências primitivas as relações objetais são configuradas com estes objetos parciais (seios, pênis, etc), isto acontece desde as primeiras sensações corporais, e decorrentes das angustias persecutórias e depressivas inerentes ao início do desenvolvimento infantil.
  • A transferência sempre está presente, não só nos momentos em que o paciente manifesta direta ou indiretamente em relação com o analista, mas sim de forma permanente e oculta.
  • Todo esse entendimento do fenômeno transferencial acarretou profundas modificações na forma e no conteúdo das interpretações do psicanalista.
Conceito

Teoria Estrutural da Mente

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

O termo Estrutural, em psicanálise, define um conjunto de elementos que constituem uma relação organizada sendo interdependentes entre si. Sendo assim, uma estrutura é um sistema, de forma que uma mudança qualquer em um dos componentes provoca alteração nos demais. Diante disto, basicamente, a Teoria Estrutural (Id, Ego, Superego) – criada por Freud entre 1.920 e 1.923 – é um sistema, onde as pulsões do Id, as funções do Ego, os mandamentos do Superego e as realidades ambientais externas, agem entre si de forma continuada e indissociada, influenciando assim um ao outro.

ID

Antes de qualquer coisa, convém ressaltar que, pulsões, segundo Freud, “representa o conceito de algo que é limite entre o somático e o psíquico”, ou seja, uma fonte de excitação que estimula o organismo a partir de necessidades vitais interiores e o impele a executar a descarga desta excitação para um determinado alvo, constituindo quatro fatores inseparáveis: a fonte, a força, a finalidade.  O objeto e a natureza, esta “força energética”, só pode ser conhecida por meio de seus representantes psíquicos.

Houve, no início, uma primeira formulação de um conceito das pulsões essenciais, as pulsões do ego (autoconservação) e as pulsões sexuais (preservação da espécie). A primeira – pulsões do ego – representa um conjunto de necessidades e exigências ligadas às funções corporais, indispensáveis à conservação, desenvolvimento, crescimento e os auto-interesses do ego. A segunda – pulsões sexuais – situa-se no limite somatopsiquico, sendo que, a parte psíquica foi determinada como libido (“desejo”). Mais tarde, Freud descobriu que as pulsões que se referiam tanto ao ego como aos objetos externos não tinham natureza diferente e não cabia mais a distinção entre “pulsões do ego” e “pulsões sexuais”. A dualidade inicial que diferenciava as pulsões do “ego” e as “sexuais”, cedeu lugar a uma nova dualidade: pulsões de vida e pulsões de morte. Concluiu ainda que, o ego tinha uma energia própria e acima de tudo o ego é corporal.

A partir da nova dualidade, as pulsões de vida abrangiam as “pulsões sexuais” e as de “autopreservação”. A libido passou a ser conceituada como energia, e não mais como pulsão sexual, mas sim como pulsão de vida. As pulsões de morte tem como finalidade uma redução de toda a carga de tensão orgânica e psíquica, podendo permanecer dentro do indivíduo sob forma de angustias e, uma tendência à autodestruição, ou fora dele como pulsões destrutivas. Contudo pode-se dizer que, em indivíduos normais, e nos neuróticos, predomina a pulsão de vida, enquanto que nas psicoses, psicopatias, perversões, etc., predominam as pulsões de morte. Em resumo, a pulsão de vida visa juntar, ligar tudo aquilo que estiver separado no individuo e na espécie humana, enquanto a pulsão de morte, ao contrário, é a força de repulsão e rompimento, tende a destruir ligações.

O Id, como instancia psíquica, coincide com o inconsciente, é constituído pelas pulsões de vida e de morte, e, ao mesmo tempo, é um reservatório e uma fonte de energia psíquica. É regido pelo principio do prazer. Interage com as funções do ego e com a realidade exterior. Quase sempre entra em conflito com o superego e, raramente, estabelece alguma forma de aliança para seu próprio alívio.

EGO

Freud afirma que o ego desenvolve-se a partir do id, pela influencia do mundo externo e da necessidade de adaptação deste. Como a maior parte do mecanismo de defesa é inconsciente e o ego era considerado fonte e a sede dessas defesas, Freud notou que o ego não era sinônimo de consciente e nem se confundia com este, mas sim, que ele tinha raízes no inconsciente. O ego sendo a principal instância psíquica funciona como mediador, integrador e harmonizador entre as pulsões do id, as exigentes ameaças do superego e as demandas da realidade exterior.

Quanto à participação do Ego Consciente, cabe destacar algumas funções: a percepção, o pensamento, o conhecimento, o juízo crítico, a inteligência, a discriminação, a memória, a atenção, a capacidade para antecipação e postergação, a linguagem, a comunicação, a abstração, a síntese, a atividade motora.

No Ego Inconsciente são formadas as ansiedades ou angústias. Freud escreveu, entre outros, dois tipos de angústia: a angústia automática e a angústia-sinal. A primeira refere-se a um excesso de estímulos que o ego não consegue processar e, por isso, os reprime, onde surge, então, a ansiedade decorrente de um represamento de desejos, fantasias, sentimento, etc. (este tipo de ansiedade explica as “neuroses traumáticas” e as “neuroses atuais”). A “angústia-sinal”, por outro lado, acontece como sendo um “sinal” que o ego emite diante de uma ameaça, e só então irá processar a repressão.

É no ego inconsciente que surgem os Mecanismos de Defesa, que tem como finalidade a redução das tensões psíquicas internas, ou seja, das ansiedades. Estes mecanismos de defesa processam-se pelo ego e praticamente são inconscientes. Para Freud a defesa é a operação pela qual o ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo o aparelho psíquico. O ego mobiliza estes mecanismos que dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior. Entre os mecanismos de defesas destacam se: o recalque, a forma reativa, a regressão, a projeção, a racionalização, entre outros.

É bom destacar que os conceitos de “ego” e “self”, são distintas, com a intenção de se ter cuidado com isto, pois, o “ego”, como uma instância psíquica, é visto como apenas uma subestrutura da personalidade; enquanto o “self” é conceituado como a “imagem de si mesmo” e composto de estruturas, entre as quais estão não só o ego mais também o id, o superego e a imagem do corpo, ou seja, a personalidade total. Deve ser considerado que as funções do ego variam de acordo com as respectivas etapas evolutivas do desenvolvimento mental e emocional da criança.

SUPEREGO

O Superego é descrito como uma instância psíquica que se separou do ego, ou seja, encarregou-se das funções de um juiz representante da moral, legislador de leis e proibidor das transgressões dessas leis, e passou a condição de poder dominar ao próprio ego que lhe deu origem. Essa instância psíquica é entendida pelo significado da frase “o superego é o herdeiro do coplexo de Édipo”, o que significa que ele está constituído pelo precipitado de introjeções e identificações que a criança faz com aspetos parciais dos pais, com suas proibições, exigências, ameaças, mandamentos, padrões de conduta e o tipo de relacionamento desses pais entre si. Quando a criança supera, com mais ou menos êxito, a sua conflitiva edípica, ele encontra um solução para as angústias acompanhantes desse conflito, pela interiorização dos seus pais dentro de si, a criança se identifica com eles e internaliza as interdições deles. No menino, o complexo de edípico defronta-se com a ameaça de castração; enquanto na menina a angustia de castração diante da mãe que a empurra para o pai, assim forjando o complexo de Édipo e o consequente superego. Além do superego constitui-se como herdeiro do complexo de Édipo, ele contribui para a dissolução desse mesmo complexo através de interdições e ameaças. Ainda foi considerado por Freud que, o superego constitui uma estrutura que engloba três funções: “auto-observação”, “consciência moral” (formação de culpa) e a de “ideal” (“sentimento de inferioridade” quando o ideal não é atingido).

Se a formação do superego é devido a renuncia de desejos edipianos amorosos e hostis, ele também é reforçado por mais dois importantes fatores: A severidade do superego é voltada contra a própria criança, obrigando o psiquismo a se proteger com uma instancia fiscalizadora. E as posteriores influências e exigências sociais, morais, educacionais e culturais.

É imprescindível acrescentar que, “o superego da criança não se forma à imagem dos pais, mas sim à imagem do próprio superego desses pais, de modo que essa criança torna-se o representante da tradição, de todos os juízos de valor que subsistem, assim, através de gerações”, ou seja, o superego dos pais do paciente está identificado com o de seus próprios pais, isto inclui, na formação do superego os valores morais, os éticos, os ideais, os preconceitos e as crenças ditadas pela cultura na qual o sujeito esta inserido.

Contudo o superego também se caracteriza por ser quase totalmente de origem inconsciente, é coposto e ditado pelos objetos internos. É o grande gerador de culpas, com as consequentes angustias e medos, e a sua pressão excessiva no psiquismo é a maior responsável pelos quadros melancólicos e obsessivos graves.

Foi usado por Freud como sinônimos do superego o ego ideal e ideal do ego. No entanto a psicanálise atual mostra uma sutil diferença entre os conceitos específicos que cada um desses termos comporta, onde todos continuam sendo apêndice do superego clássico.

O “Ego Ideal” é constituído como o “herdeiro do narcisismo primário”, ele funciona no plano imaginário, alicerçado na fantasia onipotente, ilusória, própria da indiscriminação com o “outro”, em que “ter” é igual a “ser”, e vice-versa. O sujeito portador do ego ideal predominante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo, além de nutrir ideais virtualmente nunca alcançáveis. O ego ideal costuma estar distante do ego real, mas o sujeito utiliza fortes recursos defensivos de “negação”; como por exemplo, o da renegação, o mais próprio dos estados narcísicos parciais (como nas perversões), ou o da forclusão, presentes nos estados narcísicos totais (psicoses). O sentimento predominante é o de humilhação perante as frustrações das expectativas do ego ideal.

No “Ideal do Ego”, o herdeiro deste ego é projetado nos pais, somando as aspirações e expectativas próprias deles (pais). No sujeito o ideal do ego é conjugado num tempo futuro e condicional:     “Eu deverei ser assim, senão…”. Este pode ser um importante fator estruturante do psiquismo, tanto nos primeiros movimentos identificatórios, como também quando ele está a serviço de um projeto de “um vir a ser”, e também, o sujeito constrói um “falso self” para corresponder a expectativas dos outros, ou a quadros fóbicos e narcisistas, quando a sua permanência é em grau exagerado. O sentimento predominante diante dos eventuais fracassos é o de vergonha.

 

Conceito, Transtornos

Neuroses e Psicoses

Por Débora Maciel – psicanalista e psicopedagoga

NEUROSES

A neuroseé um sofrimento psíquico provocado pela coexistência de sentimentos contrários ao amor, ódio, medo e desejos incestuosos para com quem ama e de quem se depende”, com esta definição entende-se que o Édipo é uma neurose ou, pode se dizer que é a primeira neurose saudável na vida de um individuo e sendo a segunda, a crise da adolescência. Assim nossos conflitos com quem mais amamos não passam de reflexos naturais de nossa neurose infantil conhecida como complexo de Édipo. O retorno do Édipo na idade adulta vem em forma de duas neuroses, a neurose ordinária e a neurose mórbida.

A neurose ordinária são todos os conflitos e desentendimentos que se tem com as pessoas que se ama intimamente pelo desejo ardor que sempre existe. Esta neurose é resultado de uma dessexualização insuficiente pelos pais edipianos, os prazeres e angústias de fantasias infantis mal recalcados preservam toda sua violência e geram a neurose cotidiana presente em todos os seres humanos.

Quanto à neurose mórbida e patológica, aparecem como sintomas recorrentes que inclui o ser humano em uma solidão narcísica e doentia. Seja ele fóbico, obsessivo ou histérico, foi provocado por algo mais grave que um recalcamento insuficiente das fantasias edipianas, trata-se de traumas singulares resultante em pleno período do Édipo.

O abandono, real ou imaginário, também provoca uma imensa aflição na criança, a fantasia do abandono resulta na fobia do adulto. O trauma de maus-tratos, reais ou imaginários, que resulta em humilhação à criança levará a uma obsessão. O terceiro trauma é causado por uma experiência de um intenso e sufocante prazer durante um contato excessivo sensual por quem a criança depende (fantasia de sedução), resultando na histeria. Nos três casos estará sempre a presença de angústia de castração sob uma forma doentia tornando-se um terror de castração. A angústia de castração traumatizante, vivida durante a infância, gera uma neurose patológica na idade adulta.

A neurose masculina uma fobia, na idade adulta, é resultante da fantasia de angústia de abandono pelo pai repressor; enquanto a histeria é resultante da fantasia de angústia de ser assediado pelo pai sedutor; e por fim, a obsessão é resultante da fantasia de angústia de ser maltratado e humilhado pelo pai rival.

Na mulher a paixão infantil mais perturbadora é a inveja ciumenta do falo. Na histeria, a menina, agora mulher, ainda acha que não é digna de interesse nem de amor e se torna amarga e triste. Surge nela uma repulsa pela sexualidade, duplicada por uma grande solidão. No complexo de masculinidade, a mulher substitui a ideia de ser castrada e acredita ser munida do Falo. Julga-se onipotente, exibe o Falo em uma atitude de desafio e passa a ter traços masculinos a ponto de ser tornar mais viril que o homem. Uma das variantes desse complexo é a forma assumida de homossexualidade manifesta.

A angústia é uma das variantes edipiana propriamente feminina. Essa angústia feminina é gerada pelo medo na mulher de ser abandonada pelo homem amado, de ser privada do amor de seu companheiro. Agora mulher, ela desconfia dos homens e teme perder o amor, a alegria de amar, ser amada e sentir-se protegida. Se para o homem o Falo é a força, para a mulher é a felicidade de ser amorosa e ser amada por aquele a quem ama, ou seja, para ela o Falo é o amor.

PSICOSE

“Mas creio que estamos lidando com um tipo de doença psíquica que ocorre muito freqüentemente. Pois não há asilo de insanos que não tenha o que devemos considerar como exemplos análogos – a mãe que caiu doente devido à perda do seu filho, e agora embala incessantemente um pedaço de madeira, ou a noiva abandonada que, em seu vestido de noiva, há anos espera por seu noivo” Freud (1894)

No âmbito das Psicoses implica um processo deteriorativo das funções do ego havendo graus variáveis de contato com a realidade, incluindo algumas esquizofrenias crônicas. Além destas, existem os estados psíquicos, qual seria alguma preservação de áreas do ego levando o individuo a adaptar-se ao mundo exterior, como, por exemplo, casos de borderline, personalidades excessivamente paranóides ou narcisistas, algumas formas de perversão, psicopatias e neuroses graves. Incluindo também, quadros clínicos que possibilitam uma recuperação, sem seqüelas, após surtos fracamente psicóticos.

Nas psicoses encontramos também os casos de paciente que, são adaptados, mas possuem condições psíquicas que são caracterizados psicóticos, podendo ser de natureza obsessiva ou somatizante, não designando um diagnostico psicótico, mas apenas uma condição da mente.

Segundo Freud, pessoas normais reprimem o material inconsciente, o neurótico converte-o em sintomas, enquanto o esquizofrênico permite que ele irrompa sob a forma de material de processo primário. Com isso ele afirmava que o sonho é a psicose noturna de toda gente.

Em 1924, Freud escreveu dois artigos sobre a psicologia do ego das psicoses e neuroses. Ele dizia que a neurose era um conflito entre o ego e o id, enquanto a psicose, um conflito entre o ego e a realidade, a depressão como um conflito entre o ego e o superego. Porem no segundo artigo ele mostrou que a perda da realidade na psicose era relativa e não absoluta.

A deterioração das funções do ego inclui outros estados psíquicos, como casos de borderline, personalidades paranóides, narcisistas, formas de perversão, psicopatias e neuroses graves.

Contudo a fraqueza do ego se tornou uma posição central para compreender a esquizofrenia. Então Freud observou que o ego normal varia entre normal e psicótico, sendo possível uma investigação sistemática das diversas funções do ego, onde uma área autônoma ou livre de conflitos do ego se desenvolve independente do id.

O ego do esquizofrênico regride ao um ego infantil tornando naturalmente este ego fraco, o que é diferente de um ego infantil que é fraco porque o individuo é infantil. O esquizofrênico sofre de pânico e quando o pânico continua, ele chega ao estado de catatonia, onde ocorrem três mudanças: a recuperação, quando há uma integração de partes diferentes da personalidade; uma maciça transferência de responsabilidade, quando é levado a um estado de paranóide crônico, e/ou uma deterioração do sistema reprimido e uma regressão ao comportamento da primeira infância, o que se denomina de deterioração hebefrenica.

Freud afirmou que quanto mais profunda seja a patologia maior será a regressão. Tanto as ilusões persecutórias quanto a esquizofrenia são ligadas a fase oral, além disto, o vício, o alcoolismo, distúrbios psicossomáticos, e muitas outras condições severas que estão inclusas como distúrbios de caráter estão ligadas a regressão oral.

Depois do surgimento da teoria da pulsão de morte houve um deslocamento da sexualidade para a hostilidade, ou seja, quanto maior a patologia maior seria a hostilidade (fúria, raiva, ódio), onde os episódios esquizofrênicos passaram a serem vistos como uma projeção de impulsos destrutivos do próprio paciente e em todo aspecto de patologia a fúria seria a primordial, tornando a hostilidade e a reação a frustração menos importante.

Outro fato seria que as principais fontes de patologia no esquizofrênico seria o fracasso em neutralizar agressões aumentando excessivamente a libido, ou a hostilidade, ou ambas causando consequentes danos a personalidade.

No entanto, fica claro que todo doente psicótico tem, em sua natureza, uma parte neurótica e todo neurótico possui uma parte psicótica oculta. Quando esta parte psicótica não é tratada pode causar resultados artificiais. Portanto o analista precisa conhecer bem os núcleos psicóticos que estão presentes em todas as pessoas e os seus variáveis e então contribuir para evolução.